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*Por Antônio Zacarias - Manaus é a vitrine.
O interior é o alicerce.
Na capital, o voto é de opinião, volátil e ruidoso.
No interior, o voto é de grupo, de gratidão e de entrega.
Enquanto os pré-candidatos ensaiam discursos para o TikTok...
Os articuladores cruzam os rios com planilhas de emendas debaixo do braço.
O segredo de 2026 não será revelado em palanques.
Mas no silêncio dos gabinetes das prefeituras do Alto Solimões ao Médio Amazonas.
A GEOGRAFIA DO ACORDO
No interior, a ideologia é um detalhe.
A sobrevivência administrativa é a prioridade.
O prefeito é o "general" de cada praça.
Ele não olha apenas para 2026.
Ele olha para a folha de pagamento e para as obras que precisam terminar.
Quem garante o asfalto hoje, colhe o voto amanhã.
OS TRÊS PILARES DA DISPUTA
A disputa pelos prefeitos está dividida em três frentes de influência:
1) O Palácio da Compensa
O Governo do Estado tem a caneta que assina convênios de última hora.
O "fator máquina" é o imã que atrai prefeitos que não podem se dar ao luxo de serem oposição.
A estratégia é clara: fidelizar pelo apoio administrativo.
2) O Poder de Brasília
A bancada federal nunca foi tão poderosa.
As emendas e as verbas parlamentares deram aos deputados e senadores uma independência inédita.
Muitos prefeitos hoje devem mais aos seus "padrinhos" em Brasília do que ao governo local.
É aqui que o jogo de 2026 ganha rostos nacionais.
3) Os Prefeitos Reeleitos
As eleições municipais de 2024 deixaram um exército de prefeitos reeleitos ou que fizeram sucessores fortes.
Eles estão no auge do poder.
Não têm medo de retaliação imediata.
Estão valorizando o passe como nunca antes.
A "MOEDA" DE TROCA
Não se engane: o que move o interior não é a promessa.
É o fato consumado.
1) A lancha escolar entregue.
2) O hospital reformado.
3) O sistema de água funcionando.
O pré-candidato que chega de mãos vazias volta com o sorriso amarelo do prefeito, mas sem o compromisso da base.
O JOGO DAS SOMBRAS
Enquanto o público debate nomes na capital, os "operadores" de campanha fazem o trabalho de formiga:
1. Mapeiam quais prefeitos estão descontentes com repasses.
2. Identificam quem são os adversários locais do prefeito (o plano B).
3. Prometem espaços em futuras chapas majoritárias.
É uma partida de xadrez onde cada movimento é calculado para asfixiar o adversário antes mesmo da convenção.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O erro de muitos candidatos é achar que o Amazonas se resume à Eduardo Ribeiro ou à Ponta Negra.
Manaus pode dar a liderança nas pesquisas.
Mas o interior dá a segurança da vitória.
Em 2026, o fiel da balança será o prefeito que, no dia da eleição, conseguir colocar a sua estrutura na rua.
No Amazonas profundo, a política é olho no olho.
E o apoio se escreve com o nome de quem mandou o recurso.
Quem ignorar a força dos 61 municípios vizinhos...
vai ver o poder escorrer pelas mãos entre um furo e outro do Rio Amazonas.
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.