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*Por Antônio Zacarias - Enquanto o debate público ainda se concentra nas consequências da renúncia do ex-governador Wilson Lima, uma disputa silenciosa começou a tomar forma nos bastidores da política do Amazonas: o controle político do chamado governo tampão.
Oficialmente, a eleição indireta que será realizada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas servirá apenas para escolher quem comandará o Estado por alguns meses até o fim do mandato. Mas, longe dos holofotes, o que está em jogo é algo muito maior: quem sairá na frente na corrida eleitoral de 2026.
Nos corredores do poder, três forças observam e atuam com cautela nesse processo: o grupo do senador Omar Aziz, o campo político ligado ao ex-governador Wilson Lima e o grupo do prefeito David Almeida.
Cada um deles tem um interesse específico na escolha do próximo governador.
O PODER DA MÁQUINA
Mesmo com prazo limitado, o governo tampão não é visto como um cargo meramente administrativo.
Quem assumir o comando do Estado terá nas mãos instrumentos importantes de poder: a máquina pública, a condução da agenda administrativa e a capacidade de dialogar diretamente com prefeitos e lideranças do interior.
Na prática, significa ocupar uma posição estratégica no momento em que o ambiente político começa a se reorganizar para a eleição de 2026.
É exatamente por isso que a disputa, embora discreta, tornou-se intensa.
O CÁLCULO DO GRUPO DE WILSON LIMA
Aliados de Wilson Lima trabalham para evitar que o novo governo represente uma ruptura completa com o grupo político que comandou o Estado até agora.
A estratégia nos bastidores tem sido defender um nome considerado equilibrado, alguém capaz de manter estabilidade administrativa e evitar uma mudança brusca na condução do governo.
A preocupação central é preservar espaços políticos e garantir que o novo governo não se transforme em plataforma direta de adversários.
A VIGILÂNCIA DE OMAR AZIZ
No campo do senador Omar Aziz, o raciocínio segue outra lógica.
Mesmo aparecendo bem posicionado em cenários eleitorais para o governo, Omar observa com atenção o desenrolar da eleição indireta.
Entre aliados do senador, a avaliação é que o maior risco seria o governo tampão se transformar em palanque político para um adversário competitivo em 2026.
Por isso, a estratégia discutida nos bastidores passa menos por controlar o governo e mais por evitar que ele fortaleça um projeto rival.
Em política, às vezes neutralizar o adversário já representa metade da vitória.
O OLHAR DE DAVID ALMEIDA
Já o grupo de David Almeida acompanha o processo com atenção redobrada.
O receio é que o novo governador estabeleça uma relação política mais próxima com forças que disputam o mesmo eleitorado do prefeito de Manaus.
Nesse cenário, o controle da máquina estadual poderia influenciar alianças com prefeitos, deputados e lideranças regionais — elementos decisivos na formação de palanques eleitorais.
Por isso, interlocutores ligados ao prefeito também buscam diálogo com parlamentares que terão voto na eleição indireta.
O CENTRO DO TABULEIRO
Com a decisão nas mãos da Assembleia, os deputados estaduais passaram a ocupar posição central na disputa política.
É ali que conversas reservadas, compromissos futuros e articulações partidárias começam a ganhar forma.
Nesse contexto, o presidente da Assembleia, Roberto Cidade, tornou-se um dos personagens mais observados do momento.
Como chefe do Legislativo e governador interino, Cidade reúne duas posições estratégicas no tabuleiro político.
Dependendo de sua decisão — disputar a eleição indireta ou apoiar um nome de consenso — o cenário pode mudar rapidamente.
A PRÉVIA DE 2026
No discurso público, a eleição do governador tampão é tratada como uma solução institucional para o fim antecipado do mandato estadual.
Nos bastidores, porém, a leitura é diferente.
Para muitos atores políticos, o processo representa a primeira grande batalha da disputa pelo governo do Amazonas em 2026.
Quem sair fortalecido desse episódio poderá chegar ao próximo ciclo eleitoral com vantagem política — mesmo que o mandato em jogo dure apenas alguns meses.
É por isso que, longe das manchetes e dos pronunciamentos oficiais, a disputa continua. Silenciosa, estratégica e decisiva.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.