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Senet, o jogo para falar com os mortos no Egito Antigo

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Foto: O jogo se tornou bastante popular no vale do rio Nilo na época.

Egípcios antigos eram competitivos em tudo, desde a obtenção de recursos naturais e guerras até a prática de jogos de tabuleiro. Visto pela primeira vez no Egito Antigo, há aproximadamente 5 mil anos, Senet (que significa “passagem”) foi um jogo parecido com o gamão, mas que explorava uma fascinação mórbida pela morte, algo parecido com a Tábua de Ouija. O jogo se tornou bastante popular no vale do rio Nilo na época.

 

O tabuleiro de Senet consistia em três linhas com 10 casas por linha e, de acordo com a revista Science, dois jogadores deveriam mover peões ao redor do tabuleiro depois de “jogar bastões”, uma versão antiga dos dados.

 

A referência mais antiga encontrada do jogo — além de alguns fragmentos que algumas pessoas acreditam fazer parte do kit de Senet — é uma pintura na tumba de Hesy-Ra, um alto oficial (e, possivelmente, o primeiro dentista da história) do Egito Antigo, que viveu durante a terceira dinastia, sob o reinado do faraó Djoser, por volta de 2600 a.C..

 

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Existe ainda uma pintura da rainha Nefertari, na parede de sua tumba, jogando Senet contra um oponente que não pode ser visto na representação. Na tumba de Tutancâmon, ao menos cinco kits do jogo foram enterrados com o antigo faraó egípcio.

 

Eventualmente, há cerca de 4.300 anos, o Senet tomou um significado cultural mais profundo em relação à conexão com mortos. Apesar de similar ao modelo original, relatos sobre uma nova versão indicam que uma alma teria atravessado da vida, como a conhecemos, até o Duat — o submundo egípcio — em direção à vida após a morte.

 

Egípcios fizeram alterações no tabuleiro ao longo do tempo


O artigo na Science relata que há mais de 3 mil anos o jogo de tabuleiro teve mudanças em seu design. Ao invés de três linhas simples e verticais, normalmente vistas na 28ª casa do tabuleiro, algumas versões começaram a apresentar um hieróglifo de três pássaros, símbolo bastante difundido como uma representação da alma humana entre os antigos egípcios.

 

Tabuleiro de Senet

Foto: Reprodução


Um tabuleiro de Senet, presente no Rosicrucian Egyptian Museum, nos Estados Unidos, mostra algumas das mudanças desde sua origem até a evolução para se tornar um artefato religioso.

 

A 27ª casa deste tabuleiro em particular mostra um hieróglifo de água onde, tradicionalmente, em outros modelos nesta mesma casa havia um “X”. Isto possivelmente representa o corpo de água que uma alma precisa atravessar ao longo de sua jornada para chegar ao Duat. Esta alteração foi mantida pelos próximos 800 anos, quando o jogo começou a diminuir sua popularidade até que o os egípcios pararam de jogar.

 

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Embora eventualmente deixado de lado, a história do Senet permanecerá eternamente registrada em hieróglifos, artefatos egípcios antigos e na própria humanidade. O tabuleiro de Ouija é um indicativo que nós, humanos, ainda não perdemos fascínio pela vida após a morte.

 

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