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Polícia divulga movimentações financeiras e reforça suspeitas contra vereador investigado no Rio
Foto: Divulgação

Dados apontam depósitos em dinheiro, transações com empresa da Maré e movimentações milionárias ligadas a assessor; parlamentar nega irregularidades.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro divulgou na última sexta-feira (13) novas informações sobre a investigação que apura a suposta ligação do vereador Salvino Oliveira (PSD) com a facção criminosa Comando Vermelho. Segundo a corporação, dados financeiros analisados durante o inquérito apontariam indícios adicionais que reforçariam a apuração em andamento.

 

Em comunicado oficial, a polícia não citou o nome do parlamentar, referindo-se a ele apenas como “investigado”. A nota menciona transações consideradas atípicas, incluindo transferências financeiras atribuídas ao vereador envolvendo uma empresa de informática localizada no Complexo da Maré, área que, segundo as autoridades, é dominada pela facção criminosa.

 

De acordo com os investigadores, os registros indicam que o parlamentar teria recebido valores da empresa sem que houvesse, aparentemente, justificativa comercial clara para as transações. A polícia afirma ainda que, em um período de quatro meses, o investigado teria recebido mais de R$ 100 mil em créditos considerados suspeitos, incluindo 11 depósitos realizados em dinheiro vivo.

 

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Apesar da divulgação dessas informações, os dados não constam no relatório inicialmente encaminhado à Justiça para solicitar a prisão do vereador. Segundo a polícia, a decisão de não incluir esses elementos no documento teve como objetivo permitir uma análise técnica mais detalhada pela delegacia responsável pela investigação.

 

Ainda nesta sexta-feira, o Tribunal de Justiça determinou a libertação de Salvino Oliveira. Na decisão, o desembargador Marcus Basílio avaliou que os indícios apresentados oficialmente pela polícia para justificar a prisão eram considerados frágeis. O relatório enviado à Justiça mencionava apenas uma mensagem em que o primeiro nome do vereador aparecia citado.

 

Em nota, a assessoria de imprensa do parlamentar afirmou que a divulgação das novas informações contribui para aumentar a confusão em torno do caso. A defesa argumenta que a polícia mencionou possíveis condutas criminosas sem identificar claramente os envolvidos ou atribuir responsabilidades específicas.

 

Os advogados também afirmam desconhecer a existência de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) citado pela polícia e argumentam que a ausência desse documento no processo comprometeria o direito à ampla defesa. A defesa classificou como “inverossímil” a possibilidade de o vereador ter realizado movimentações financeiras de grande valor ou mantido relação com empresas ou esquemas de lavagem de dinheiro.

 

A investigação também menciona movimentações consideradas suspeitas envolvendo um assessor do vereador e a esposa dele. Segundo a polícia, a mulher teria sido identificada como possível peça central em uma estrutura de movimentação financeira que poderia indicar práticas de lavagem de dinheiro.

 

De acordo com os dados levantados, mais de 20 saques em dinheiro teriam sido realizados em sete meses na conta pessoal dela, totalizando cerca de R$ 2,49 milhões, com retiradas médias de aproximadamente R$ 100 mil por operação. Além disso, uma empresa registrada em nome da mulher teria movimentado mais de R$ 35 milhões em pouco mais de dois anos, valor considerado incompatível com o faturamento declarado de cerca de R$ 2 milhões.

 

Parte desses recursos, segundo a investigação, teria origem em uma fintech que também estaria sendo investigada por possível ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

 

Os investigadores afirmam ainda que o assessor citado no inquérito seria sócio de um filho de Elias Maluco, traficante morto que foi condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, ocorrido em 2002.

 

A polícia afirma que o conjunto de informações aponta para possíveis vínculos entre o investigado e integrantes de uma estrutura suspeita de lavagem de dinheiro. Ainda assim, a corporação ressalta que as apurações continuam em andamento e que o processo permanece sob sigilo judicial.

 

Especialistas em direito penal questionaram a divulgação pública desses dados. O advogado e professor João Carlos Castellar afirmou que informações provenientes de relatórios financeiros normalmente são protegidas por sigilo e só podem ser divulgadas mediante autorização judicial.

 

Segundo ele, caso tais elementos já existissem antes do pedido de prisão, o mais adequado seria que fossem apresentados diretamente à Justiça e ao Ministério Público durante a análise da medida cautelar. Para o jurista, a divulgação posterior das informações pode gerar questionamentos sobre a condução da investigação.

 

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A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro reiterou, em nota, que mantém compromisso com o sigilo das investigações e afirmou que a apuração segue em andamento para esclarecer todos os fatos relacionados ao caso. 

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