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'SEGREDOS DE BASTIDORES': AVENIDA BILIONÁRIA DE MARIA ENXOFRE DO CARMO BENEFICIARIA HOTEL DE SEU GRUPO EMPRESARIAL, ALERTA ESPECIALISTA
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

SEGREDOS DE BASTIDORES

 

*Por Antônio Zacarias - Minha gente, toda grande obra pública começa com duas perguntas: Quem paga? E quem será beneficiado?

 

No caso da avenida anunciada por Maria Enxofre do Carmo, candidata ao Governo do Amazonas pelo PL, existe uma terceira pergunta: Por que gastar bilhões de reais numa via que, segundo o especialista em mobilidade urbana Manoel Paiva, serviria para ligar a região onde está o Hotel Tropical ao Porto do Ceasa?

 

O HOTEL É DO GRUPO DELA

 

O antigo Hotel Tropical foi adquirido pelo Grupo Fametro, comandado por Maria Enxofre do Carmo e seu núcleo familiar.

 

Agora, Maria Enxofre do Carmo aparece como candidata propondo uma gigantesca avenida pela orla, saindo justamente da região da Ponta Negra e seguindo até o Porto do Ceasa.

 

Não é ilegal, claro, uma candidata apresentar uma proposta que possa beneficiar uma região onde possui empreendimento.

 

Também não é ilegal perguntar:

Essa obra foi pensada para resolver os problemas de Manaus ou para valorizar negócios privados localizados em seu percurso?

 

A AVALIAÇÃO DE MANOEL PAIVA

 

Segundo Manoel Paiva, a avenida teria como principal efeito criar uma ligação entre o Hotel Tropical e o Porto do Ceasa.

 

Na avaliação dele, o empreendimento atenderia diretamente aos interesses do hotel pertencente ao grupo empresarial de Maria Enxofre do Carmo e de sua família.

 

Isso muda completamente o debate. Não estamos falando apenas de uma avenida. Estamos falando de uma obra pública bilionária que poderia favorecer diretamente um empreendimento privado ligado à pessoa (no caso Maria Enxofre) que está propondo.

 

COINCIDÊNCIA DEMAIS

 

Maria Enxofre do Carmo apresenta uma avenida pela orla. E onde fica o ponto de partida? Adivinha, perspicaz leitor!

 

Na região do Hotel Tropical. Bestinha a Maria Enxofre, né?

 

O hotel pertence ao grupo empresarial comandado por ela e sua família.

 

A obra poderá custar bilhões de reais. E quem vai bancar o faraônico projeto? Os contribuintes amazonenses, evidentemente.

 

Essa coisa de o projeto beneficiar o hotel pertencente a Maria Enxofre pode ser coincidência? Em se tratando da gulosa Maria Enxofre e de sua insaciável família, claro que não. Até porque na política nada se faz por ingenuidade.

 

QUEM GANHA COM A AVENIDA?

 

A Maria Enxofre do Carmo precisa responder:

 

O Hotel Tropical seria diretamente beneficiado pela nova ligação? Quanto o empreendimento poderia ser valorizado? O projeto prevê acesso especial à área do hotel? Existem estudos de mobilidade independentes? Quem definiu o traçado? A proposta partiu de técnicos ou do grupo político da candidata? Os proprietários de empresas localizadas na região foram consultados?

 

São perguntas objetivas. A candidata não deve se esconder atrás de maquetes bonitas e vídeos de campanha.

 

OS PORTOS PODEM PERDER

 

O alerta de Manoel Paiva vai além do possível benefício ao Hotel Tropical.

 

Segundo ele, uma avenida construída ao longo daquela área poderia interferir nas operações portuárias do Porto de Manaus, da Manaus Moderna, do Porto Chibatão e do Super Terminais.

 

Também poderia atrapalhar as operações da Fogás.

 

Essas empresas e estruturas não são detalhes no mapa. Elas movimentam cargas, abastecem Manaus, geram empregos e fazem parte da logística do Polo Industrial.

 

Uma obra que interfira na atividade portuária pode encarecer o transporte, prejudicar empresas e produzir efeitos sobre toda a economia do Amazonas.

 

QUEM FOI CONSULTADO?

 

Antes de apresentar a proposta aos eleitores, a Maria Enxofre do Carmo ouviu os portos? Consultou os estaleiros? Conversou com a Fogás? Procurou as empresas instaladas na orla? Apresentou estudos sobre o impacto na movimentação de cargas? Mostrou como seriam preservados os acessos fluviais?

