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'SEGREDOS DE BASTIDORES': A REELEIÇÃO DE ROBERTO CIDADE E O EFEITO DOMINÓ NO TABULEIRO DE 2026
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

*Por Antônio Zacarias - O tabuleiro político do Amazonas acaba de sofrer um sismo de alta magnitude. Com as renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza para a disputa das eleições gerais, Roberto Cidade (União Brasil) não apenas herda o Palácio da Compensa, mas o transforma em sua principal trincheira. A grande fofoca dos corredores da Assembleia Legislativa (Aleam) já não é mais se ele será eleito governador-tampão — isso é dado como certo —, mas sim o estrago que sua potencial candidatura à reeleição fará nos planos dos gigantes que já estavam com o bloco na rua.

 

Se Cidade decidir que "o poder vicia" e usar a máquina para tentar ficar na cadeira até 2030, a lista de ganhadores e perdedores será reescrita com tinta fresca. Confira quem sobe e quem desce nesse novo cenário:

 

QUEM GANHA: O "DONO DA CANETA" E O GRUPO DE WILSON LIMA

 

Roberto Cidade é, por definição, o maior beneficiário imediato. Se antes o risco era o "desemprego" político em 2027, a decisão de buscar a reeleição anula esse fantasma. Ele entra no jogo com o Bônus da Máquina.

 

CAPILARIDADE NO INTERIOR

 

Roberto Cidade passa a controlar o fluxo de convênios. Prefeitos que antes flertavam com a oposição agora farão fila na sede do governo para garantir recursos, e essa lealdade será cobrada nas urnas.

 

BLINDAGEM DE WILSON

 

Ao se manter no poder, Cidade garante um porto seguro para o ex-governador Wilson Lima, que ruma ao Senado. É a garantia de que a "continuidade" não será interrompida por uma devassa da oposição antes da hora.

 

QUEM PERDE: O CHOQUE NOS PRÉ-CANDIDATOS

 

A entrada de um governador com a "caneta pesada" na disputa direta mexe com o oxigênio dos adversários. Veja o impacto:

 

OMAR AZIZ, O FAVORITO AMEAÇADO

 

Até ontem, Omar Aziz liderava com folga as pesquisas (com cerca de 39% a 48% em diferentes cenários). Omar contava com o desgaste natural de um governo de fim de ciclo para se apresentar como a "experiência necessária".

 

Com Cidade na cadeira, Omar perde o discurso de "vácuo de liderança". Ele terá que enfrentar um candidato que, além de jovem, terá bilhões em orçamento para inaugurar obras e anunciar benefícios nos próximos meses. O "fator máquina" pode tirar de Omar os votos de centro e do interior.

 

DAVID ALMEIDA: O ISOLAMENTO NA CAPITAL

 

Para o prefeito de Manaus, o cenário é sombrio. David já enfrenta uma rejeição alta (63%, segundo a Census Consultoria) e agora vê seu principal adversário da capital assumir o controle do Estado.

 

David perde o protagonismo das entregas. Se Cidade asfaltar Manaus via convênios estaduais, quem leva a fama? O governador. David corre o risco de ser emparedado entre um governo estadual forte e uma oposição ferrenha na Câmara Municipal, minguando suas chances de chegar ao segundo turno.

 

MARIA ENXOFRE DO CARMO: A OOLARIZAÇÃO EM XEQUE

 

A reitora e empresária aparecia como a surpresa conservadora, ocupando o segundo lugar em pesquisas recentes (27%). Seu trunfo era ser a "novidade" contra os políticos tradicionais (Omar e David).

 

Roberto Cidade, embora político de carreira, tem uma imagem menos desgastada que os veteranos. Se Cidade conseguir cooptar a direita moderada e o apoio do bolsonarismo pragmático (via União Brasil/PL), Maria Enxofre do Carmo pode perder o posto de "única alternativa" e ver sua base migrar para quem realmente tem o poder de execução imediata.

 

O "CALCANHAR DE AQUILES": OS R$ 300 MILHÕES

 

O grande ponto de interrogação continua sendo o conflito de interesses. Se Cidade for candidato à reeleição enquanto governa, a artilharia sobre os contratos das empresas de sua família — que superam os R$ 300 milhões anuais com o Estado — será o tema central de todos os debates.

 

Na política amazonense, a caneta escreve o destino, mas o Ministério Público costuma usar borracha.

 

CONCLUSÃO PARA O DEBATE

 

Se Roberto Cidade assumir o governo e confirmar a candidatura, ele implode o planejamento de Omar Aziz, sufoca as pretensões de David Almeida e obriga Maria Enxofre do Carmo a radicalizar o discurso. Ele deixa de ser o "soldado do grupo" para se tornar o general da tropa.

 

A pergunta que fica nos bastidores é: o sistema político do Amazonas permitirá que um único grupo controle, simultaneamente, o Governo, a maioria da Assembleia e as vagas para o Senado?

 

O pôquer de Cidade nunca teve apostas tão altas. Quem tiver menos ficha (ou menos estômago), vai ter que pedir pra sair.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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