NOTÍCIAS
Saúde
''Canetas emagrecedoras'' e câncer: estudos investigam possível impacto na progressão da doença
Foto: Divulgação

Pesquisas apontam possível associação entre agonistas de GLP-1 e menor risco de metástase em alguns tumores, mas especialistas reforçam que evidências ainda não são conclusivas.

Medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, como a semaglutida e a tirzepatida, pertencentes à classe dos agonistas do GLP-1, estão sendo estudados não apenas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, mas também por possíveis efeitos sobre a evolução de alguns tipos de câncer.

 

Pesquisas recentes indicam que esses medicamentos podem estar associados à redução do risco de progressão tumoral, especialmente em cânceres ligados à obesidade, como mama, intestino, pulmão e fígado. A hipótese ganha força porque a obesidade é reconhecida como fator de risco importante para o desenvolvimento de diversos tumores.

 

Esses fármacos atuam no controle da glicose, na redução do apetite e na perda de peso, além de influenciarem processos metabólicos e inflamatórios do organismo. Segundo especialistas, a melhora do ambiente metabólico pode ter impacto indireto na evolução de doenças oncológicas.

 

Veja também 

 

Fisioterapia ajuda a reduzir dores de cabeça e melhora qualidade de vida, dizem especialistas

 

Novo medicamento contra calvície é apontado como maior avanço no tratamento da queda de cabelo em décadas

 

O tema ganhou destaque em estudos observacionais com grandes bases de dados. Uma pesquisa publicada em 2024 no JAMA Network Open, com mais de 1,6 milhão de pessoas com diabetes tipo 2, identificou menor incidência de alguns cânceres relacionados à obesidade entre usuários de agonistas de GLP-1.

 

Outro estudo apresentado em congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica analisou mais de 12 mil pacientes com tumores associados à obesidade em estágio inicial ou localmente avançado. Os resultados sugeriram menor taxa de progressão para metástase em parte dos pacientes que utilizavam essas medicações, com diferenças mais expressivas em cânceres de pulmão, mama, colorretal e fígado.

 

Apesar disso, especialistas alertam que ainda não é possível afirmar relação de causa e efeito. Não está claro se o possível benefício vem diretamente da ação dos medicamentos sobre o tumor ou se é consequência indireta da perda de peso, redução da inflamação e melhora geral do metabolismo.

 

Outro ponto importante é que os resultados não foram uniformes entre todos os tipos de câncer. Em tumores como próstata e rim, não houve diferença significativa, o que sugere que cada tipo de câncer pode responder de forma distinta às alterações metabólicas.

 

Médicos reforçam ainda que a maioria dos estudos disponíveis é observacional e retrospectiva, o que limita a capacidade de estabelecer conclusões definitivas. Ensaios clínicos prospectivos ainda são necessários para confirmar qualquer efeito protetor ou terapêutico dessas medicações no câncer.

 

Especialistas também alertam que o uso dessas “canetas” não deve ser feito com objetivo de prevenir ou tratar câncer. Atualmente, sua indicação formal permanece restrita ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, sempre com acompanhamento médico.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram  

 

Por fim, pesquisadores destacam que, em pacientes oncológicos, mais importante do que apenas perder peso é preservar a massa muscular. A composição corporal pode influenciar diretamente a resposta ao tratamento, a qualidade de vida e o prognóstico da doença. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.