*Por Antônio Zacarias
PODE ATÉ PODER, MAS DEVERIA?
Nos bastidores de Manaus, a pergunta não é se pode — é se deveria. A pré-candidatura de Arthur Virgílio Neto à Câmara Federal soa, para muitos, como falta de pudor político.
O PASSADO NÃO SE APAGA COM MARKETING
O passado recente pesa. E pesa muito. Não se apaga com discurso nem com marketing eleitoral.
UMA MORTE QUE NÃO SAI DA MEMÓRIA
O assassinato do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos continua sendo uma ferida aberta na memória pública do Amazonas.
O EPISÓDIO QUE OS CORREDORES NÃO ESQUECEM
O fato central, repetido à boca miúda nos corredores: Flávio foi morto dentro da casa do enteado do então prefeito, após uma noitada marcada por excessos.
EXCESSOS, DROGAS E TRAGÉDIA
Nos bastidores, ninguém esquece: bebida, cocaína e jovens reunidos num ambiente que terminou em tragédia.
JUSTIÇA FORMAL, HUMANIDADE AUSENTE
Houve processo. Houve absolvição em primeira instância. Houve recurso. Mas não houve empatia pública.
O SILÊNCIO QUE MAIS CHOCOU
O silêncio do então prefeito e da ex-primeira-dama diante da dor da mãe de Flávio é lembrado como o gesto mais duro.
NA POLÍTICA, SILÊNCIO É SÍMBOLO
Bastidores são implacáveis: política também é símbolo. E o símbolo daquele silêncio permanece.
QUANDO A VIDA COBRA SUA CONTA
Anos depois, a vida cobra: doença, UTI, fragilidade — e a perda irreparável de Arthur Bisneto.
A DOR NÃO REESCREVE A HISTÓRIA
Ninguém relativiza essa dor. Mas ela não apaga o passado.
SOFRIMENTO ENSINA?
O que se comenta é que a dor poderia ter ensinado algo que o poder não ensinou.
O RETORNO COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO
Mesmo assim, Arthur reaparece no tabuleiro eleitoral como se o tempo tivesse apagado tudo.
DESCOLAMENTO DA REALIDADE
Para lideranças ouvidas reservadamente, isso beira o completo descolamento da realidade.
FALTA CONSTRANGIMENTO HISTÓRICO
A avaliação interna é direta e dura: “Falta constrangimento histórico”.
O AMAZONAS TEM MEMÓRIA
A política do Amazonas não é terra sem memória — e a memória coletiva não perdoa fácil.
MORALIDADE SEM HUMANIDADE NÃO SE SUSTENTA
O discurso de experiência e ética perde força quando confrontado com episódios que exigiam humanidade.
NEM OS ALIADOS SE ANIMAM
Bastidores apontam que a pré-candidatura não empolga nem aliados antigos.
MAIS NEGAÇÃO DO QUE PROJETO
Há quem diga que a tentativa de retorno soa mais como negação do que como proposta política real.
A PALAVRA QUE ECOA NOS CORREDORES
Em rodas fechadas, a palavra mais repetida não é “direito”, é vergonha.
ELEIÇÃO NÃO É ANISTIA MORAL
Conclusão de bastidor: quem pretende representar o Amazonas precisa, antes, encarar o próprio passado — porque eleição não apaga história.
Nada disso é sentença judicial. Tudo é leitura política. Mas, em ano pré-eleitoral, leitura política decide destino.
*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.