Por Nilson Fragata - O presidente da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (APEAM), Gerson Feitosa, subiu o tom contra o governador Roberto Cidade e afirmou que o chefe do Executivo estadual "faltou com a verdade ou foi enganado por sua equipe" ao anunciar como conquista imediata o pagamento do auxílio-fardamento para os policiais militares do Amazonas.
Segundo Gerson Feitosa, o benefício jamais foi rejeitado pela categoria. Pelo contrário: em assembleia geral realizada pela Federação dos Oficiais e Praças Militares Estaduais do Amazonas (FOPMEAM), os representantes decidiram apenas substituir a prioridade do pagamento imediato do auxílio-fardamento pela ampliação do Quadro de Distribuição de Efetivo (QDE), medida considerada essencial para destravar entre 2.500 e 3 mil promoções represadas.
Conforme o documento encaminhado ao secretário de Segurança Pública, coronel PM Anézio Brito de Paiva, e assinado pelas entidades representativas, a categoria solicitou que o auxílio-fardamento seja transformado em lei, garantindo segurança jurídica e vigência financeira a partir de janeiro de 2027.
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O ofício também pede a substituição do reajuste de 4,14% da data-base de 2026 pelo índice residual de 6,10% referente a 2021, além da atualização dos auxílios e da implementação da gratificação de curso para militares da reserva.
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As imagens dos trâmites administrativos mostram que a contraproposta da categoria foi protocolada na Secretaria de Segurança Pública e encaminhada ao Comando-Geral da PM e do Corpo de Bombeiros, demonstrando que o Governo tinha conhecimento formal das reivindicações apresentadas pelas entidades.
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Em vídeo divulgado nas redes sociais, Gerson Feitosa afirmou que a categoria não abriu mão do auxílio-fardamento e acusou o governador de distorcer a decisão dos militares.
"O governador faltou com a verdade ou foi enganado por sua equipe, resta saber. Agora fica a pergunta: você votaria em alguém que não tem palavra, que em um dia diz uma coisa e depois faz outra? Governador Roberto Cidade, respeite os trabalhadores da segurança e cumpra com sua palavra", declarou o presidente da APEAM.
Ainda segundo Gerson Feitosa, os policiais receberam com indignação a tentativa de transformar em favor aquilo que, segundo ele, é um direito histórico da categoria. O dirigente também destacou que a prioridade definida pela assembleia foi a reformulação do QDE e a liberação das promoções represadas, pauta considerada urgente pelos militares.
A polêmica teve início após Roberto Cidade anunciar que encaminhará à Assembleia Legislativa um projeto para tornar permanente o auxílio-fardamento e afirmar que o pagamento começará nos próximos meses. O governador declarou que o benefício é um compromisso de sua gestão e um direito dos policiais.
As declarações de Gerson Feitosa reacenderam o clima de tensão entre o Governo do Amazonas e as entidades da segurança pública, que vêm cobrando não apenas o auxílio-fardamento, mas também o pagamento das datas-base atrasadas, a atualização do auxílio-alimentação e o destravamento das promoções represadas.
Para os representantes da categoria, chegou a hora de transformar promessas em ações concretas. E o recado do presidente da APEAM foi direto: "respeitem os trabalhadores da segurança e cumpram a palavra dada".
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