Notícias

Compartilhar Imprimir

Plantão Policial

10/11/2017

Massacre em presídio de Manaus: PMs e agentes vendiam armas para chefes da FDN no Compaj, revela inquérito da SSP

Compartilhar:

No Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, objetos proibidos entravam de acordo com uma tabela de preços. Pistola com munição? De R$ 1.500 a R$ 3.000. Facões desviados da cozinha? R$ 200 por unidade. Celulares? Mesma quantia. Uma garrafa de uísque? Até R$ 1.000.

 

Mediante pagamentos de propina, policiais militares e agentes de ressocialização permitiram que chefes da facção criminosa FDN (Família do Norte) tivessem acesso a pistolas e facões dentro do maior presídio do Amazonas. As armas foram usadas para assassinar rivais durante o "massacre de Manaus".

 

As informações constam de inquérito conduzido pela força-tarefa criada pela SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado para investigar a chacina de 56 presos durante a rebelião do dia 1º de janeiro --quase metade das vítimas era filiada à facção paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), que disputa com a FDN o controle dos presídios e das rotas de tráfico na região Norte.

 

Veja também


SEM CENSURA! Vídeos e fotos mostram presos decapitados durante rebelião em presídio de Manaus. Pelo menos 60 detentos teriam sido assassinados

 

IMAGENS FORTES! Rebelião deixa quatro mortos na 'Cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa', no Centro de Manaus

 

Polícia divulga vídeos do início do massacre que vitimou mais de 50 presos em penitenciária em Manaus há oito meses. VEJA!

 

"É importante ressaltar que a posse de tais armas de fogo por parte do grupo rebelado, todos membros da FDN, foi crucial para que eles atingissem o seu objetivo, qual seja a morte dos internos da facção rival e de outros internos em condições de vulnerabilidade", afirmaram, no inquérito, os delegados responsáveis pela investigação.

 

O UOL teve acesso exclusivo a depoimentos de detentos que revelam como funcionava o esquema de corrupção dentro do Compaj (veja fac-símile abaixo).

 

 

"Por óbvio, dada a quantidade de material apreendido em poder dos rebelados, havia facilitação por parte de agentes do sistema penitenciário para o ingresso de armas de fogo, celulares, armas brancas e demais objetos de cunho proibido no referido Complexo Prisional", apontou a força-tarefa.

 

Quando apresentaram o resultado da investigação, em setembro, os delegados informaram que a investigação sobre a entrada de objetos proibidos no presídio estava sendo realizada em outro inquérito ainda em aberto.


Como funcionava o esquema com os policiais militares

 

Em 7 de abril deste ano, um detento prestou depoimento, sob sigilo, a um dos delegados que integravam a força-tarefa amazonense. Seu depoimento descreve como armas e outros objetos proibidos entravam no Compaj: parte do armamento era levada por policiais militares responsáveis pelas vigilâncias nas guaritas da muralha do complexo penitenciário.

 

"As armas eram encomendadas a donos de 'bocas de fumo' da cidade de Manaus pelos 'líderes' da FDN que estavam encarcerados no interior do Compaj", disse o presidiário, em depoimento.

 

A partir daí, os traficantes entravam em contato com os policiais militares e repassavam a estes as pistolas, de variados calibres. As armas eram entregues desmontadas e embaladas com as munições.

 

Os policiais militares, por sua vez, levavam as pistolas para o trabalho e, quando chegavam a seus postos nas guaritas da muralha, jogavam as armas na área de gramado do setor de regime fechado do presídio.

 

As armas eram recolhidas pelo detentos conhecidos como "amarelinhos"-- presos que vestem roupas amarelas e ficam responsáveis pela limpeza das fossas na área externa dos pavilhões, recolhimento de lixos, limpeza em geral e também corte de grama.

 

"A partir daí, os 'amarelinhos' recolhiam as armas e entregavam para os líderes da FDN nos respectivos pavilhões", disse o preso.

 

Caixões de presos mortos no Compaj, em

Manaus (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

 

Era regra no presídio que somente os líderes da FDN poderiam portar armas de fogo."

 

Titular da SSP do Amazonas até o começo de outubro, o delegado federal Sérgio Fontes afirmou que "as ações desses agentes públicos são isoladas" e que outros casos ocorreram após o massacre.

 

"O que posso dizer, sem prejudicar ações futuras, é que as suspeitas não foram negligenciadas e estão sendo apuradas. É por isso que uma delegada da corregedoria participou da força-tarefa", afirmou Fontes. "Policiais militares, em regra, não deveriam ter nenhum contato com presos."

 

O comandante da Polícia Militar do Amazonas, coronel David Souza Brandão, afirmou "não ter conhecimento" sobre a suposta participação de policiais militares na facilitação de entrada de armas e outros objetos proibidos dentro do Compaj. "Fiz um levantamento em nossos relatórios de inteligência e não há nenhuma informação neste sentido."

 

"Se, porventura, o comando for notificado a respeito de desvios de condutas de policiais militares, a denúncia será apurada tanto do ponto de vista administrativo quanto do criminal, por meio de um inquérito", disse Brandão.


