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''Cachoeira de sangue'' na Antártida revela sistema oculto de água salgada e dinâmica escondida sob o gelo
Foto: Reprodução

Estudo associa fluxo ferruginoso a mudanças de pressão sob geleira, indicando dinâmica oculta e circulação líquida profunda no continente gelado

Um dos fenômenos mais curiosos da Antártida voltou a chamar atenção da ciência: a chamada “Cachoeira de Sangue”, um fluxo de líquido avermelhado que surge no gelo e revela processos complexos que acontecem escondidos sob a superfície do continente mais frio do planeta.

 

O fenômeno ocorre na geleira Taylor, nos Vales Secos de McMurdo, e não tem relação com sangue de fato. O tom vermelho intenso aparece quando uma água extremamente salgada e rica em ferro entra em contato com o oxigênio do ar, provocando uma reação de oxidação semelhante à ferrugem.

 

Pesquisas recentes mostram que esse fluxo não é apenas um vazamento superficial, mas sim parte de um sistema subterrâneo antigo, onde água líquida permanece aprisionada sob o gelo há milhares ou até milhões de anos. Essa salmoura consegue se manter em estado líquido mesmo em temperaturas extremamente baixas graças à alta concentração de sal.

 

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Cientistas explicam que a pressão do próprio gelo ajuda a empurrar essa água para cima em determinados momentos, criando “pulsos” de liberação que fazem o líquido vermelho emergir na superfície. Esse mecanismo funciona como uma espécie de sistema hidráulico natural, regulado pelo peso da geleira e pela dinâmica interna do gelo.

 

Imagens em time-lapse das Cataratas de Sangue na Antártida.

Foto: Reprodução

 

Além do impacto visual, o fenômeno também ajuda a entender melhor o que existe abaixo da camada de gelo da Antártida. Estudos indicam a presença de canais, reservatórios subterrâneos e até possíveis ecossistemas isolados com microrganismos que sobrevivem sem oxigênio, utilizando reações químicas para obter energia.

 

Essas descobertas reforçam que a Antártida não é apenas um deserto congelado, mas um ambiente ativo e dinâmico, com estruturas escondidas que podem influenciar o comportamento das geleiras e até fornecer pistas sobre a história climática da Terra.

 

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Com novas tecnologias de monitoramento, os pesquisadores esperam entender melhor como esses fluxos se formam e se o aquecimento global pode alterar esse delicado sistema escondido sob o gelo. 

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