NOTÍCIAS
Manchete
'SEGREDOS DE BASTIDORES': A DISPUTA PELO SEGUNDO TURNO NO AMAZONAS SEGUE ABERTA E AINDA SEM DONO
Foto: Reprodução

 

BASTIDORES DA POLÍTICA

 

*Por Antônio Zacarias - Faltando pouco mais de quatro meses para a eleição de 4 de outubro, a nova pesquisa Ipen divulgada pelo grupo G6 virou assunto obrigatório entre políticos e analistas do Amazonas.

 

O levantamento mostra o senador Omar Aziz (PSD) na liderança isolada, com 29,8%, enquanto David Almeida (Avante), Maria Enxofre do Carmo (PL) e Roberto Cidade, o “Cocô de Ouro” (União Brasil) aparecem embolados tecnicamente na disputa pela segunda vaga de um eventual segundo turno.

 

Mas, além do resultado do momento, o que mais chama a atenção de quem acompanha a política de perto é a análise do futuro desses números: quem já chegou ao seu limite de votos, quem ainda tem espaço para subir e quem corre o risco de travar ou cair na reta final.

 

OMAR AZIZ ESTÁ NA FRENTE, MAS SEU DESAFIO AGORA É CONTINUAR SUBINDO

 

Quem acompanha a política concorda que Omar Aziz começa a pré-campanha como o candidato mais firme da disputa.

 

Os quase 30% do senador não são por acaso. Ele é muito conhecido, tem força no interior e conta com uma base de eleitores fiel construída há anos. Por isso, os analistas acham difícil que ele perca muitos votos.

 

Mas existe outra leitura importante: justamente por ser extremamente conhecido, Omar também pode estar mais próximo do seu teto eleitoral do que os adversários. A própria pesquisa ajuda a mostrar isso.

 

Mesmo sem Cidade no cenário, Omar sobe apenas para 34,6%. Ou seja: o governador tira votos do senador, mas não muda estruturalmente sua posição.

 

Nos bastidores, a interpretação é que Omar já ocupa praticamente todo o eleitorado tradicional do centro político amazonense e agora precisará conquistar votos fora da sua faixa natural para crescer de forma mais robusta.

 

Além disso, sua rejeição continua relativamente alta para um líder: entre 17% e 19,7%, dependendo do cenário.

 

Isso significa que Omar lidera com conforto, mas ainda não liquidou a eleição.

 

DAVID ALMEIDA TEM FORÇA POPULAR, MAS CARREGA A MAIOR REJEIÇÃO

 

A situação de David Almeida talvez seja a mais complexa da disputa.

 

O ex-prefeito de Manaus aparece competitivo numericamente, mas sua rejeição é disparadamente a maior entre todos os candidatos testados.

 

Nos bastidores, muitos analistas enxergam David como um candidato de voto muito concentrado na capital e altamente dependente da avaliação da sua gestão à frente da Prefeitura de Manaus.

 

Seu potencial de crescimento existe, principalmente entre eleitores populares e periféricos, mas o tamanho da rejeição funciona como um freio.

 

A leitura política mais comum hoje é a seguinte: David tem força suficiente para chegar ao segundo turno, mas também possui fragilidades capazes de interromper esse crescimento rapidamente.

 

Outro fator observado nos bastidores é que David ainda nem entrou numa campanha de desgaste mais pesada. E candidatos com rejeição alta normalmente sofrem mais quando o confronto eleitoral endurece.

 

Por outro lado, seus aliados argumentam que ele possui uma vantagem relevante: comunicação popular forte e presença diária nas redes sociais e na máquina municipal.

 

MARIA ENXOFRE DO CARMO TEM MAIS ESPAÇO PARA CONQUISTAR ELEITORES

 

Mesmo aparecendo tecnicamente empatada com David Almeida e o “Cocô de Ouro”, Maria Enxofre do Carmo continua sendo tratada nos bastidores como uma incógnita eleitoral. E exatamente por isso muitos avaliam que ela ainda pode crescer muito.

 

A principal razão é simples: ela ainda possui um nível de conhecimento popular menor do que Omar Aziz e David Almeida.

 

Na prática, isso significa que parte do eleitorado ainda está formando opinião sobre sua candidatura.

 

Analistas políticos avaliam que candidatos pouco conhecidos conseguem crescer mais rápido quando entram oficialmente na propaganda eleitoral, especialmente se possuem estrutura financeira, apoio partidário e forte exposição nas redes sociais.

 

Nos bastidores, há também a percepção de que Maria Enxofre ainda não consolidou totalmente o eleitor bolsonarista no Amazonas.

 

Se conseguir unificar esse campo político e superar divisões internas no PL, ela pode avançar de forma significativa.

 

Mas existe um risco importante. Sua candidatura ainda precisa provar capacidade de interiorização.

 

Hoje, parte do meio político acredita que sua força está muito concentrada em Manaus e nas redes sociais, enquanto Omar mantém vantagem histórica no interior.

 

“COCÔ DE OURO” É O CANDIDATO MAIS DIFÍCIL DE MEDIR

 

A entrada de Roberto Cidade, o “Cocô de Ouro”, embaralhou completamente a disputa.

 

A própria pesquisa mostra isso ao revelar que ele tira votos dos três principais adversários ao mesmo tempo.

 

Nos bastidores, há uma leitura quase unânime: Cocô de Ouro ainda não virou um candidato totalmente conhecido pelo eleitor comum, mas ganha musculatura institucional ao assumir o Governo do Amazonas. E esse detalhe muda muito o jogo.

 

Máquina estadual, agenda de inaugurações, exposição diária e capilaridade no interior costumam produzir crescimento eleitoral rápido quando usados corretamente.

 

Por isso, vários analistas consideram precipitado concluir que os atuais 14,9% representam o teto de Roberto Cidade.

 

Na verdade, muitos enxergam exatamente o contrário: ele pode ser o candidato com maior capacidade de crescimento acelerado nos próximos meses.

 

O problema é que também existe um risco político claro.

 

Governador em exercício passa automaticamente a virar alvo prioritário dos adversários.

 

Se a administração estadual enfrentar crises ou desgaste, o efeito pode ser imediato nas pesquisas.

 

OS 24% QUE AINDA PODEM VIRAR O JOGO

 

Talvez o dado mais importante da pesquisa esteja fora dos candidatos.

 

Somando brancos, nulos e indecisos, o levantamento aponta quase um quarto do eleitorado ainda sem escolha consolidada.

 

Nos bastidores, muita gente considera esse o verdadeiro “campo de batalha” da eleição.

 

Em disputas polarizadas e fragmentadas como a atual, esse eleitor costuma decidir o rumo da campanha na reta final. E faltando pouco mais de quatro meses para a eleição, o cenário ainda está longe de estabilidade.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

A pesquisa Ipen mostra Omar Aziz como líder consistente, mas ainda distante de uma vitória liquidada.

 

David Almeida continua competitivo, porém enfrenta o peso da maior rejeição da disputa.

 

Maria Enxofre do Carmo permanece como candidatura de potencial imprevisível, capaz tanto de crescer rapidamente quanto de estacionar se não romper a bolha política em que hoje atua.

 

Roberto Cidade, por sua vez, talvez seja hoje o maior ponto de interrogação da eleição: um candidato ainda em formação, mas com o poder da máquina estadual nas mãos e capacidade concreta de alterar o cenário.

 

Nos bastidores, a sensação predominante é que a eleição entrou numa nova fase.

 

Até agora, os candidatos disputavam espaço político.

 

Daqui para frente, começam a disputar viabilidade eleitoral real.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.