Colunista

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Por: Leão Alves

20/04/2016 | 17:25

O golpe petista

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Os petistas votam em Michel Temer para substituir a Dilma e depois dizem que é golpe Michel Temer substituir a Dilma. Alguém foi enganado.


Para que serve um vice-presidente? Serve para substituir presidente. Serve também para receber um bom salário, morar num palácio, fazer pontes políticas e dar entrevistas e palestras, mas sua função mesmo é substituir presidente.


O PT foi à TV, imprimiu panfletos, distribuiu adesivos, fez musiquinhas, comícios, carreatas, fez muito barulho para enfaticamente pedir ao povo que votasse em Michel Temer para vice-presidente. Não faltaram militantes chamando de coxinhas, alienados e de elite branca até os pretos e mestiços que preferiram votar no candidato a vice-presidente deles. Considerando a votação do impeachment da Dilma na Câmara dos Deputados, provavelmente nem os peemedebistas votaram tanto no Temer quanto os petistas. Eles mesmos votaram nele.


Imaginando que o PT tenha agido de boa fé, ou seja, pensando no bem-estar do povo, é de se concluir que o partido não iria indicar para o povo alguém que não estivesse capacitado para exercer o cargo de presidente de modo benéfico para este mesmo povo. Do contrário, teria o PT indicado conscientemente para os eleitores alguém desqualificado para a função de presidente? Um gato teria sido dado por lebre?


Quando se vê agora petistas esbravejando contra a possibilidade de Michel Temer chegar à presidência, nosso coração é fustigado por uma dolorosa dúvida: ou os petistas são uns inomináveis que oferecem para possivelmente presidir povo alguém que eles detestariam ter como presidente – da mesma forma que um mau verdureiro que tenta vender um repolho que ele jamais teria coragem de comer –, ou são uns incompetentes que não sabem escolher candidato a vice-presidente. No primeiro caso, ao se retorcerem e se inflamarem contra uma presidência Temer, estariam provando o gosto da própria poção, e aproveitando para gritar bem alto, como um esperto acuado pego em flagrante.


Mas o petismo tem sempre a capacidade de mais alto e além quando se trata de mudar as regras quando convém a ele e já está propondo novas eleições antes do encerramento dos mandatos de Dilma e de Temer. Não gaste a inteligência tentando encontrar alguma coerência; é só petismo mesmo.


Homenageando terroristas


Durante a votação do processo de demissão da presidente petista Dilma Rousseff, o deputado Valmir Assunção, do Partido dos Trabalhadores (PT), votando contra o impeachment da presidente, dedicou seu voto aos terroristas Carlos Marighella e Carlos Lamarca, este acusado de ter participado do assassinato que afundou a coronhadas o crânio do Tenente Alberto Mendes Júnior e de outros crimes. Marighella também foi homenageado por diversos deputados de esquerda durante seus votos contra o impeachment da presidente petista.


A mídia esquerdista, porém, preferiu destacar a homenagem feita pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC) ao Coronel Carlos Ustra. Durante seu voto, Bolsonaro afirmou que o coronel era “o pavor de Dilma”. Em seu depoimento à denominada Comissão Nacional da Verdade, Ustra acusou Dilma de ter pertencido a organizações terroristas e tentado implantar o comunismo no Brasil.


Dilma cria mais um bantustão


Antes de ir embora, Dilma deixa sua nova contribuição ao apartheid: homologou a demarcação da denominada “Terra Indígena (TI)” Cachoeira Seca, localizada na região Oeste do Pará. O decreto com a decisão, assinado por Dilma e publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (5), inclui uma área de 733.688 hectares para uma população de 105 índios pertencentes ao grupo Arara, com limpeza étnica do povo mestiço – que, é bom sempre lembrar, é nativo e foi gerado pelos próprios índios originais.


A criação do novo bantustão é mais uma ação racista indigenista que une líderes brancos comunistas e magnatas neoliberais visando dividir o povo brasileiro em territórios étnicos e raciais a fim de evitar a mestiçagem, eliminar o povo mestiço e enfraquecer a identidade nacional e a soberania brasileira. Outras ações têm sido incentivar imigração e impor aos mestiços a identidade negra. Órgãos das Nações Unidas, sob a ação destes grupos, têm colaborado com políticas anti-mestiças no Brasil e em outros países da América Latina.


Conferência repudia presidente da FUNAI


A 4ª Conferência Municipal da Cidade de Manaus, encerrada no dia 7 desse mês, aprovou moção de repúdio contra o presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), João Pedro, pela política de limpeza étnica da fundação contra o povo mestiço e caboclo. A conferência é etapa da 6ª Conferência Nacional das Cidades.


O presidente da FUNAI, que é ex-senador pelo PT do AM, havia já sido repudiado pela Conferência Estadual de Direitos Humanos do Amazonas por motivo semelhante. A política indigenista, que tem no PT o seu principal apoio político, tem causado o sofrimento de milhares de famílias amazonenses e de outros brasileiros.

 

(Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, conhecido como Movimento Nação Mestiça)

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