Como funcionava o esquema com os agentes

 

Em seu depoimento, o detento afirmou que funcionários do Compaj entregavam facas de cozinhas, escondidas dentro da marmita, para os chefes da FDN no presídio. Os quatro pavilhões do presídio possuíam pelo menos dois chefes, que recebiam ordens da cúpula da facção que está detida em presídios federais.

 

"Além disso, os agentes também facilitavam a entrada de aparelhos celulares por meio de contato com os familiares dos presos ou até mesmo porque estes agentes traziam os telefones consigo e vendiam por cerca de R$ 150 ou R$ 200, já com bateria e o respectivo carregador, de acordo com o modelo (sic)", disse o preso.


O depoimento de outro preso cita o nome de dois agentes que teriam recebidos R$ 6.000 para entregar três pistolas ponto 40 e uma 380 para a facção criminosa. As armas foram vendidas em agosto, cinco meses antes do massacre, e ficaram escondidas no pavilhão 3 no Compaj.

 

"Um agente avisava que estava precisando de dinheiro e que, se os presos quisessem colocar cachaça, drogas ou qualquer outra coisa, era para falar com ele. E outro agente o ajudava a entrar com essas matérias (sic)", afirma o outro preso, em seu depoimento.

 

De acordo com o depoimento de outros dois presos, os valores discriminados no começo desta reportagem eram de conhecimento de todos dentro do presídio. "Aceitava [receber propina] quem queria", afirmou, à polícia, um agente que foi feito refém durante o massacre. Para pagar as propinas aos agentes, os familiares dos presos levavam dinheiro escondido durante as visitas e o montante era entregue aos chefes da FDN.
Entrada de armas facilitou massacre, diz força-tarefa

 

Para os delegados da força-tarefa da SSP amazonense, a facilidade com que chefes da FDN tiveram acesso ao armamento foi condição essencial para que o massacre de Manaus ocorresse.

 

"Relatos dos internos ouvidos apontam que muitos presos vítimas da rebelião foram primeiramente acuados pelo grupo de internos armados, para depois serem abordados e mortos pelos demais presos, que na grande maioria portavam facas, facões, estoques e outros diversos tipos de armas brancas", afirmam os delegados da força-tarefa em um relatório.

 

"Resta-nos claro que, caso não houvesse armas de fogo nas dependências da unidade prisional, as vítimas teriam, ainda que minimamente, alguma chance de defesa, na medida em que poderiam lutar com igualdades de condições, embora o número de presos rebelados fosse bem maior que os internos adversários", completam.

 

Os chamados agentes de ressocialização são funcionários da Umanizzare, empresa que administra o Compaj, em regime de parceria com o governo do Amazonas.

 

Em entrevista ao UOL, o diretor jurídico da Umanizzare, André Caires, afirma que a empresa colaborou com a força-tarefa na investigação sobre as causas do massacre. "Todas as informações requeridas foram prestadas."

 

"Pelo contrato de gestão compartilhada, cabe ao Estado o exercício do poder de polícia dentro do presídio, a exemplo da aplicação da disciplina, segurança prisional e vigilância armada dos detentos. A nós cabem as chamadas atividades-meio, a exemplo de limpeza, conservação predial, atendimento médico, assistência jurídica, entre outras funções."

 

Questionado a respeito dos dois funcionários apontados como facilitadores de entradas de armas no presídio, Caires afirmou que ambos "foram desligados há meses", mas não confirmou se as demissões tinham "ligação direta" com os fatos narrados no inquérito.

 

"Nós temos procedimentos operacionais muito rígidos, nossos funcionários passam por treinamento e acompanhamento constante de suas atividades, e a empresa pune qualquer desvio de conduta", afirmou.

 

Até o presente momento, a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas) não respondeu aos questionamentos enviados pelo UOL na tarde de quarta-feira (8).
 

 

Procurada pela reportagem, a atual gestão da SSP-AM enviou a nota abaixo:

 

"A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) informa que, em decorrência dos crimes ocorridos em cadeias de Manaus em janeiro de 2017, uma força-tarefa com a participação de diversos órgãos foi criada para apurar os fatos. A Polícia Civil do Estado abriu três inquéritos para investigar os homicídios cometidos durante as rebeliões no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa e na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

 

Os inquéritos referentes ao Compaj e a Cadeia Pública foram concluídos há cerca de 30 dias e entregues à Justiça. Atualmente, estão tramitando na 1ª Vara e 2ª Vara do Júri. O inquérito sobre as mortes na UPP está em fase final.

 

No decorrer das investigações, sobre o ocorrido no Compaj, houve indícios da participação de um ex-diretor do presídio, um sargento da reserva da Polícia Militar, em possíveis atos ilícitos. Mas as investigações ainda estão em curso e nada restou comprovado até o momento. Ressalta-se que um outro inquérito será aberto para cuidar especificamente do assunto.

