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*Por Antônio Zacarias - Minha gente, não é novidade pra ninguém que eleição não se ganha só com dinheiro. Mas também não se ganha eleição para governador do Amazonas fazendo campanha com dois santinhos, três bandeiras e um carro de som emprestado. E os números que começaram a aparecer nas prestações de contas mostram que a brincadeira ficou cara. Muito cara.
Segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, as campanhas ao Governo do Amazonas já receberam, juntas, pelo menos R$ 16,68 milhões. Eu já falei isso aqui, lembram? E olha que ainda estamos em 10 de setembro.
OMAR ESTÁ NA FRENTE TAMBÉM NO DINHEIRO
O Omar Aziz lidera a arrecadação entre os candidatos ao governo; a Maria Enxofre do Carmo aparece em segundo lugar. Depois vêm o Roberto Cidade e o David Almeida.
Em outras palavras: o Omar não está brigando apenas pela liderança das pesquisas, está entrando na reta decisiva também com campanha abastecida. E dinheiro, minha gente, pode não comprar voto — e não deve —, mas compra estrutura, compra combustível, equipe, produção, compra deslocamento para o interior, compra presença. E, numa eleição continental como a do Amazonas, presença custa caro, não é verdade?
MAS COFRE CHEIO NÃO ENCHE URNA
Aqui mora o perigo para quem olha prestação de contas e já começa a distribuir faixa de governador eleito.
Dinheiro ajuda, e muito, não é mesmo? O que decide de verdade, porém, é o voto
A prova está nas próprias pesquisas.
O levantamento AtlasIntel divulgado no último dia 4 colocou o Omar com 33,2%, a Maria Enxofre do Carmo com 29,2%, o Roberto Cidade com 20,1% e o David Almeida com 9,3%.
Já a pesquisa Eficaz, divulgada dias antes, apresentou um cenário completamente diferente: o Omar com 24,3%, o David com 19,9%, o Cidade com 19,7% e a Maria Enxofre com 18,4%. Os quatro tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Traduzindo: tem candidato com dinheiro, tem candidato com voto e tem candidato rezando para ter os dois no dia 4 de outubro.
MARIA ENXOFRE TEM DINHEIRO E QUER TRANSFORMAR EM CRESCIMENTO
A segunda colocação da Maria Enxofre na arrecadação chama atenção.
Maria Enxofre precisa exatamente disso: estrutura suficiente para tentar transformar barulho político em voto.
Ela entrou de vez na pancadaria eleitoral e passou a vender a ideia de que o Omar, o Cidade e o David representam a continuidade, enquanto ela seria mudança. Tudo conversa fiada dela.
Basta ver com quem ela anda: Waldemar Costa Neto e Alfredo Nascimento. Ambos estão na política desde que o Brasil se tornou colônia de Portugal. Sem falar que essa dupla é tão perigosa que é capaz de dar rasteira em minhoca.
CIDADE NÃO ESTÁ PARA BRINCADEIRA
O Roberto Cidade já percebeu que eleição não é concurso de simpatia. Sua campanha aumentou o tom, entrou na sátira e começou a responder aos adversários com mais agressividade.
Eu já disse aqui, reiteradas vezes, que o Cidade tem uma vantagem que ninguém mais possui: está sentado na cadeira de governador.
Essa vantagem, no entanto, vem acompanhada de uma enorme placa escrita: “COBRE-ME”.
Tudo o que funciona pode virar propaganda; tudo o que não funciona pode virar munição do adversário.
É o bônus e o ônus de disputar eleição com a chave do Palácio do Governo no bolso.
DAVID ESTÁ FAZENDO OUTRA CAMPANHA
Enquanto os outros trocam bordoadas, o David Almeida tenta vender gestão. Certissímo o David. Concorda comigo?
Até agora, o David prefere mostrar o que fez na Prefeitura de Manaus em vez de entrar de cabeça na guerra de ataques.
É uma estratégia que pode funcionar. Pode também chegar um momento em que ele tenha de tirar as luvas da gaveta. Tô certo ou tô errado?
A experiência nos diz que, quando a eleição aperta, candidato que apanha calado corre o risco de o eleitor achar que faltou resposta.
A CAMPANHA JÁ VIROU PANCADARIA
Faltando menos de um mês para o primeiro turno, acabou aquela fase bonita das poses para fotos, do abraço e do candidato dizendo que ama todo mundo.
A Maria bate, o Omar ataca a administração estadual, o Cidade responde.
E o David? O David tenta ficar fora da confusão e mostrar serviço.
Resumindo: cada um escolheu sua arma.
Agora vamos descobrir qual delas acerta o eleitor.
SETE NA URNA, MAS A BRIGA PRINCIPAL ESTÁ CONCENTRADA
A Justiça Eleitoral deferiu as sete candidaturas ao Governo do Amazonas. Portanto, todos estão oficialmente aptos para disputar o primeiro turno de 4 de outubro.
Ninguém, no entanto, precisa ser cientista político para perceber onde está concentrada a guerra.
Omar, Cidade, Maria Enxofre e David. É nesse quadrado que está a maior pancadaria política.
E O DINHEIRO AINDA VAI FALAR MUITO
Os R$ 16,68 milhões declarados até agora não são o capítulo final.
A prestação parcial das campanhas começou justamente na quarta-feira, 9, e o prazo vai até domingo, 13.
Portanto, preparem a calculadora. Mais números vão aparecer. E dinheiro de campanha tem uma característica interessante: ele fala.
Diz quem está recebendo apoio. Mostra quem tem estrutura. Revela prioridades. E, principalmente, permite comparar quanto cada campanha gastou com o resultado que conseguiu produzir.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Minha gente, a eleição amazonense entrou naquela fase em que pesquisa, dinheiro e pancadaria começam a andar juntos.
O Omar tem motivos para sorrir: aparece numericamente à frente em levantamentos recentes e lidera a arrecadação declarada.
A Maria Enxofre tem estrutura financeira e tenta transformar a eleição numa guerra entre “ela” e “todos os outros”.
O Cidade tem governo, máquina política e disposição para responder.
O David aposta na memória administrativa de Manaus e tenta não se deixar arrastar para o ringue.
Falta, porém, uma coisa: o eleitor decidir. E esse cidadão costuma cometer uma crueldade maravilhosa com marqueteiro: escuta discurso, assiste propaganda, vê milhões entrando nas campanhas, recebe santinho, acompanha pesquisa… e, quando entra sozinho naquela cabine, faz o que bem entende.
É por isso que eleição é eleição, e é por isso também que, até 4 de outubro, ninguém deve encomendar o terno da posse.
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.