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*Por Antônio Zacarias - A corrida para o Senado no Amazonas deixou de ser uma simples contagem de votos para virar uma verdadeira novela de alta voltagem. O que se desenha por trás das cortinas não é apenas uma aliança eleitoral; é uma estratégia de sobrevivência política que envolve o Palácio do Planalto e a queda de braço pelo controle do Norte em 2026.
A BENÇÃO QUE VEM DE CIMA
O PT já prepara o tapete vermelho: o presidente Lula deve desembarcar em Manaus nos dias 25 e 26. Mais do que inaugurar obras, a missão é política. Lula quer "batizar" pessoalmente a união entre Eduardo Braga e Marcelo Ramos. Não é um simples aperto de mãos; é um recado claro de que o Amazonas será a trincheira oficial contra o bolsonarismo na região, com Ramos ocupando o papel de peça-chave nesse tabuleiro.
O "FRIO NA BARRIGA" DO MDB
Mas nem tudo são flores. No MDB, o clima é de cautela — e um certo incômodo. Aliados de Braga temem que Marcelo Ramos traga um "tom de vermelho" forte demais para a chapa. O medo é que uma identificação exagerada com o lulismo acabe assustando o eleitor moderado e empurre o voto da direita para os adversários. Além disso, há quem olhe para o crescimento de Ramos com desconfiança: ninguém quer chocar um ovo de ouro que possa brilhar mais que o dono da casa no futuro.
"CADA UM NO SEU QUADRADO"
Marcelo Ramos, que não é de levar recado para casa, já soltou a frase que ecoou nos corredores: “O MDB decide sobre o MDB e o PT decide sobre o PT”. A mensagem foi curta e grossa: ele não aceitará um papel secundário. Ramos quer mostrar que não é uma ameaça para Braga, mas sim o combustível que falta para turbinar a chapa rumo à vitória.
O CÁLCULO DO SEGUNDO VOTO
A lógica do PT é puramente pragmática. Como o eleitor terá que escolher dois nomes para o Senado, o partido faz uma pergunta simples: "Para onde vai o segundo voto do lulista?". Se não houver um nome de confiança, esse voto pode acabar indo para um independente ou até para um inimigo. É nesse vácuo que Marcelo Ramos se coloca como a escolha natural para quem apoia o Governo Federal.
O ARTICULADOR E O COMBATENTE
Aqui está o "pulo do gato" da estratégia petista: eles precisam de alguém que vá para o embate direto. Enquanto Eduardo Braga mantém seu perfil de mestre da articulação, institucional e moderado, Marcelo Ramos entraria como o "escudo" e a "espada". Caberá a ele fazer a defesa apaixonada do governo Lula nos palanques, deixando Braga livre para transitar entre os grandes acordos. É a famosa tática do policial bom e do policial mau.
BRAGA E A ARTE DE ESPERAR
Eduardo Braga, macaco velho da política, não tem pressa. Ele sabe que queimar a largada agora pode unir a oposição e criar resistências desnecessárias. O senador prefere esperar a poeira da visita de Lula baixar e analisar as próximas pesquisas. Na política, como no xadrez, o tempo é o melhor conselheiro.
O VEREDITO DE SINÉSIO
Se depender do PT local, a fatura está liquidada. Sinésio Campos já deixou claro que Marcelo Ramos é o nome de consenso. A resistência, portanto, não vem de dentro de casa, mas dos "vizinhos" de aliança. É uma queda de braço externa que promete testar a força da federação.
A CHAPA DO EQUILÍBRIO (OU DO ATRITO)
A ideia de unir Braga e Ramos é tentar o melhor dos dois mundos: a experiência do centro com o vigor da esquerda. É uma engenharia política ousada para ampliar o alcance nas urnas sem perder a essência. O problema é que, na prática, esse tipo de mistura raramente acontece sem algumas faíscas pelo caminho.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
No fim das contas, a vinda de Lula transforma uma disputa regional em um termômetro nacional. O PT quer provar que pode retomar o protagonismo no Amazonas com essa chapa híbrida. O desafio será equilibrar o entusiasmo da militância de esquerda com o receio dos setores conservadores. A batalha de 2026 já começou, e o campo de prova é o palanque de Manaus.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.