A trama de Ivani Ribeiro, com forte base na doutrina de Allan Kardec, teve uma produção ambiciosa que recriou paisagens espirituais
Exibida originalmente em 1994, a novela "A viagem" marcou uma geração ao combinar espiritismo, drama e uma estética sombria que causava fascínio e temor.
A trama de Ivani Ribeiro, com forte base na doutrina de Allan Kardec, teve uma produção ambiciosa que recriou, com inventividade e simbolismo, paisagens espirituais como o Céu e o temido Vale dos suicidas.
Apesar de sua aura mística, os cenários de "A viagem" existem de verdade. Muitos deles em locais reais do estado do Rio de Janeiro, combinados a um trabalho cenográfico meticuloso. A seguir, revelamos onde essas locações foram gravadas e quais inspirações moldaram os cenários mais emblemáticos da novela.
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O VALE DOS SUICIDAS
Um dos cenários mais impactantes da novela é o Vale dos suicidas, para onde vai o personagem Alexandre (Guilherme Fontes) após sua morte. Representado como um limbo sombrio e perturbador, o ambiente era gravado numa pedreira desativada em Niterói, município vizinho ao Rio de Janeiro.
A atmosfera opressora do lugar não veio por acaso. A equipe de arte se inspirou na pintura apocalíptica de Hieronymus Bosch, no “Inferno” descrito por Dante Alighieri em "A divina comédia" e, em uma alusão mais contemporânea, no centro de São Paulo no início da Cracolândia, marcada pela degradação e sofrimento humano.
As gravações no local eram desafiadoras, e, segundo relato bem-humorado do ator Guilherme Fonte, lá era bem quente mesmo.
— O inferno da ficção era mesmo um inferno. Muito quente, um calor desgraçado (risos). Era muito bem-feito, um pântano imundo, com fogo em volta, em uma pedreira em Niterói, com todos os efeitos disponíveis na época — disse ele.
O CÉU
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Fugindo dos clichês de nuvens, luzes brancas e harpas, a produção optou por filmar as cenas no céu, uma colônia espiritual de descanso e aprendizado, em um campo de golfe em Nogueira, distrito serrano de Petrópolis (RJ). A escolha pela natureza exuberante e bem cuidada do local trouxe frescor e serenidade, contrastando com a aridez do Vale dos suicidas.
O visual, bucólico e harmonioso, reforçava a ideia de equilíbrio espiritual e regeneração. A distância do Rio de Janeiro, no entanto, tornou o “céu” menos popular entre os atores, que preferiam os deslocamentos curtos até Niterói, segundo o Memória Globo. Por lá, eles enfrentavam também outro problema:
— O céu era bem mais fresquinho, gravávamos em Petrópolis, temperatura amena. Mas sabe que não era tão fácil? O gramado era espinhoso, e a gente só podia andar descalço. Não tem sapato no paraíso — relembra o intérprete de Alexandre com bom humor.
A VILA DA URCA
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Embora na trama a família de Estela (Lucinha Lins) morasse em uma vila charmosa na Urca, bairro nobre da Zona Sul carioca, as gravações foram feitas em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Antes da inauguração do Projac (atual Estúdios Globo), foi construída ali uma cidade cenográfica, que já havia servido de cenário para novelas como "Lua cheia de amor" (1990) e "Felicidade" (1991).
APARTAMENTO DA DINÁ
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A novela também se destacou por locações reais facilmente reconhecíveis pelo público da época. O apartamento da protagonista Diná (Christiane Torloni), por exemplo, era ambientado no famoso Condomínio Barramares, na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca. Erguido na década de 80, ele é um dos pioneiros do bairro e se destacou como um dos mais emblemáticos da região, que na época começava sua urbanização.
FAZENDA DA GUIOMAR
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Fotos: Reprodução
Já a Fazenda Maktub, onde vivia Dona Guiomar (Laura Cardoso), foi gravada na Fazenda Vista Alegre, em Valença, no Vale do Café.
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OUTROS CENÁRIOS
Para dar vida à trama, a direção de arte e a equipe de cenografia construíram 50 cenários e mais de 200 ambientes nos Estúdios Herbert Richers, na Tijuca.
Fonte: Extra