 

A SSP ressalta que, havendo provas do envolvimento de qualquer agente da segurança pública em atos ilícitos, os acusados irão responder, também, administrativa e disciplinarmente junto a Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas".

 

UOL Notícias

Comentários

nossa que REVELAÇÃO BOMBÁSTICA, NUNCA imaginamos isso ... - 10/11/2017
kkkkkk é necessário um procedimento investigativo para chegar nessa conclusão??? kkkkkkk
Bronca do Leitor - 10/11/2017
Impressionante. Foi preciso um massacre de proporções internacionais. Foi preciso um inquérito muiiiiiiiiiiiiiiiiiiito severo, para revelar o que todo mundo sabia. E agora? Se alguem falasse isso antes, todos iam se doer assim como se doeram com o ministro da justiça que teve coragem de falar a verdade. Vergonha. MAS E AÍ, VÃO FAZER O QUE COM OS CULPADOS???
pedro da silva - 10/11/2017
interessante é que existem um monte de cameras de monitoramento espalhadas pela muralha. E mais interessante ainda é que quem corta a grama e faz a limpeza externa não são os presos e sim uma equipe da humanizare. É só verificar nas cameras da muralha
a verdade aparece - 10/11/2017
O engraçado é que os agentes PMs que não conseguiram deter esse massacre ainda são os mesmos trabalhando no presídio, tudo pago com nosso dinheiro.... PMs comissionados que tem direito a usar carros AMAROK/ S10, com combustível a vontade e que não dão conta do serviço, coloca esse povo pra andar de moto (o custo cairia quase 100%. AMAZONINO e Bosco Saraiva tem que mais é que diminuir o tanto de carros alugados e de comissionados que estão na SEAP que não resolvem nada, estão só mamando as custas do dinheiro do povo. Esse dinheiro de aluguéis de carros caros e PMs comissionados poderia ser destinado a saúde.
Beraba - 10/11/2017
Trafico de drogas nunca terá fim!só quem se acaba é quem se envolve nesse "mundo" muitos já morreram outros irão morrer, e o trafico continuará com os quem vão surgindo. Corrupção e trafico um casamento perfeito, e nunca serão separados. Afinal no mundo tudo funciona com dinheiro, pague bem o homem! e ele entrará até no inferno. Esse negocio de facção A! B! C! só existem por causa de policias corruptos que recebem propinas em trocas armas,vão nas bocas de fumos, usando carros da policia pra pegar o arrego do trafico etc.. A facção que paga mais! é a que mais se diz, dona do pedaço. FDN pagou mais! matou mais.. Se essas investigação for mais adiante, a cidade vai ficar sem policias.
Visitante do fechado - 10/11/2017
Novidade... até hoje os corres entram no pavilhão por determinados agentes em determinados plantões. Entrega-se aqui fora, junto com o dinheiro do corre. Só que agora tá mais difícil e mais caro também.
Miranda Miranda Miranda - 12/11/2017
Nossa passou-se praticamente um ano pra essa secretaria de " inteligência " descobrir o que toda população ja sabia .
Fábio Dias - 12/11/2017
Kkk... Nossa ! Sério isso ? Oh pensei que era os pombinhos que levavam pra dentro da penitenciária ???????????????
Kaik Oliveira - 12/11/2017
Seria bom que todo final de mês tiveser uma rebelião e morrece 60 bandidos
Graca Colares - 12/11/2017
Pô seria muito bom! Aí sim! O xadrez ia ficar vazio. Rsrsrs
Emyli Costa - 12/11/2017
Ainda bem que foi usado entre eles kkkk
Graca Colares - 12/11/2017
Era pra ter morrido uns 200.
Delcy Silva - 12/11/2017
Minha amada você tem família, nunca sabemos o dia de amanhã, um dia critiquei também é hoje minha família sofre as minhas consequências ????????então desege o mal à ninguém.....
Kaik Oliveira - 12/11/2017
Isso é mentira a verdade foi o papai Noel levou pra ele no natal
Daniel Guedes - 12/11/2017
Mas se for preciso a PM vai botar mais armas...se fizerem outra limpa dessa...tem muitos né...
Antonio Aguiar - 12/11/2017
Conta otra que niguem saiba
Daniel Guedes - 12/11/2017
Todos sabem que quem votou as armas para dentro foi o pessoal do semi aberto...que explodiram e fizeram.um buraco no muro
Lucius Sousa - 12/11/2017
Fica por isso mesmo...
Jeilson Palestrino - 12/11/2017
So morreram esses? Muito pouco ????
Simone De Paula Barroso - 12/11/2017
Novidades.!!!Conta uma Coisa inédita.
Willas Cordeiro De Almeida Devereaux - 12/11/2017
Novidades?
Marcia Moreno Santos - 12/11/2017
Qual a novidade? Resolução do problema nunca
Aglei Oliveira - 12/11/2017
Final de ano já ta bem aí será que vai tê más????????????????????????????

Deixe seu comentário

Nome:

Mensagem:

publicidade

Copyright © 2013 - 2016. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.