NOTÍCIAS
Educação
27/08/2021

Enem 2021: número de negros, pardos e indígenas inscritos cai mais de 50%

Compartilhar:
Foto: Reprodução

Dos 2,7 milhões de inscritos a menos nesta edição, 1,8 milhão são pretos ou pardos. Especialistas apontam prejuízo para a inclusão no ensino superior.

Com a pandemia, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou em 2021 o menor número de inscritos desde 2007. Além dessa queda no total absoluto de candidatos, houve também uma redução mais acentuada na participação de negros, pardos e indígenas, em comparação com a última edição da prova.

 

A conclusão é de um levantamento do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), feito a pedido da Globonews, com base nos microdados de inscritos no Enem 2021.

 

Na edição de 2020, eram aproximadamente 2,7 milhões de estudantes pardos - neste ano, foram 1,3 milhão (redução de 51,7%). A queda também ficou acima de 50% entre pretos (53,1%) e indígenas (54,8%). Por outro lado, considerando os candidatos brancos, a diminuição foi mais sutil: de 35,8%.

 

Veja também 

 

Gestão David Almeida promove palestra a pais de alunos da educação especial da rede municipal

 

Proposta de regularização da educação indígena municipal é enviada à CMM

 

Número de inscritos no Enem caiu em 2021 — Foto: Arte/G1


Proporção de candidatos por raça a cada ano


O levantamento também analisa a porcentagens de candidatos inscritos a cada ano, por raça.

 

Em 2020, 63,2% dos estudantes eram pretos, pardos, amarelos ou indígenas. Neste ano, eles representam uma fatia menor do total: 56,4%.

 

Os brancos, por outro lado, passaram a ter maior representatividade: saltaram de 34,7% em 2020 para 41,5% em 2021.

 

A classificação é feita com base na autodeclaração opcional dos alunos, no momento da inscrição.

 

Participação por raça no Enem 2021 — Foto: G1

 

Menos diversidade e inclusão


De acordo com o Semesp, a queda representa um retrocesso em relação à inclusão e à diversidade de alunos na educação superior, já que o Enem é a maior porta de entrada para a universidade pública no país.

 

Para a socióloga Márcia Lima, professora da USP e coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Racial do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o número de inscritos no Enem já vinha caindo, mas, de 2020 para 2021, a queda foi "muito impactante".

 

"Esse jovem pode ter tido dificuldade de se preparar [para o Enem] por conta de conexão e estrutura domiciliar, e também por ter sido impactado pela mortes na família", diz. "Dependendo de quem partiu, a gente tem mais dificuldade de reorganizar essa família para que ela possa investir na educação superior dos seus filhos."

 

Segundo Lima, há um entrave para que esses jovens não só participem do processo seletivo, mas também pensem no futuro.

 

O diretor executivo do Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, opina que a proporção de queda de inscritos pardos, pretos, indígenas e amarelos no Enem 2021 é mais um exemplo da desigualdade no país.

 

"As evidências têm mostrado até aqui que, da creche à conclusão do ensino médio, há diferentes trajetórias na comparação racial, resultado de oportunidades desiguais. Sem esquecer a manifestação do racismo estrutural antes, durante e depois da fase escolar."


Para ele, é papel da educação reverter esse quadro por meio de políticas educacionais que promovam a equidade no ensino.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram

 

"Não há outro caminho: cabe à educação o papel de igualar as chances de todos neste acesso às melhores oportunidades. O investimento público deve se concentrar em quem mais precisa", completa. 

 

Fonte: G1

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

LEIA MAIS

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Copyright © 2013 - 2021. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.