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Internacional

09/08/2018

Bombardeio contra ônibus com crianças deixa mortos e feridos no Iêmen

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Foto: Reuters

Dezenas de pessoas foram mortas ou ficaram feridas; número ainda é incerto. Coalizão árabe que combate os houthis diz rebeldes dispararam míssil na véspera

Dezenas de pessoas foram mortas e feridas nesta quinta-feira, 09, em um bombardeio da coalizão árabe contra uma área movimentada na província de Saada, no noroeste do Iêmen.

 

O bombardeio atingiu um ônibus que transportava crianças, e há menores entre as vítimas. A província de Saada é um redutos de rebeldes houthis do Iêmen e fica na fronteira com a Arábia Saudita.


O número de mortos ainda é incerto e é comum que diferentes balanços sejam divulgados logo após um grande ataque. Um hospital apoiado pela Cruz Vermelha afirmou que recebeu "dezenas de mortos e feridos". Líderes houthis disseram, segundo a AP, que pelo menos 20 pessoas morreram, incluindo crianças, e 35 ficaram feridas. Já a TV Al-Masirah, que é controlada pelos rebeldes, deu um balanço diferente: 39 mortos e 51 feridos, principalmente crianças.

 


Crianças feridas em ataque em Saada, no Iêmen, são atendidas

em hospital (Foto: Naif Rahma / Reuters)


A coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita, combate os rebeldes houthis para restabelecer no Iêmen o governo reconhecido internacionalmente, disse que os rebeldes dispararam um míssil na véspera e classificou o ataque como uma "operação militar legítima".


"O ataque que se registrou hoje na província de Saada é uma operação militar legítima contra elementos que (...) dispararam um míssil contra a cidade (saudita) de Jizan, causando um morto e feridos entre os civis" nesta quarta-feira, diz o comunicado da coalizão.

 


Bombardeio no Iêmen deixa mortos e feridos (Foto: Claudia Ferreira / G1)


O chefe da Cruz Vermelha no país, Johannes Bruwer, disse que muitas das vítimas têm menos de 10 anos de idade. "Dezenas de mortos, mais feridos, a maioria com menos de dez anos. A Cruz Vermelha está enviando suprimentos adicionais para os hospitais para lidar com o problema", postou no Twitter.

 


Não está claro se os mortos estavam no ônibus ou também eram pedestres que caminhavam na região.


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O Iêmen vive uma guerra civil que já deixou ao menos 10 mil mortos desde março de 2015.


De um lado da guerra estão os houthis, rebeldes xiitas apoiados pelo Irã. Do outro lado, a Arábia Saudita lidera uma aliança árabe para conter o avanço dos houthis, e conta com o apoio dos Estados Unidos. Há também outros atores envolvidos no conflito como tribos sunitas, a Al-Qaeda e até o grupo extremista Estado Islâmico.


A tensão começou a se acirrar na Primavera Árabe, em 2011, quando os houthis participaram de protestos contra o então presidente e se aproveitaram de um vácuo no poder para expandir seu controle territorial em algumas regiões do país.


Após anos expandindo seu controle, em setembro de 2014 os houthis conquistaram a capital, Sanaa. No início de 2015, o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi foi forçado a fugir para outra cidade do Iêmen e depois para a Arábia Saudita. Os houthis dissolveram o Parlamento e formaram um conselho presidencial para governar.


Em março de 2015, a Arábia Saudita passou a liderar uma aliança árabe para conter o avanço dos houthis. A aliança tem o apoio dos Estados Unidos e faz bombardeios aéreos constantes às áreas dominadas pelos rebeldes.


Segundo a ONU e a Anistia Internacional, uma série de violações de direitos humanos vêm sendo observadas no conflito e a situação humanitária se deteriora rapidamente. Entre os abusos denunciados pelas organizações estão o bombardeio de hospitais, escolas e áreas residenciais e o recrutamento de crianças soldado.

 

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G1

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