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'Aprendi na Ucrânia tudo que sei de guerrilha': brasileiro foi à guerra sem experiência militar, e diz que quem tentava fugir era torturado
Foto: Reproduçao

Sem experiência militar, ex-combatentes afirmam que receberam menos do que o prometido, sofreram fome, tortura e ameaças ao tentar deixar o conflito.

A guerra entre Ucrânia e Rússia, que se aproxima do quarto ano, continua atraindo combatentes estrangeiros com promessas de altos salários e facilidades para o alistamento. Uma reportagem do Fantástico revelou o caso de quatro brasileiros da Bahia que afirmam ter sido enganados ao aceitar lutar no conflito. Entre eles está Marcos Souto, produtor musical e empresário, que decidiu ir à Ucrânia motivado principalmente pela expectativa de retorno financeiro.

 

Marcos integra o grupo conhecido como mercenários de guerra estrangeiros que se envolvem em conflitos armados em troca de pagamento. Segundo ele, a proposta inicial indicava um salário de “50 mil por mês”, valor que o levou a acreditar que o pagamento seria em reais. No entanto, ao chegar ao país, descobriu que a quantia era em grívnias, a moeda local, o equivalente a cerca de R$ 5.800.

 

“Falaram que o salário era 50 mil. A gente entende isso como em reais. É o que vem na cabeça”, relatou.

 

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Diferentemente de muitos combatentes estrangeiros que passam por treinamentos em forças militares como a Legião Estrangeira da França, Marcos afirma que nunca havia servido ao Exército brasileiro e não possuía qualquer experiência militar antes de chegar à Ucrânia.

 

“Nunca servi o Exército. Não tinha nenhuma experiência. Tudo o que eu sei hoje sobre guerrilha, eu aprendi na Ucrânia”, afirmou.

 

No front, além da precariedade financeira e da falta de preparo, ele diz ter enfrentado um ambiente de extrema violência e repressão por parte dospróprios comandantes. Segundo seu relato, combatentes que tentavam abandonar o conflito eram punidos severamente.

 

“Quem tenta fugir, se for pego, é preso e torturado”, contou, atribuindo as agressões a integrantes do próprio exército ucraniano.

 

Outro brasileiro ouvido pela reportagem afirmou que, durante uma tentativa de fuga, chegou a trocar tiros com soldados ucranianos. Após conseguir retornar ao Brasil, ele relatou ter perdido cerca de 28 quilos, além de ter passado dias sem alimentação adequada enquanto esteve no conflito.

 

Os depoimentos apontam um cenário de desorganização, promessas pouco claras, dificuldades extremas e arrependimento. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, desde o início da guerra, ao menos 19 brasileiros morreram na Ucrânia, enquanto outros 44 permanecem desaparecidos.

 

Em nota, a embaixada da Ucrânia no Brasil afirmou que não recruta cidadãos brasileiros. De acordo com a representação diplomática, estrangeiros que se alistam o fazem de forma voluntária e passam a ter os mesmos direitos e deveres de um cidadão ucraniano em serviço militar.

 

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Apesar disso, os relatos de ex-combatentes levantam alertas sobre o risco de aliciamento, a falta de informações claras e as graves consequências enfrentadas por brasileiros que decidem participar de um conflito armado a milhares de quilômetros de casa. 

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