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'SEGREDOS DE BASTIDORES': 159 MIL ESPERANDO: OMAR PROMETE GUERRA À FILA DA SAÚDE E QUER COLOCAR HOSPITAIS PARTICULARES PARA ATENDER A POPULAÇÃO
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

*Por Antônio Zacarias - Minha gente, a sucessão estadual finalmente encontrou um assunto maior do que pesquisa, bandeiraço, briga partidária e troca de acusações.

 

Que assunto é esse? A saúde.

 

Nessa quinta-feira, 17 de setembro, o Omar Aziz apresentou uma proposta que promete dominar a reta final da campanha: contratar hospitais e clínicas particulares para atender pacientes que aguardam consultas, exames e cirurgias na rede pública.

 

Segundo o Omar, 159 mil pessoas estariam atualmente na fila da regulação estadual.

 

Como um mesmo paciente pode necessitar de vários procedimentos, a demanda acumulada chegaria a 1,273 milhão de exames, segundo o Omar.

 

O Omar apresentou os números durante entrevista ao consórcio G6.

 

Se os números estiverem corretos, estamos diante de algo assustador: existe praticamente uma cidade inteira esperando atendimento médico no Amazonas.

 

A PROPOSTA É SIMPLES E POLITICAMENTE FORTE

 

O plano do Omar possui duas etapas. A primeira seria emergencial.

 

Ele disse que, caso seja eleito, pretende começar a negociar ainda durante a transição com hospitais e clínicas particulares, usando a estrutura já existente para acelerar exames e cirurgias.

 

A segunda etapa seria permanente.

 

O Omar promete ampliar a capacidade pública com sete hospitais regionais no interior, três maternidades em Manaus e uma unidade especializada no atendimento a idosos.

 

Em resumo: enquanto os novos hospitais não ficam prontos, o governo compraria atendimento da rede particular para retirar pacientes da fila.

 

MIL CIRURGIAS POR MÊS

 

O Omar contou ter conversado com o Beto Nicolau, dono do grupo Samel.

 

Segundo o Omar, a Samel teria capacidade para realizar até mil cirurgias por mês.

 

Também existem, afirmou ele, outros hospitais e clínicas particulares que poderiam participar da operação.

 

O Omar citou como prioridades as cirurgias de catarata e os procedimentos ortopédicos reparadores.

 

A escolha faz sentido. Afinal, uma catarata não tratada reduz a autonomia do paciente, aumenta o risco de acidentes e pode levar à perda da visão.

 

Já uma cirurgia ortopédica atrasada pode deixar sequelas permanentes.

 

O paciente sofre o acidente, recebe o atendimento inicial, volta para casa, entra na fila, espera meses e, quando finalmente consegue retornar, o problema pode estar muito pior.

 

Às vezes, o médico precisa corrigir novamente aquilo que o tempo consolidou de maneira errada.

 

Portanto, não estamos falando apenas de números num sistema. Estamos falando de gente sentindo dor enquanto aguarda uma ligação que nunca chega.

 

A FILA TEM ROSTO

 

Esse talvez seja o ponto mais forte da proposta do Omar.

 

Não é novidade para ninguém que fila de saúde costuma aparecer em campanha eleitoral apenas como estatística.

 

Cada posição, no entanto, possui nome, família e história. É a senhora que deixou de enxergar direito. É o trabalhador que não consegue voltar ao emprego por causa de uma lesão. É a mãe aguardando o exame do filho. É o idoso que precisa viajar do interior para Manaus.

 

É o paciente que procura atendimento, recebe um encaminhamento e passa a viver consultando o celular para saber se finalmente foi chamado.

 

Oficialmente, o Sisreg existe para organizar o acesso desde a atenção básica até os serviços especializados e melhorar o aproveitamento dos recursos do SUS.

 

Na prática, quando faltam consultas, exames, especialistas e centros cirúrgicos, o sistema acaba administrando a escassez. E escassez organizada continua sendo escassez.

 

A REDE PARTICULAR PODE SER UMA PONTE

 

Usar a capacidade disponível na rede privada não representa abandonar o SUS. O sistema público já compra serviços particulares em diversas áreas.

 

A questão é fazer isso com planejamento, transparência e controle.

 

Se uma clínica possui equipamento parado, uma equipe disponível e condições de realizar determinado procedimento, enquanto o paciente do SUS espera durante meses, a parceria pode ser útil.

 

O benefício imediato é evidente: o governo não precisaria esperar anos pela construção de novas unidades. Poderia começar a contratar procedimentos existentes.

 

Também reduziria o risco de agravamento das doenças e, em alguns casos, evitaria tratamentos posteriores mais caros.

 

Uma cirurgia realizada no momento correto pode custar menos do que meses de complicações.

 

Nesse aspecto, o Omar colocou uma proposta concreta na mesa. Não falou apenas em “melhorar a saúde”. Explicou em detalhes como pretende fazer isso.

 

O NÚMERO DE 159 MIL PRECISA SER ABERTO

 

Existe outra providência indispensável. O Governo do Amazonas deve publicar os dados detalhados da regulação.

 

Quantos pacientes estão aguardando consultas? Quantos esperam exames Quantos necessitam de cirurgia? Qual é o procedimento com maior demanda? Qual é o tempo médio de espera? Quantos pacientes são de Manaus? Quantos moram no interior?

 

Sem essa abertura, o debate eleitoral fica dependente de números apresentados pelos candidatos.

 

SETE HOSPITAIS NO INTERIOR

 

O plano estrutural do Omar é ainda mais ambicioso. Ele promete construir sete hospitais regionais de média e alta complexidade.

 

Um deles teria 150 leitos em Parintins. Outro, também com 150 leitos, atenderia a região do Purus. A lógica é correta.

 

O morador do interior não pode continuar sendo enviado a Manaus para praticamente qualquer atendimento especializado.

 

A transferência custa caro; a viagem pode durar dias; a família precisa acompanhar.

 

O paciente chega à capital sem saber onde ficará. E os hospitais manauaras ficam sobrecarregados com demandas que poderiam ser resolvidas regionalmente. Regionalizar a saúde é uma necessidade antiga.

 

Sabemos que hospital não funciona apenas com parede, placa e inauguração.

 

Hospital precisa de médicos, de enfermeiros, de técnicos, equipamentos, medicamentos, laboratório, centro cirúrgico,
UTI, manutenção, transporte sanitário e orçamento permanente.

 

O desafio não será apenas construir sete unidades. Será mantê-las funcionando todos os dias.

 

TRÊS MATERNIDADES E UM HOSPITAL PARA IDOSOS

 

Para Manaus, Omar anunciou três maternidades. Também propôs um hospital especializado no atendimento à população com mais de 60 anos, dentro de um programa chamado “Tempo de cuidar”.

 

A ideia acompanha uma mudança inevitável, porque a população está envelhecendo.E envelhecer exige uma rede preparada para doenças crônicas, reabilitação, nutrição, acompanhamento contínuo e atendimento especializado.

 

Um hospital voltado aos idosos pode concentrar conhecimento e organizar melhor esse cuidado.

 

A SAÚDE MUDOU O EIXO DA CAMPANHA

 

Até aqui, a eleição vinha sendo empurrada por pesquisas, alianças, apoios nacionais, operações financeiras e conflitos partidários.

 

A proposta do Omar reposiciona a conversa. Agora os candidatos terão de discutir quem será atendido, onde, quando e por quanto. Isso é bom para o eleitor.

 

Saúde não pode aparecer apenas no último programa de televisão com candidato abraçando paciente. Precisa virar compromisso mensurável.

 

No primeiro mês, quantas cirurgias? Em cem dias, quantos exames? No primeiro ano, quanto a fila terá diminuído? Quem não aceitar metas provavelmente pretende governar apenas com discurso.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Minha gente, o Omar Aziz colocou sobre a mesa uma proposta com enorme força política e profundo impacto humano.

 

Contratar hospitais e clínicas particulares para atacar imediatamente a fila pode ser uma solução rápida enquanto o Estado reorganiza e amplia sua própria rede.

 

A ideia é compreensível, possui lógica e enfrenta um sofrimento real. Mas agora precisa avançar da intenção para o plano completo.

 

O Omar não apresentou apenas uma promessa. Apresentou uma pauta que obriga todos os adversários a falar de saúde.

 

A partir de agora, não bastará dizer que a fila será eliminada. Será necessário explicar como. Porque fila não vota, mas as 159 mil pessoas que, segundo o Omar, estão dentro dela votam, e cada uma sabe exatamente quanto custa esperar sentindo dor.

 

*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

 

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

 

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

 

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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