Por trás da tecnologia moderna, investigação revela exploração humana extrema na extração de cobalto na África.
Uma dura investigação do jornalista Siddarth Kara expõe o lado mais cruel da extração de cobalto na República Democrática do Congo, responsável por cerca de 75% da produção mundial do mineral essencial para tecnologias como celulares, baterias e veículos elétricos.
No livro Cobalto de Sangue, o autor relata experiências vividas em regiões de mineração artesanal, onde trabalhadores enfrentam condições desumanas, baixos salários e riscos constantes de morte. Em muitos casos, mulheres e crianças atuam nas minas sem qualquer equipamento de segurança, recebendo valores que mal garantem a sobrevivência.
O Congo, apesar de extremamente rico em recursos naturais, permanece entre os países com menor desenvolvimento humano reflexo de um histórico de exploração externa, conflitos armados e fragilidade institucional. Segundo Kara, essa realidade se repete desde o período colonial até os dias atuais, agora impulsionada pela demanda global por minerais estratégicos.
Veja também

Donald Trump relata prisão de suspeito após pânico com tiros em evento nos EUA
Irã apresenta exigências para fim da guerra no Oriente Médio
Grandes empresas internacionais dominam a cadeia de produção do cobalto, como a Glencore e as chinesas CMOC e Jinchuan Group. Uma auditoria recente apontou que bilhões em lucros deixaram de ser declarados, reduzindo os benefícios que deveriam ser revertidos à população local.
A investigação também revela a forte presença de trabalho infantil. Crianças e adolescentes são maioria em áreas de mineração artesanal, muitas vezes forçadas a trabalhar para ajudar no sustento da família. Sem acesso à educação e expostas a substâncias tóxicas, elas enfrentam uma realidade marcada pela pobreza extrema.
Além disso, milícias e forças armadas atuam em algumas regiões, controlando áreas de extração ilegal e impondo violência contra civis. Relatos incluem abusos físicos e intimidação constante.
Mesmo diante dos riscos, muitos trabalhadores continuam nas minas por falta de alternativas. Como resume um morador local: “quem não cava, não come”.
A pesquisa evidencia uma contradição crescente: enquanto o mundo investe em tecnologias sustentáveis e na chamada transição energética, a base dessa cadeia produtiva ainda depende de práticas exploratórias e desiguais.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Para o autor, é necessário ampliar a visibilidade sobre essa realidade e pressionar por mudanças que garantam condições dignas de trabalho e maior responsabilidade das empresas envolvidas.