 

Até agora, não se conhece publicamente nenhum estudo detalhado capaz de responder a essas perguntas.

 

O QUE EXISTE É PROMESSA

 

Não há projeto executivo conhecido, não há traçado definitivo apresentado, não há estudo de tráfego divulgado, não há licenciamento ambiental, não há levantamento batimétrico, não há detalhamento das interferências portuárias, não há demonstração pública da fonte dos recursos.

 

Mas já existe discurso eleitoral. É sempre assim. Primeiro aparece a maquete. Depois aparecem os bilhões.

 

A ENGENHARIA NÃO CABE NO PALANQUE

 

O engenheiro civil Frank Albert Araújo considera a obra tecnicamente possível, mas coloca uma condição indispensável; é preciso projeto e estudo.

 

Segundo ele, seriam necessárias sondagens, batimetria, definição de fundações e análise das estruturas existentes ao longo da orla.

 

A região possui portos, estaleiros, captação de água, refinaria e instalações industriais.

 

Não é um terreno vazio esperando asfalto. Cada obstáculo pode exigir pontes, viadutos, desvios e fundações especiais.

 

A CONTA BILIONÁRIA

 

A estimativa preliminar apresentada pelo engenheiro chega perto de R$ 10 bilhões. Repito: R$ 10 bilhões.

 

Esse número não é um orçamento definitivo, porque ainda não existe projeto executivo conhecido, mas revela a dimensão da promessa.

 

Quantos hospitais poderiam ser construídos com esse dinheiro? Quantas escolas poderiam ser reformadas? Quantos quilômetros de ruas poderiam receber drenagem e pavimentação Quantos corredores de ônibus poderiam ser implantados? Quanto poderia ser investido no interior?

 

Antes de prometer uma avenida bilionária, a Maria Enxofre do Carmo precisa explicar por que essa seria a prioridade do Amazonas.

 

UMA OBRA PARA VÁRIOS GOVERNOS

 

Segundo Frank Albert Araújo, somente os estudos e projetos poderiam levar de dois a três anos.

 

A execução consumiria mais quatro ou cinco anos.

 

Isso sem contar licenciamento, desapropriações, licitações, contestações judiciais e dificuldades de financiamento.

 

Portanto, não seria uma obra de um mandato. Seria uma obra atravessando vários governos e deixando uma conta gigantesca para os sucessores.

 

MANAUS TEM OUTRAS PRIORIDADES

 

Manoel Paiva defende uma política integrada de mobilidade.

 

Manaus precisa de transporte coletivo eficiente, precisa de corredores exclusivos, precisa recuperar suas vias, precisa melhorar a drenagem, precisa reorganizar o transporte de cargas, precisa integrar os modais rodoviário e hidroviário, precisa cuidar dos acessos ao Distrito Industrial e aos portos.

 

Será que uma avenida bilionária pela orla é mais urgente do que tudo isso?

 

OU É UMA AVENIDA PARA O HOTEL?

 

Essa é a pergunta que a Maria Enxofre do Carmo precisa responder claramente.

 

A obra resolveria o trânsito de Manaus ou criaria um acesso privilegiado para o hotel de seu grupo empresarial? Atenderia milhares de passageiros do transporte coletivo ou valorizaria terrenos e negócios particulares ao longo da orla? Foi concebida a partir das necessidades da população ou dos interesses econômicos existentes naquela região?

 

Quero deixar bem claro que não estou afirmando que exista ilegalidade. Estou exigindo transparência.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Minha gente, a proposta da Maria Enxofre do Carmo pode ser bonita na maquete, mas está cercada de perguntas.

 

A obra pide custar bilhões, pode atravessar vários governos, interferir nas operações dos principais portos de Manaus, prejudicar estruturas industriais instaladas na orla.

 

Ainda segundo Manoel Paiva, beneficiaria diretamente o antigo Hotel Tropical, empreendimento pertencente ao grupo empresarial comandado pela própria Maria Enxofre e por sua família.

 

Tô certo ou tô errado?

 

Maria Enxofre do Carmo quer governar o Amazonas. Por isso, precisa explicar se sua avenida é uma prioridade pública ou um projeto que termina valorizando um patrimônio privado ligado ao seu próprio grupo.

 

Quando uma promessa eleitoral pode beneficiar o patrimônio de quem a apresenta, o mínimo a fazer é agir com transparência.

 

Tô certo ou tô errado?

 

Aguardemos os próximos capítulos…

 

Quem viver verá, como diria o grande Paulo Francis.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.


Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.


Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.


Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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