NOTÍCIAS
Manchete
'SEGREDOS DE BASTIDORES': A MATEMÁTICA ELEITORAL DE DURANGO DUARTE E OS EQUÍVOCOS DA 'VAGA DEFINIDA' NO SEGUNDO TURNO
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

BASTIDORES DA POLÍTICA

 

*Por Antônio Zacarias - O publicitário Durango Duarte publicou uma análise detalhada sobre a disputa pelo Governo do Amazonas em 2026. O texto chama atenção pelo visual organizado e pelo esforço em transformar várias pesquisas espalhadas em um cenário único da corrida eleitoral.

Mas, nos bastidores políticos, a leitura de Durango está longe de ser um consenso.
Embora o artigo tente passar uma imagem de precisão matemática, políticos e analistas experientes do Amazonas avaliam que a análise comete erros graves de método e chega a conclusões que os próprios números não garantem.

 

O EQUÍVOCO: MISTURAR PESQUISAS DIFERENTES COMO SE FOSSEM IGUAIS

 

O primeiro ponto criticado nos bastidores é a mistura de institutos com formas de trabalhar completamente diferentes.

Durango juntou levantamentos da AtlasIntel, Veritá, Census, IPEN, Action, Real Time Big Data e Comunidades em uma mesma conta.

O problema é que cada instituto tem seu próprio método: uns entrevistam por telefone, outros na rua ou pela internet. Além disso, a quantidade de pessoas ouvidas, o peso dado a cada região e a forma de lidar com os eleitores indecisos mudam muito de uma empresa para outra.

Na prática, analistas dizem que isso é o mesmo que somar coisas que não combinam para tentar criar uma média que parece exata, mas não é.

A crítica é direta: a conta pode parecer bonita, mas a base de comparação é frágil.

 

A “MÉDIA APARADA” QUE ENCOLHE A DISPUTA DE FORMA ARTIFICIAL

 

Outro ponto muito questionado é a chamada “média aparada” criada por Durango Duarte.

Ele simplesmente apagou os melhores resultados de cada candidato, chamando esses números de "fora da curva".

Foram retirados da conta: 39,8% de Omar Aziz;
41,3% de Maria Enxofre do Carmo; 20,8% de David Almeida; e 22,5% de Roberto Cidade.

Nos bastidores, os analistas acham que essa decisão foi pura escolha pessoal. O texto dele não prova, com matemática de verdade, que esses números estavam errados ou eram absurdos.

Sem essa prova, tirar o melhor momento de cada candidato causa um efeito óbvio: espreme a disputa e aproxima todo mundo à força. Ou seja, o método escolhido já foi feito para criar a ideia de que está tudo empatado.

 

A CONTRADIÇÃO SOBRE MARIA ENXOFRE DO CARMO

 

Outro erro apontado nos bastidores é a forma como a candidatura de Maria Enxofre do Carmo foi tratada.

O artigo assume que ela teve uma queda grande, despencando de mais de 38% para perto de 16%. Mesmo assim, conclui que ela estaria "protegida" pelos números e garantida no segundo turno.

Para os analistas, isso não faz sentido. Um candidato que perde mais de 20 pontos em pouco tempo mostra fraqueza e instabilidade, não segurança.

A crítica é que Durango usou o passado da candidata (a média de antes) para proteger alguém que está caindo agora. E, em eleição, o ritmo do momento vale muito mais do que o passado.

 

A ILUSÃO DA PRECISÃO EXATA

 

O texto também foi criticado por transformar porcentagem em número exato de votos.

Durango definiu que cada 1% na pesquisa vale exatamente 20 mil votos na urna, chegando a dizer que David Almeida e Roberto Cidade estão separados por "apenas 18 mil eleitores".

Especialistas dizem que essa conta é simplista demais. Na vida real, o número final de votos depende de muita coisa: quantas pessoas vão faltar no dia, a quantidade de votos brancos e nulos e o próprio aumento de eleitores no estado.

A conta ajuda a ilustrar o cenário, mas não tem a precisão científica que o texto tenta passar.

 

O ERRO DE TRATAR PESQUISA COMO PREVISÃO DO FUTURO

 

A maior crítica ao texto de Durango é tentar transformar a foto do momento em um resultado final antecipado.

O artigo foca muito em médias e gráficos, mas ignora o que decide uma eleição de verdade: a rejeição dos candidatos, quem tem mais chance de crescer, o tamanho dos partidos, os apoios políticos, a força no interior, o dinheiro de campanha e o tempo de TV.

Nos bastidores, a regra é clara: eleição não é uma foto congelada.

Dois candidatos podem ter a mesma porcentagem hoje e estar em situações completamente diferentes na disputa política.

 

A RETA FINAL SEGUE ABERTA

 

O ponto mais polêmico da análise é a afirmação de que só existiria “uma vaga aberta” para o segundo turno.

Mesmo que Omar Aziz lidere com folga a maioria das pesquisas, o meio político garante que o cenário ainda está totalmente indefinido.

O jogo muda a cada dia, e os analistas acham um exagero transformar variações normais de pesquisa em certezas antes da hora.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

O texto de Durango Duarte impressiona pelo esforço em organizar a bagunça das pesquisas eleitorais. Porém, nos bastidores do Amazonas, a opinião que cresce é a de que ele usou opiniões pessoais demais para bancar conclusões tão firmes.

A crítica final é simples: pesquisa mede o agora, não o amanhã. E quando você começa a escolher quais números vai usar ou descartar para caber na sua história, a linha que separa a análise técnica do palpite político fica perigosamente fina.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.