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Internacional

06/02/2019

Mais uma mulher morre em 'exílio' por estar menstruada no Nepal

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Foto: Reuters

Devotas oferecem orações antes de tomarem banho sagrado no rio Bagmati durante festival em Katmandu, em 4 de fevereiro de 2019

O Nepal recebeu pedidos urgentes nesta segunda-feira para impedir que mulheres sejam expulsas de suas casas durante seus períodos de menstruação depois que uma mulher morreu dormindo em uma cabana, tornando-se a quarta vítima em semanas.


Parbati Bogati, de 21 anos, morreu sufocada depois de acender uma fogueira para se aquecer na barraca de pedra e barro sem janelas em que foi obrigada a dormir sob a prática hindu de "chhaupadi", que continua predominante no Nepal, apesar de uma proibição oficial.


Outra mulher e seus dois filhos já haviam morrido em circunstâncias semelhantes, provocando uma investigação parlamentar e levando autoridades locais a alertarem as famílias de que lhes seriam negados benefícios estatais se fossem encontradas praticando "chhaupadi".


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Ativistas de direitos humanos disseram que o governo ainda não está fazendo o suficiente para impedir a prática.


— A punição não é suficiente, e o o governo carece de políticas específicas para eliminar o chhaupadi — disse Mohna Ansari, membro da Comissão de Direitos Humanos do Nepal. — As leis devem ser revistas e um plano claro para acabar com a prática deve ser formulado e implementado.


A "chhaupadi" foi banida em 2005, mas ainda é predominante no oeste do Nepal. Deixa as mulheres em risco de picadas de cobra, ataques de animais selvagens e estupro. Algumas comunidades temem ser amaldiçoadas, como um desastre natural, se as mulheres e meninas menstruadas não forem expulsas durante esse período. Elas são impedidas de tocar em uma variedade de itens — incluindo leite, ídolos religiosos e gado — e devem comer de maneira econômica e simples. Mulheres e meninas menstruadas também não podem se encontrar com outros membros da família.


O costume tem contribuído para diversas mortes, apesar de o governo ter introduzido uma pena de 3 meses de prisão e multas de 3000 rúpias (R$ 100,00) para os casos em que for comprovada a prática. Ano passado, uma mulher também morreu sufocada depois de ser banida e em 2017, uma adolescente morreu picada por uma cobra.


Autoridades do governo disseram que programas de conscientização foram lançados nas áreas pobres e remotas do oeste do Nepal, onde o "chhaupadi" é mais prevalente. Mas pondera que mudar comportamentos sociais tradicionais não é fácil.

 

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Renu Adhikari Rajbhandari, da Aliança Nacional do Nepal para Mulheres Defensoras dos Direitos Humanos, disse que as autoridades poderiam e deveriam fazer mais.


— Precisamos demolir as cabanas de metal e lançar campanhas massivas para conscientizar as comunidades e as famílias de que as mulheres não se tornam impuras simplesmente menstruando — disse ela.

 

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