Notícias

Compartilhar Imprimir

Mulher

30/12/2018

Para que servem as resoluções de Ano-Novo? CONFIRA O DIZ ESPECIALISTA

Compartilhar:

Foto: Reprodução

Por que você deve repensar o hábito das resoluções impossíveis de Ano-Novo?

Ninguém capta a futilidade de fazer resoluções de Ano-Novo de modo mais preciso do que Bridget Jones. “Resolução de Ano-Novo: beber menos. Ah, e parar de fumar! E manter as resoluções de Ano-Novo”, ela suspira na cena de abertura de O Diário de Bridget Jones.

 

Todas nós conhecemos essa sensação. Os objetivos que estabelecemos para nós em janeiro, depois de um mês de excessos e culpa, são frequentemente impossíveis de atingir – e se por acaso você conseguir atingi-los, acaba pensando: “foram ambiciosos o suficiente?”

 

 Veja também

Confira dez curiosidades sobre o champanhe, bebida estrela das festas de fim de ano

 

No início de cada ano, somos bombardeados com artigos e propagandas que entoam o mantra “Ano-Novo, Você Novo”, seja se tornando vegano, usando menos plástico, parando de consumir açúcar ou investindo em uma anuidade de academia. O apetite global pela automelhoria parece não estar minguando: apps como Runkeeper e MyFitnessPal têm milhões de usuários ativos, livros motivacionais continuam populares como nunca e podcasts sobre bem-estar estão gozando de uma nova era dourada. Nossas intenções são admiráveis, mas a pressão que segue pode nos deixar prestes a cair. Então por que nos sujeitamos a esse ciclo sem fim de expectativa e falha?

 

As resoluções de Ano-Novo ainda fazem sentido para você?

 

Adicione 4 mil anos de reforço. A tradição de resoluções de Ano-Novo remonta aos antigos babilônios, que faziam promessas aos deuses no início de cada ano. Era comum na Roma de Júlio Cesar e teve paralelos religiosos no início do Cristianismo e Judaísmo, quando adoradores procuravam melhorar a si mesmos anualmente. Hoje o costume é praticado no mundo todo, com resoluções variando enormemente de um lugar a outro.

 

O projeto de 2012 do Google Maps, Zeitgeist, pediu que usuários compartilhassem suas resoluções e as colocassem em um mapa, revelando sutis diferenças culturais. Participantes nos Estados Unidos, por exemplo, tendiam a metas relacionadas à saúde, enquanto usuários no subcontinente indiano queriam melhorar a carreira e usuários russos estavam focados na educação.


Mas quantos de nós conseguem manter as resoluções que fazemos? Um estudo de 2012 no Journal of Clinical Psychology descobriu que enquanto quase metade dos americanos fazem resoluções de ano novo, apenas 8% de fato as seguem. A queda desde o início do ano é íngreme. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Strava, uma rede social global para atletas, 12.01 é o dia em que a maior parte das pessoas desiste de suas resoluções. Enquanto isso, a pesquisa de 2015 ComRes Poll for Bupa mostra que 43% das pessoas no Reino Unido que desistiram também o fizeram em menos de um mês. O número de adultos britânicos que mantiveram com sucesso uma resolução naquele ano ficou em apenas 12%.

 

As resoluções de Ano-Novo ainda fazem sentido para você?

 

John C. Norcross, professor de psicologia na Universidade de Scranton atribui essa queda à “violação da abstinência”, a resposta cognitiva negativa que se experimenta depois de voltar a algo seguindo um período de abstinência imposta a si próprio. “Se você se manteve dentro do orçamento por seis semanas e então violou o objetivo, pode dizer: ‘estraguei tudo, chega’”, diz Norcross. “A maneira como você reage a esse primeiro lapso influencia profundamente se você poderá voltar ao jogo”.

