Presidente dos EUA (E), Donald Trump, conversa com o bilionário Elon Musk na Casa Branca
A escalada de agressões entre o presidente Donald Trump e seu ex-melhor amigo, o bilionário Elon Musk, que levaram as ações da Tesla a cair mais de 14% nesta quinta-feira, pode ampliar a volatilidade no mercado num primeiro momento, mas ao fim e ao cabo deve ter um efeito nulo. A avaliação é de Enrico Cozzolino, head de análises da Levante Ideia e Investimento, que classifica os dois como os mais "idiotas" do mundo e mostra a inconsistência das ameaças.
- A forma como essa cisão se deu parece coisa de adolescente, em discussão na rede social, Não é postura, um presidente americano ameaçar cortes em contratos governamentais com a Nasa. Trump e Musk, o mais poderoso e o mais rico do mundo, parecem os dois mais idiotas. Não há linguagem nem técnica e nem possível judicialmente que se possa viabilizar, por exemplo, a Nasa encerrando um projeto espacial do tamanho que mantém com a Space X. Do lado de Musk, classificar o proposta da lei tributária de Trump de abominação, repugnante... Essa discussão entre Trump e Musk mostra que o mundo está na mão de idiotas. Essa briga pode ter um impacto de volatilidade curto prazo, para cima e para baixo no mercado, não sei nem precisar. Mas o impacto final é nulo, se for uma reação positiva de primeiro, ela se anula depois, se for negativa, eu acho que o mesmo será dado em seguida - diz Cozzolino.
Marcos Praça, Diretor de Análise na Zero Markets Brasil, ressalta que as ações de tecnologia, que representam uma fatia importante da Nasdaq, têm uma resposta mais rápida nessa briga. Quando uma ou outra empresa pesa o índice para baixo, explica, acaba puxando as demais por conta do risco sistêmico. Praça pondera que a insatisfação das empresas de tecnologia com o tarifaço já vinha sendo demonstrada antes dessa cisão entre Trump e Musk.
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- A ameaça de Jeff Bezos de expor o impacto das tarifas nos preços da Amazon, seguido da retaliação do presidente de cortar benefícios caso isso ocorra. Ou mesmo o conflito da Apple, que decidiu migrar parte da fabricação de seus produtos da China para a Índia, ao invés dos Estados Unidos, deixando Donald Trump indignado. No fim, essas grandes figuras já estão se mobilizando para esfriar a atual tensão entre Musk e Trump. Afinal, todos só têm a perder nesse cenário.
Para Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, as contradições internas da política protecionista de Donald Trump e os interesses de seus maiores apoiadores estão de fato cada vez mais evidentes. O presidente americano, no entanto, continua mantendo a liderança política do Partido Republicano, avalia. A prova de fogo para o seu cacife político será a aprovação no Senado do projeto de lei tributária, o "big beautiful bill", duramente criticado por Elon Musk.
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- A indústria já vem pressionando desde o início da guerra comercial e obtendo recuos de Trump. Não por acaso, em sua postagem sobre a conversa com o presidente chinês, Trump destacou o acordo sobre terras raras, fundamental para o setor de tecnologia e também para a produção de itens industrializados de alto valor agregado. Agora será preciso observar como vai ser o desdobramento desse embate no campo político. A provação do "big beautiful bill" será uma demonstração da força pelo presidente. O governo quer passar a proposta até 4 de julho - ressalta Sichel.
Fonte: O Globo