Canal de sustentação ao presidente foi alvo de decisão do Tribunal Superior Eleitoral, mas levantamento mostra que grupo favorável ao senador compartilha conteúdos falso com mais frequência
Os canais de WhatsApp “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio”, ligados a apoiadores dos presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ampliaram a disputa política nas redes sociais durante a campanha para o segundo turno das eleições de 2026. As iniciativas reúnem milhões de seguidores e divulgam mensagens, vídeos e orientações para mobilizar eleitores e ampliar o alcance dos candidatos.
Uma análise de publicações identificou o uso frequente de expressões militares e de confronto nos dois canais. No grupo favorável a Lula, criado pelo deputado André Janones, aparecem termos como “soldados”, “território inimigo” e “contra-atacar”. As mensagens também incentivam seguidores a ocupar espaços de comentários e compartilhar conteúdos em diferentes plataformas.
Já a “Tropa do Flávio” reúne publicações de aliados do senador, entre eles os deputados Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer. O canal também divulga orientações para a atuação digital dos apoiadores e compartilha vídeos, áudios e imagens com críticas ao presidente e à campanha petista.
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Levantamentos de checagem identificaram conteúdos enganosos nos dois ambientes, embora em proporções e circunstâncias diferentes. No canal ligado a Flávio, foram apontadas publicações com falas de Lula retiradas de contexto e imagens apresentadas de maneira falsa, incluindo um vídeo de uma jovem associado indevidamente a uma manifestação pró-governo. Parte desses materiais também circulou em outras redes sociais.
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O “Exército do Lula”, por sua vez, foi alvo de uma disputa judicial após a campanha de Flávio pedir a suspensão do canal por suposta divulgação de notícias falsas. Uma análise técnica do Tribunal Superior Eleitoral não encontrou, no período examinado, as publicações falsas mencionadas na denúncia, mas apontou o uso recorrente de linguagem polarizadora e riscos relacionados ao alcance e à disseminação coordenada das mensagens.
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Fotos: Reprodução
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A disputa em torno dos canais chegou à Justiça Eleitoral, com decisões sobre suspensão, registro e reativação do grupo ligado a Lula. O episódio evidencia como as redes de apoiadores se tornaram parte importante da campanha de 2026, ao mesmo tempo que levantam preocupações sobre desinformação, polarização e o uso de estratégias de mobilização que tratam adversários políticos como inimigos.