 

Muitos simplesmente não voltam. De fato, dados sugerem que nosso hábito de tomar resoluções grandiosas vem junto com o conhecimento de que não conseguimos mantê-las. No ano passado, a pesquisa YouGov Poll no Reino Unido revelou que as resoluções de Ano-Novo mais comuns eram comer melhor, se exercitar mais, gastar menos dinheiro e dormir mais. Outra pesquisa conduzida pelo Bupa perguntou a duas mil pessoas se esperavam manter seus objetivos. Metade das pessoas perguntadas não tinham confiança de que conseguiriam, enquanto 20% admitiu estabelecer metas ambiciosas demais e potencialmente insustentáveis.

 

A impossibilidade de manter resoluções de Ano Novo

 

O que pode parecer contraprodutivo, mas é um sintoma de se viver em uma sociedade obcecada pela automelhoria. Há 20 anos, resoluções de Ano-Novo poderiam ser as únicas metas que você estabelecia para si naquele ano, mas agora estamos treinados para buscar a perfeição todos os dias. Cada mês traz uma nova causa para adotar – Veganuary, Dry January, Stoptober, Movember – com promessas que exigem constante sacrifício e disciplina.

 

A colunista do The Guardian Brigid Delaney descreve o padrão de indulgência e penitência em seu livro de 2017 Wellmania: Misadventures in the Search for Wellness. “Muitos de nós no ocidente – os privilegiados com tempo e renda para dispor – estamos vivendo em uma época de grande decadência”, ela escreve. “Oscilamos entre o excesso e a privação autoimposta com estonteante velocidade e frequência. Tem a farra do feriado de Natal seguido pelo detox de fevereiro; os apps de meditação mindful que você pode usar quando precisa de uma pequena pausa em seu multitasking diário”.

 

Maior parte de quem lista promessas impossíveis no Reveillon

desiste dos planos ainda no primeiro mês do ano

 

Como resultado, resoluções de Ano-Novo não cumpridas podem abastecer nossa ansiedade, aumentando esse senso de nunca ter feito o suficiente. Em 2009, a instituição de caridade para saúde mental Mind recomendou insistentemente que as pessoas não começassem o ano armadas de metas: "Nós nos punimos pelas falhas que observamos e estabelecemos metas irreais para mudar nosso comportamento”, disse o presidente da instituição, Paul Farmer. “Então não é surpreendente que, quando não conseguimos manter as resoluções, acabamos por nos sentir mais mal do que quando começamos”.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook e no Twitter.

 

O dano também pode ser financeiro. Um relatório encomendado pela Freedom Finance descobriu que o adulto médio gasta £4.600 (cerca de R$ 22.500) em resoluções como mudar de casa, comprar um carro e viajar. 11% das pessoas entrevistadas disseram que fariam empréstimos para cobrir os gastos de seus planos, enquanto 20% disse que contariam com cartões de crédito. Essa pressão para implementar resoluções se agrava com as mídias sociais, onde imagens idealizadas e vidas com cuidadosa curadoria faz com que nos comparemos com nossos pares. Tendo compartilhado nossas resoluções com amigos e familiares, podemos nos sentir obrigados a mantê-las.

 

Quais promessas de fim de ano você já cumpriu?

 

Ainda que resoluções de Ano-Novo não sejam impossíveis de manter, até onde vamos pode nos prejudicar. Caso haja algum hábito ruim que você queira interromper, pense nele como um plano de longo prazo, em vez de uma resolução de Ano-Novo, diz Charles Duhigg, autor de O Poder do Hábito. “Muito mais importante que estabelecer uma meta ambiciosa, como correr uma maratona, é estabelecer um plano imediato que você possa começar”. A mudança, ele acredita, deve ser gradual, sem um limite de tempo arbitrário. Afinal, no final de O Diário de Bridget Jones, nossa heroína não havia controlado sua bebedeira, parado de fumar ou atingido seu peso ideal – mas havia alcançado muito mais.

 

Vogue

Deixe seu comentário

Nome:

Mensagem:

publicidade

Copyright © 2013 - 2018. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.