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Povos antigos do Peru sacrificavam crianças para deter El Niño

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Foto: Pesquisadores encontraram mais de cem esqueletos do século 15 e buscam respostas

No ano passado, alguns arqueólogos no Peru anunciaram a descoberta de um massacre ritualístico em um sítio, supostamente no maior caso de sacrifícios de crianças. Enterrados em um sítio do século 15 chamado Huanchaquito-Las Llamas, havia cerca de 140 esqueletos.

 

Embora o motivo do assassinato em massa de meninos e meninas - entre 5 e 14 anos - não possa ser determinado de maneira definitiva, os pesquisadores agora afirmam que o ato foi realizado em desespero, diante de um desastroso evento climático: El Niño.

 

“O que aparentemente vimos em Huanchaquito-Las Llamas é um sacrifício no intento de conseguir parar as chuvas torrenciais, as inundações e os deslizamentos de terra”, disse John Verano, antropólogo e um dos autores do estudo publicado no início de março. A descoberta oferece uma visão da antiga civilização chimu, que habitou a costa setentrional do Peru. Também tenta compreender o motivo pelo qual as pessoas mataram estas crianças, ao que parece, abrindo seu peito e arrancando seu coração.

 

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Segundo alguns pesquisadores, 140 crianças foram sacrificadas para apaziguar os deuses depois que as chuvas de El Niño inundaram uma cidade no Peru.


Em 2011, um homem chamado Michele Spano Pescara procurou Gabriel Prieto, um arqueólogo peruano, e contou que os seus filhos haviam encontrado ossos humanos escavando um buraco perto da sua casa. “Por toda parte, havia inúmeros restos mortais completos e corpos inteiros em perfeito estado de conservação”, disse Prieto, que chefiou o estudo.

 

 

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Ele convidou um colega que investigou os esqueletos e identificou marcas de cortes no esterno de muitas crianças. Isso indicava que o local não era um cemitério grupal, mas o lugar onde ocorrera uma matança organizada. De 2011 a 2016, Prieto e seus colegas desenterraram 137 esqueletos completos de crianças e os restos mortais de mais de 200 filhotes de lhamas em uma área de cerca de 700 metros quadrados. A equipe notou que as crianças haviam sido enterradas voltadas para o oeste na direção da costa, enquanto as lhamas estavam voltadas para leste, para os Andes.

 

Segundo alguns pesquisadores, 140 crianças foram sacrificadas

para apaziguar os deuses depois que as chuvas de El Niño

inundaram uma cidade no Peru (Fotos: John Verano)

 

Uma importante indicação para compreender a razão pela qual os chimus sacrificaram as crianças foi a grossa camada de lama preservada sobre a areia onde as vítimas foram enterradas. Como a área é um deserto, a camada de lama mostrava que, nesse local, houve outrora um período de intensas precipitações atmosféricas, como ocorrem durante o fenômeno de El Niño, um aquecimento natural das águas na superfície do Oceano Pacífico que provoca efeitos em cascata sobre o clima. Esse dilúvio teria devastado o estado de Chimu, inundando as culturas, matando os peixes e engolindo pessoas.

 

As mortes, sugerem os autores, foram ordenadas pelo Estado, talvez em um apelo aos deuses ou aos espíritos ancestrais para que abrandassem as chuvas. Tiffiny Tung, bioarqueóloga da Universidade Vanderbilt no Tennessee, que não participou do estudo, disse que, além de esclarecer os rituais chimus, a descoberta oferece um vislumbre da máquina política do Estado. Na sua opinião, o sacrifício teria permitido que os líderes chimus demonstrassem ao seu povo até que ponto podiam agir para apaziguar as divindades e proteger a comunidade. “Foi uma maneira impressionante de fazer o povo andar na linha”, afirmou.

 

O Estado de São Paulo

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