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Mulher

08/03/2019

No 8 de Março, mulheres celebram mais de 200 anos de feminismo

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Foto: Reprodução

Movimento começou lutando por melhores condições de trabalho, direito ao voto e igualdade. Agora, ele tenta dar voz à mulheres de todas as classes

Muito discutido e presente hoje em dia, seja em rodas de amigos ou em uma discussão pela internet, o feminismo marca o Dia Internacional da Mulher e pauta as lutas femininas por igualdade, oportunidades e liberdade.


Mas engana-se quem acha que o conceito é novo ou foi criado junto com a internet. O discurso e as ideias de emancipação femininas existem desde o final do século 18, eles só foram ampliados e reverberaram pela internet, onde ganhou maior aceitação (e críticas).


O conceito de sororidade só foi incluído no dicionário da Real Academia Espanhola na última atualização da versão digital, em dezembro de 2018. Classificado como “amizade ou afeto entre mulheres; relação de solidariedade entre as mulheres, especialmente na luta por seu empoderamento”, a inclusão da palavra mostra o poder e a força dos movimentos feministas na atualidade e na renovação dos verbetes usados.


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A luta ganhou maior destaque na era digital, em que a hashtag #MeToo revolucionou Hollywood ao mostrar casos de assédio sofrido por atrizes e funcionárias ligadas ao produtor de cinema Harvey Weinstein, nas marchas das mulheres pelo mundo, e na discussão sobre feminismo na televisão ou na internet.


O Dia Internacional da Mulher começou com a sororidade, quando foi reconhecido em 1975 pela ONU. Antes, o 8 de março era conhecido como Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, e marcava a luta das mulheres por direitos e igualdade no mercado de trabalho. A ONU também destaca que “mulheres de todos os continentes, separadas por fronteiras internacionais, diferenças étnicas, linguística, culturais, econômicas e políticas se unem para reivindicar seus direitos a cada 8 de março".


A data existe desde 1857, quando um grupo de empregadas de uma indústria têxtil protestou nas ruas de Nova York, nos Estados Unidos, pelas precárias condições de trabalho, e marcaram a história como sendo umas das primeiras manifestações femininas.


A primeira fase do movimento

 


Espanholas se vestem como sufragistas do

século 19 (Foto: EFE / Javier Echezarreta)


No começo, as mulheres reivindicavam por melhores condições de trabalho, direito a educação, voto e matrimônio. A primeira carta pedindo atenção às mazelas femininas foi a “Reivindicação dos Direitos das Mulheres”, escrita por Mary Wollstonecraft, em 1792, uma das pioneiras no movimento feminista.


Meio século depois, em 1848, a Convenção sobre os Direitos da Mulher, em Seneca Falls, nos Estados Unidos, foi o pontapé inicial do movimento sufragista norte-americano. A sufragistas pediam o direito ao voto, dever democrático de todos os cidadãos, mas precisaram esperar até 1920 para conquistar o direito nas mesmas condições que os homens.

 

Dois anos depois, a escrava liberta Sojourner Truth foi a única mulher negra a participar da Primeira Convenção Nacional sobre os Direitos da Mulher e abriu caminho para mulheres afro-americanas participarem do movimento sufragista.


No Reino Unido, as sufragistas só conseguiram o direito ao voto em 1918, quase um século depois de apresentarem a primeira petição de direito ao voto no Parlamento Britânico, em 1832. O movimento tomou corpo em 1866, com uma nova petição assinada por 1500 mulheres, que originaram a Sociedade Nacional para o Sufrágio da Mulher.


O primeiro país a permitir que mulheres votassem foi a Nova Zelândia, em 1893.


O discurso de Beauvoir


“Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Uma das frases mais conhecidas do feminismo foi escrito pela filósofa francesa Simone de Beauvoir, no livro O Segundo Sexo, lançado em 1949, foi um marco na segunda onda do feminismo.


O foco estava na desigualdade real (além do que já era estabelecido em leis), na sexualidade, na família e nos direitos reprodutivos. Nessa fase, a liberdade e o feminismo radical nascem com o Movimento para a Libertação da Mulher, nos Estados Unidos, que defende que a raiz de toda desigualdade é o patriarcado, sistema de opressão dos homens sobre as mulheres.


Em 1979, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres é adotada e 189 países se comprometem a eliminar a discriminação contra mulheres na esfera pública e privada.


Feminismo é para todas

 


Angela Davis defende feminismo antirracista (Foto: EFE/Quique García)


Na atual fase do feminismo, o principal desafio é não esquecer e deslegitimar o sofrimento de nenhuma mulher. Angela Davis aponta a necessidade do feminismo ser antirracista e se preocupar em alcançar a igualdade em todas as esferas da sociedade e atingir a todas as mulheres, incluindo as que vivem em camadas mais baixas e que frequentemente são ignoradas e esquecidas.

 

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O movimento alcançou um poder maior graças à internet, redes sociais e manifestações nas ruas. Pelas redes, o movimento #MeToo ganhou força, quando centenas de mulheres denunciaram o produtor magnata Harvey Weinstein de assédio sexual. Posteriormente, a tag também foi usada por outras mulheres ao dizerem que também foram vítimas de abuso e assédio sexual, quebrando o silêncio recorrente ao qual as vítimas são submetidas.


Segundo dados da ONU Mulheres, uma a cada três mulheres sofre algum tipo de violência todos os dias, 830 mulheres morrem diariamente por causas evitáveis relacionadas à gravidez, existe apensas uma mulher a cada quatro parlamentares no mundo e a diferença salarial em empresas, em que homens recebem mais que mulheres que ocupam o mesmo cargo e fazem as mesmas funções, só será fechada em 2086.

 

R7

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