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'Floading' de tarifas é eficaz? Ou Trump pode virar 'tigre de papel'? O que dizem os analistas
Foto: Reprodução

Ameaças reiteradas levarão sim, a algum grau de aumento de taxação. Presidente busca pequenas concessões para cantar vitória a seu eleitorado, afirma especialista

Primeiro foi a Colômbia, ameaçada de ser taxada após o governo se recusar a receber voos de deportação de imigrantes. Depois, México e Canadá, por supostamente não vigiarem suas fronteiras com os EUA. Na sequência, a China, a única cujas taxas efetivamente já entraram em vigor. No meio do caminho, ameaças a União Europeia e a ordem para taxar todas as importações americanas de aço — o que afeta fortemente o Brasil — a partir de março.

 

Em menos de um mês de governo, o presidente dos EUA Donald Trump já anunciou várias tarifas, que afetam de países aliados a parceiros com os quais a relação nem sempre foi tão amistosa, como a China. A estratégia já ganhou uma definição de especialistas: floading, termo em inglês que pode ser traduzido como inundação.

 

Ao mesmo tempo, o recuo em várias dessas medidas — como no caso da Colômbia e, também, nas tarifas para México e Canadá, que foram adiadas na véspera de entrarem em vigor — também já fez o mandatário americano ganhar um apelido: “tigre de papel”.

 

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Evandro Carvalho, professor da FGV Direito Rio, avalia que o uso repetido da ameaça de taxação por Trump como instrumento de pressão pode acabar trazendo reveses:

 

— Essa estratégia está alterando a resposta dos outros países. E, com o tempo, a credibilidade de Trump vai ser corroída. Ele vai acabar se mostrando, cada vez mais, um “tigre de papel”. As pessoas vão entender que é assim que ele quer conversar. E é uma forma bizarra, nada diplomática e pouco inteligente.

 

Após anunciar tarifas a importações de México e Canadá, o governo americano fechou acordo com os dois países vizinhos, suspendendo a taxação, embora tenha dito que isso se daria temporariamente. Agora, anunciou tributação de 25% sobre todo aço importado, medida que, no entanto, só vigora a partir de meados de março.

 

— Já ficou claro que os países não devem passar recibo (para Trump), cair na provocação. A presidente do México respondeu à altura. Os países estão estudando a postura dele e a reação dos governantes já atingidos para avaliar o que fazer quando chegar a sua vez — comentou. — Trump prefere negociações bilaterais.

 

IDEOLOGIA DA REINDUSTRIALIZAÇÃO DOS EUA


Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior brasileiro e sócio da consultoria BMJ, lembra que já experimentamos essa estratégia de Trump em seu primeiro governo. Para ele, a ameaça de taxação tem três efeitos principais:

 

— É uma forma de, como fez com a Colômbia, ameaçar o acesso ao mercado americano com justificativas diferentes da esfera comercial; de sinalizar um benefício comercial, como fez com a China ao anunciar tarifa de 10%, enquanto a promessa de campanha era de 60%, e usar pequenas concessões comerciais para cantar vitória a seu eleitorado — diz o especialista.


Desta vez, continua ele, haverá sempre algum nível tarifário pela ideologia de Trump em fazer a reindustrialização dos EUA. E isso pode custar caro para o país, sobretudo na taxação de commodities necessárias ao setor produtivo como o aço, impactando negativamente o consumidor americano, destaca.

 

O anúncio simultâneo de numerosas medidas também impacta as reações dentro e fora do país.

 

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— Com essa estratégia de floading, de fazer uma inundação de decisões ao mesmo tempo, ainda não se tem reação da oposição. Mas medidas judiciais freando decretos do Executivo, principalmente por questões de constitucionalidade, estão aumentando muito — diz Barral.

 

Fonte: O Globo
 

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