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BASTIDORES DA POLÍTICA
*Por Antônio Zacarias - Enquanto o eleitor ainda observa apenas os nomes que disputam o Governo do Amazonas em 2026, nos bastidores o jogo mais brutal já começou, e ele não acontece na cabeça da chapa, mas na disputa pelas vagas de vice.
Longe dos holofotes, deputados, prefeitos, empresários e caciques partidários travam uma guerra silenciosa por aquele espaço que, na política amazonense, pode representar muito mais do que prestígio: significa acesso direto ao poder, influência sobre futuras nomeações e sobrevivência política.
O CLIMA DE DESCONFIANÇA
A disputa pelas vagas de vice começou a produzir um ambiente de tensão dentro dos grupos políticos. Fontes de bastidor afirmam que há pré-candidatos prometendo espaço para vários aliados ao mesmo tempo, numa tentativa desesperada de manter palanques unidos enquanto as pesquisas ainda oscilam.
O problema é que a matemática política não fecha.
Todo mundo quer indicar o vice. Todo mundo quer participar da chapa majoritária. E ninguém aceita ficar de fora do futuro núcleo de poder.
Nos bastidores, já há lideranças reclamando de “traições silenciosas”, reuniões paralelas e articulações escondidas acontecendo longe dos partidos.
O MEDO DA SOLIDÃO POLÍTICA
A grande preocupação dos grupos hoje é não terminar isolado.
Na avaliação de estrategistas eleitorais, lançar candidatura própria sem musculatura política pode significar morte precoce antes mesmo do início oficial da campanha. Por isso, a vaga de vice virou objeto de desejo até para políticos que jamais aceitariam, publicamente, ocupar posição secundária.
Prefeitos enxergam a vice como ponte para ampliar influência no interior. Deputados avaliam a composição como forma de escapar de uma eleição proporcional cada vez mais imprevisível. Empresários articulam discretamente para entrar no jogo sem assumir diretamente o desgaste de uma candidatura ao governo.
O resultado é um cenário de desconfiança generalizada.
A PRESSÃO DOS PARTIDOS
Partidos de médio porte decidiram endurecer o jogo. Diferente de eleições passadas, muitas siglas não querem mais apenas tempo de televisão ou participação simbólica. Agora exigem espaço real no centro das decisões.
Nos bastidores, dirigentes partidários repetem a mesma frase: “Quem indicar o vice participa do governo”.
É justamente isso que transformou as negociações em um campo minado. Qualquer movimento precipitado pode provocar rebeliões internas, deserções silenciosas e até migração de lideranças para grupos adversários.
O FATOR OMAR E O EFEITO DOMINÓ
A liderança isolada de Omar Aziz nas pesquisas também começou a alterar completamente o comportamento dos bastidores. Políticos que antes defendiam candidaturas independentes agora passaram a recalcular rotas e buscar aproximação com grupos considerados mais competitivos.
A lógica é simples: ninguém quer apostar no isolamento. Nos corredores da política amazonense, cresce a percepção de que 2026 poderá ser uma eleição de sobrevivência para muitos grupos tradicionais. E é exatamente por isso que a disputa pela vice ganhou tamanho peso estratégico.
Mais do que ocupar espaço na chapa, o objetivo real é garantir presença na mesa onde o poder será dividido depois da eleição.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
A eleição de 2026 ainda parece distante para a população, mas dentro da política amazonense o clima já é de guerra fria. E embora os discursos públicos ainda falem em “união”, “grupo” e “projeto coletivo”, os bastidores revelam outra realidade: ninguém quer apenas apoiar; todos querem controlar uma fatia do futuro poder.
A disputa pelas vagas de vice deixou de ser detalhe eleitoral. Virou uma batalha silenciosa capaz de aproximar aliados, destruir amizades políticas e redefinir completamente o tabuleiro da sucessão no Amazonas.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.