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Internacional
21/05/2020

Trump anuncia retirada dos EUA do Tratado de Céus Abertos e preocupa aliados

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Foto: Reprodução

Acordo permite voos de monitoramento militar entre países signatários; Trump acusa Rússia de não cumprir os termos do tratado, o terceiro abandonado pelos EUA no setor de defesa

O governo dos EUA anunciou que pretende abandonar o Tratado de Céus Abertos, que tem como objetivo prevenir possíveis erros de cálculo estratégico que poderiam levar a guerras. A informação foi revelada pelo New York Times e confirmada pelo presidente Donald Trump nesta quinta-feira, em um movimento já visto com temor por aliados europeus.

 

Em comunicado, o secretário de Estado, Mike Pompeo, disse que a decisão será efetivada nesta sexta-feira, passando a valer em seis meses.

 

Assinado em 1992 e hoje com 35 países, o tratado permite que seus integrantes realizem voos de reconhecimento sobre o território de outras nações para monitorar possíveis movimentos militares, com o objetivo principal de estabelecer uma relação de confiança entre os governos. Contudo, segundo Washington, a Rússia não está cumprindo sua parte, vetando o acesso a locais suspeitos de abrigar instalações de produção de novas armas nucleares, assim como proibindo o monitoramento de exercícios militares.

 

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O desejo de Trump de abandonar o acordo não é exatamente novo: no ano passado, o presidente, influenciado pelo então assessor de Segurança Nacional, John Bolton, sinalizou seu descontentamento com o tratado. Um dos motivos alegados seria a recusa da China em aceitar os termos do plano.

 

Os críticos dentro do governo também apontam que os russos estão realizando voos de reconhecimento sobre o território americano para mapear infraestruturas que poderiam eventualmente ser alvos de ataques cibernéticos ou simplesmente para irritar o presidente — segundo o New York Times, um desses voos sobrevoou uma de suas propriedades em Nova Jersey, algo que desagradou a Trump. Nesta quinta-feira, ele disse que "tem uma boa relação com a Rússia", mas que o país "jamais aderiu" ao tratado. Por sua vez, Pompeo afirmou que os EUA podem rever a decisão "caso a Rússia volte a cumprir integralmente o acordo".

 

Em resposta, o governo russo disse que a medida vai afetar os interesses de todos os participantes e negou ter violado o tratado. O vice-chanceler, Alexander Grushko, disse também que nada impede a continuação das conversas sobre temas técnicos questionados pelos EUA.

 

Para os aliados europeus, a decisão é vista como extremamente perigosa: a saída dos EUA, em sua visão, poderia incentivar a Rússia a reduzir o número de voos sobre seu território, fazendo com que movimentos de tropas, especialmente perto das fronteiras, passem despercebidos. Uma reunião de emergência da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, foi convocada para esta sexta-feira.

 

Idealizado nos anos 1950 pelo então presidente americano Dwight Eisenhower, o Tratado de Céus Abertos chegou a ser proposto ao governo da União Soviética, mas foi rejeitado na ocasião. Ele só acabou sendo finalizado em 1989 e assinado em 1992, após o fim da URSS. Ao todo, 35 países o ratificaram, concordando com a maneira como esses voos serão conduzidos e com o número de sobrevoos. Segundo a imprensa americana, os secretários de Estado e de Defesa, Mark Esper, já trabalham nos detalhes para a saída americana do acordo, o terceiro no setor de defesa a ser abandonado desde que Trump chegou ao poder.

 

Acordos abandonados


O primeiro deles foi o acordo sobre o programa nuclear do Irã, em 2018, chamado por Trump de “o pior acordo do século”. Fechado em 2015 pelo governo de Barack Obama, o texto estabelecia limites às atividades atômicas do Irã, criando uma barreira para que o país não desenvolvesse armas nucleares. Em troca, teria o alívio das pesadas sanções econômicas e acesso facilitado aos mercados internacionais. Para Trump, o texto era muito brando, oferecendo muitas vantagens a Teerã em troca de poucos compromissos. Depois da saída americana, o governo iraniano passou a não mais observar esses limites, especialmente sobre o enriquecimento de urânio e o armazenamento de materiais radioativos em seu território.

 

No ano seguinte, 2019, a Casa Branca deixou formalmente o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, assinado com a Rússia e que impunha limites aos arsenais atômicos dos dois países. Tal como fez com o Tratado de Céus Abertos, Trump acusa os russos de descumprimento do acordo, além de exigir que a China passasse a observar os termos do texto, algo que Pequim se recusa a fazer.

 

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Além dos acordos no setor de segurança, Trump também retirou os EUA do Tratado de Paris para o Clima, uma outra promessa de campanha, ainda em junho de 2017. Na época, ele alegou que os termos do plano “minariam a economia americana” e colocariam o país em uma desvantagem permanente. A decisão provocou uma onda de críticas mundo afora. 

 

O Globo

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