A Dra. Raquel Rodrigues alerta que fumaça, pólvora e sons intensos podem agravar rinite, sinusite e prejudicar a saúde auditiva
A chegada do São João, marcado por quadrilhas, shows e fogueiras, cresce também a preocupação com a saúde respiratória e auditiva. Em Pernambuco, onde o período junino se mistura às chuvas e às oscilações de temperatura, quem convive com rinite, sinusite ou asma costuma perceber um aumento importante nos sintomas. Embora a festa seja símbolo da cultura nordestina e reúna milhares de pessoas em celebrações tradicionais, alguns cuidados podem fazer diferença para garantir diversão sem prejuízos ao organismo.
As fogueiras e o cheiro da pólvora da queima de fogos de artifício estão entre os principais fatores de irritação das vias aéreas superiores durante os festejos. O contato com esses elementos pode provocar ardor, dor, aumento da secreção, sensação de nariz entupido e desconforto na garganta. “A exposição à fumaça irrita toda a via respiratória, inclusive o nariz e a garganta”, explica a Dra. Raquel Rodrigues, médica otorrinolaringologista do HOPE, Hospital de Olhos de Pernambuco.
Segundo a especialista, “o problema não acontece por um mecanismo alérgico propriamente dito, mas pela ação irritativa desses agentes sobre as mucosas, situação ainda mais sensível para quem já convive com doenças respiratórias crônicas, como rinite e sinusite. Além disso, esse é um período de chuvas na nossa região, então os pacientes alérgicos tendem a sofrer mais nessa época”, diz a médica.
Veja também

Falso médico é preso após morte de mulher em clínica de abortos clandestinos
Em muitos casos, a inflamação nasal interfere em toda a via respiratória, podendo impactar inclusive o controle da asma. Isso acontece porque nariz, garganta e pulmões funcionam de forma integrada, e um desequilíbrio em determinada região pode repercutir nas demais. “A gente tem uma única via aérea. Quando a rinite e a asma não estão controladas, o paciente sofre mais e pode ter agravamento dos quadros”, pontua.
Pessoas que apresentam quadros parcialmente controlados ou sem acompanhamento adequado ficam mais suscetíveis à piora dos sintomas e às chamadas agudizações, que podem exigir atendimento médico e até internação, especialmente entre asmáticos. Para atravessar a temporada junina com mais tranquilidade, a orientação principal é antecipar o cuidado. Avaliar se o tratamento está adequado e priorizar a hidratação, ajudam o organismo a enfrentar melhor esse período.
“O ideal é se antecipar às festas e conferir se está tudo certinho, principalmente em relação às medicações”, orienta a médica. “Você pode aproveitar o São João sem ficar literalmente ao lado da fogueira. Outro cuidado é beber bastante água para manter as mucosas das vias áreas úmidas. Além disso, antes e depois de se expor à fumaça, lavar as narinas com soro fisiológico para ajudar a remover partículas de fuligem e poeira acumuladas”, acrescenta.
Outro ponto de atenção nos festejos é com a saúde auditiva. A intensidade sonora dos shows e o tempo prolongado de exposição ao ruído elevam o risco de lesões no ouvido, principalmente para quem permanece próximo das caixas de som. “Quanto mais perto da fonte sonora, maior a chance de ocorrerem danos na via auditiva que nem sempre são reversíveis”, destaca. Por isso, perda de audição ou qualquer incômodo persistente após apresentações musicais merecem investigação. “Muita gente sai do show com zumbido e acha normal, mas isso pode indicar que há alguma alteração nas estruturas do ouvido”, observa.
Caso surjam sintomas como dor, sensação de audição abafada ou zumbido persistente após shows e fogos, a recomendação é obter uma avaliação especializada o mais cedo possível. “Se aparecer qualquer incômodo auditivo que não passa, é importante buscar atendimento com um médico otorrinolaringologista o quanto antes para entender o que aconteceu e avaliar o que pode ser revertido”, orienta.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram