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*Por Antônio Zacarias - Minha gente, acabou a fase da campanha em que todo mundo sorria, apresentava vice, fazia caminhada e dizia que estava confiante.
A eleição para o Governo do Amazonas entrou em outra temperatura, tão quente quanto a temperatura de Manaus.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, candidatos intensificaram agendas, entrevistas, caminhadas, propaganda e reuniões políticas. E o confronto entre campanhas também ganhou espaço.
A CAMPANHA MUDOU DE TOM
Nos últimos dias, críticas e respostas passaram a aparecer com maior frequência na disputa.
A Maria Enxofre do Carmo colocou adversários no centro de peças de campanha; o Roberto Cidade respondeu recorrendo também à sátira; o Omar Aziz direcionou críticas à administração estadual. O David Almeida, por sua vez, tem concentrado parte de sua comunicação nas realizações de sua passagem pela Prefeitura de Manaus.
São estratégias eleitorais diferentes. Há aí, porém, uma questão muito mais importante para quem está do outro lado da televisão: e os problemas do Amazonas?
O ELEITOR QUER SABER DA SAÚDE
Ataque político dá vídeo, polêmica dá postagem, frase forte dá corte para rede social. Mas quem espera atendimento médico quer saber outra coisa. Concorda comigo, caro leitor, caríssima leitora?
Qual é o plano para reduzir a demora? Como melhorar o atendimento no interior? Como funcionarão hospitais, medicamentos e exames?
É aí que a campanha precisa sair do ringue eleitoral e entrar na vida real.
E A SEGURANÇA?
O mesmo vale para segurança pública. É um assunto que não cabe apenas em slogan.
O eleitor tem o direito de conhecer propostas concretas sobre policiamento, investigação, estrutura das forças de segurança e, sobretudo, enfrentamento ao crime organizado.
Quem pretende governar o Amazonas terá de explicar o que pretende fazer e como pretende fazer.
INTERIOR NÃO PODE SER LEMBRADO APENAS EM ÉPOCA DE CAMPANHA
O interior, como comumente ocorre nas eleições majoritárias no Amazonas, virou território intensamente disputado. E precisa ser. Mas visitar município durante campanha é a parte fácil, não é verdade?
A pergunta relevante é o que cada candidatura propõe para quem mora longe de Manaus.
Saúde, educação, produção rural, regularização fundiária, transporte e infraestrutura não desaparecem quando termina o comício.
Em Pauini, por exemplo, o Omar Aziz criticou a situação do Idam e falou em Zoneamento Ecológico-Econômico e regularização fundiária. São temas que merecem ser discutidos pelo conteúdo das propostas e confrontados com informações verificáveis.
O Omar já foi governador e conhece muito bem a realidade da nossa gente do interior.
PROMESSA TEM QUE VIR COM EXPLICAÇÃO
A Maria Enxofre do Carmo apresentou, entre suas propostas divulgadas, a criação de um Auxílio Amazonas de R$ 300, ampliação da Ronda Maria da Penha e escolas de tempo integral com alimentação ao longo do dia.
São propostas de campanha. E proposta de campanha precisa vir acompanhada das perguntas que interessam ao contribuinte: Quanto custa? De onde sai o dinheiro? Qual o prazo? Quem será atendido?
Alguém precisa dizer para a Maria Enxofre que promessa sem conta é apenas promessa, cheira à lorota. Partindo da Maria Enxofre, nenhuma novidade…
QUEM ESTÁ NO GOVERNO TAMBÉM PRECISA RESPONDER
O Roberto Cidade disputa a eleição exercendo o Governo do Estado e mantém simultaneamente agenda institucional e política. Ontem, quinta-feira, por exemplo, sua programação divulgada previa atividades institucionais durante manhã e tarde e compromissos eleitorais a partir das 17 horas.
Essa circunstância naturalmente coloca no debate eleitoral tanto propostas para o futuro quanto questionamentos sobre a administração presente. E as duas coisas precisam ser tratadas com fatos.
MANAUS TAMBÉM ENTROU NA VITRINE
O David Almeida tem utilizado realizações de sua administração municipal como parte de sua apresentação eleitoral, destacando obras realizadas em Manaus.
Nesse caso, é bom que se diga, vale a mesma regra.
Obra apresentada como credencial eleitoral pode e deve ser examinada objetivamente: custo, execução, resultado e impacto para a população. Com números, como eu ressaltei agora há pouco quando mencionei a Maria Enxofre e suas promessas.
A RETA FINAL CHEGOU
Nessa quinta-feira, as agendas divulgadas incluíram entrevistas, caminhada, gravações eleitorais, panfletagem, reuniões, compromissos institucionais e encontro político.
Em outras palavras: a campanha está na rua. E tende a ocupar cada vez mais espaço até 4 de outubro.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
A temperatura eleitoral subiu. Os ataques apareceram, as respostas vieram e cada campanha tenta ocupar seu espaço.
Só que existe um personagem nessa história que não pode virar figurante: o eleitor.
É ele quem paga imposto, enfrenta fila, pega ônibus, precisa de segurança, procura emprego e depende dos serviços públicos.
Por isso, daqui até a urna, existe uma pergunta simples que pode valer mais do que muito discurso: qual é exatamente a proposta? Quanto custa, como será feita e quando será entregue?
A campanha pode até pegar fogo, mas governar começa quando o palanque acaba.
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.