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Internacional

08/01/2019

Concessão de asilo à jovem saudita que fugiu da família levará dias

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Foto: Escritório de Imigração da Tailândia via EFE

Agência da ONU para refugiados diz que aguarda que Rahaf seja reconhecida como refugiada para encontrar um país que a receba

O processo para dar status de refugiada à jovem saudita Rahaf Mohammed al Qunun, que fugiu de sua família após renunciar ao islã e rejeitar um casamento arranjado, levará dias, informou nesta terça-feira, 8, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), que acrescentou que um possível destino para ela será analisado mais tarde.


"O processo para atender à sua solicitação de asilo acaba de começar e não há um tempo limite, pode levar vários dias segundo o procedimento normal", destacou em entrevista coletiva em Genebra o porta-voz do Acnur, Babar Baloch.


Se Rahaf conseguir obter a condição de refugiada, "serão buscadas soluções para ela, baseadas no apoio que o Acnur recebeu de outros países", destacou o porta-voz, que afirmou que é cedo "para especular" se a jovem ficará na Tailândia ou irá para outro lugar que lhe ofereça asilo.


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Jovem fugiu da família durante as férias


A jovem chegou no sábado, 5, ao aeroporto internacional Suvarnabhumi de Bangkok em um voo vindo do Kuwait, com a intenção de viajar para a Austrália, mas, segundo a jovem, um funcionário da companhia aérea Kuwait Airways confiscou seu passaporte e lhe comunicou que seria obrigada a embarcar em um voo de volta ao emirado.


"Sua viagem foi interrompida no Aeroporto de Bangkok, onde foi retida e acabou em um quarto de hotel, no qual deu início a seu pedido de ajuda", relatou hoje o porta-voz do Acnur.


"Rapidamente pedimos (aos tailandeses) que não deportassem a jovem, nem a levassem para uma situação onde poderia estar em perigo", afirmou Baloch, que acrescentou que o Acnur agradece as demonstrações internacionais de apoio para a jovem no mundo todo, depois que os tweets de Rahaf pedindo ajuda se tornaram virais.


O porta-voz do Alto Comissariado assinalou hoje que a Tailândia não é signatária da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados de 1951, mas assegurou que isto não é um empecilho para que o país dê asilo a pessoas como Rahaf, já que há mais de 100 mil refugiados em território tailandês, principalmente procedentes da vizinha Mianmar.


Saudita está 'angustiada'


Sobre a situação atual da jovem, a fonte oficial ressaltou que ela passou por "uma dura experiência" e está "angustiada", mas reiterou que Rahaf está "em um lugar seguro em Bangkok" e em contato com funcionários do Acnur, que ontem e hoje falaram com ela.


Sobre a possibilidade de familiares da jovem saudita viajarem para a Tailândia para tentar convencê-la a voltar, Baloch afirmou: "temos que cumprir seus desejos sobre quem quer ou não ver".


Rahaf garantiu hoje, no Twitter, que pediu asilo ao Canadá, enquanto espera a confirmação se a Austrália cancelou ou não seu visto.

 

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A embaixada da Arábia Saudita na Tailândia afirmou em comunicado que não tem qualquer envolvimento na retenção da jovem em Bangkok ou no suposto confisco de seu passaporte.


A ONG Human Rights Watch documentou muitos casos de mulheres sauditas que tentam fugir da opressão de seu país, onde a população feminina precisa de permissão de seus "guardiões masculinos" para viajar, se casar e, em algumas ocasiões, para trabalhar.

 

R7

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