Família afirma que a pouca idade da paciente fez com que sintomas graves fossem tratados sem urgência, atrasando o diagnóstico da doença
Os pais da adolescente Isla Sneddon, que morreu aos 17 anos vítima de câncer de mama na Escócia, afirmam que a filha poderia estar viva se tivesse recebido o mesmo nível de urgência destinado a pacientes adultos. Segundo a família, a idade da jovem levou médicos a subestimarem os sintomas iniciais, o que atrasou o diagnóstico da doença.
Isla, moradora de Airdrie, cidade localizada a cerca de 19 quilômetros de Glasgow, morreu em março de 2025, apenas seis meses após a confirmação do câncer. De acordo com seus pais, Mark e Michelle Sneddon, o encaminhamento para biópsia foi classificado como rotineiro, mesmo após sinais preocupantes, o que fez com que a doença fosse descoberta em estágio avançado.
A jovem procurou um clínico geral pela primeira vez em julho de 2022 ao notar um caroço no seio. Na ocasião, foi informada de que o nódulo provavelmente era benigno e resultado de alterações hormonais, sendo descrito como um fibroadenoma que desapareceria com o tempo.
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Dois anos depois, Isla voltou a passar mal e foi encaminhada ao hospital. Desta vez, os médicos levantaram a suspeita de câncer e solicitaram uma biópsia urgente. No entanto, segundo os pais, a prioridade do exame foi reduzida por conta da idade da paciente.
Após cerca de dez semanas de espera, em setembro de 2024, os exames confirmaram um câncer já agressivo, com um sarcoma no revestimento do coração e metástase nos pulmões e nos gânglios linfáticos. O prognóstico foi devastador.
“O oncologista nos disse que nossa filha tinha entre seis meses e um ano de vida”, relembra o pai. Mesmo diante da notícia, Isla decidiu seguir vivendo da melhor forma possível enquanto enfrentava o tratamento.
A adolescente passou por sessões de quimioterapia e chegou a receber alta hospitalar. A família aproveitou os meses seguintes para passar o máximo de tempo junta, até que o quadro de saúde da jovem piorou drasticamente. Em março de 2025, ela foi internada novamente em estado crítico e morreu no hospital, nos braços dos pais.
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Foto: Reprodução
Convencidos de que a demora no diagnóstico foi determinante, Mark e Michelle Sneddon agora lideram uma campanha por mudanças na legislação. Eles defendem a criação da chamada “Lei Isla”, que garantiria que crianças e adolescentes com suspeita de câncer sejam avaliados com o mesmo grau de urgência aplicado aos adultos.
A família também pede uma revisão pública dos atrasos em diagnósticos pediátricos na Escócia, com o objetivo de identificar falhas sistêmicas e evitar novos casos semelhantes.
Michelle afirma que muitos dos sintomas da filha foram atribuídos à ansiedade, algo que, posteriormente, foi descartado pelo próprio hospital. Para ela, sinais como caroços, infecções recorrentes e mudanças físicas deveriam levar a uma investigação mais aprofundada, mesmo em pacientes jovens.
O governo escocês informou que publicou novas diretrizes para o encaminhamento de suspeitas de câncer em agosto do ano passado, incluindo orientações específicas para crianças e jovens. O secretário de Saúde, Neil Gray, declarou solidariedade à família e afirmou aguardar uma reunião para discutir a petição apresentada.
Já o NHS Lanarkshire, responsável pelo atendimento de Isla, afirmou que o tratamento seguiu os protocolos clínicos vigentes, mas reconheceu o impacto devastador da perda para a família.
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Apesar de reconhecer que o caso da filha era raro, Mark Sneddon reforça que a luta agora é para evitar que outros pais passem pela mesma dor. “Não quero que nenhuma outra família viva o que nós vivemos”, afirmou.