.jpeg)
BASTIDORES DO PODER
*Por Antônio Zacarias - Nem Maria Enxofre do Carmo. Nem Capitão Alberto Neto.
Nas redes sociais e no meio político amazonense, a declaração mais forte do fim de semana não foi dada por um adversário do PL. Veio de dentro da própria legenda.
Ao afirmar que “quem entrou depois de mim tem que prestar continência”, o deputado estadual Cabo Maciel mandou um recado que dificilmente será interpretado apenas como uma demonstração de antiguidade partidária.
A frase foi pronunciada durante entrevista concedida ao Portal On-line Multimídia, quando o parlamentar também revelou que apoia o governador Wilson Lima para o Senado e que trabalha na construção de outro nome para a disputa majoritária.
Em política, especialmente em ano eleitoral, palavras raramente são escolhidas por acaso. E nas hostes do PL, a leitura foi imediata.
O alvo não parece ser outro senão a dupla que hoje simboliza o projeto eleitoral do partido no Amazonas: Maria Enxofre do Carmo para o Governo e Capitão Alberto Neto para o Senado.
O PL ESTÁ LONGE DE SER UMA FAMÍLIA UNIDA
Oficialmente, o discurso é de unidade, mas is acontecimentos das últimas semanas mostram uma realidade bem diferente.
A relação entre Maria Enxofre do Carmo e o grupo comandado por Alfredo Nascimento vem se deteriorando gradativamente.
O episódio mais emblemático ocorreu quando Alfredo viajou a Brasília e apareceu ao lado de Valdemar Costa Neto em um vídeo que rapidamente ganhou repercussão nos meios políticos.
Na gravação, o presidente nacional do PL fez questão de enfatizar que quem manda no partido no Amazonas é Alfredo Nascimento.
Mais do que uma declaração administrativa, a fala foi interpretada como uma demonstração pública de autoridade.
Na prática, uma intervenção política. Não por acaso, muitos aliados de Maria Enxofre do Carmo enxergaram o gesto como uma velada humilhação pública da pré-candidata.
O RECADO DE CABO MACIEL COMPLETA O QUE VALDEMAR COMEÇOU
Se Valdemar disse que a caneta está nas mãos de Alfredo, Cabo Maciel agora lembrou quem, segundo ele, possui história dentro da legenda.
A soma das duas mensagens produz um efeito político relevante. Primeiro, a direção nacional reafirma a autoridade de Alfredo.
Depois, um dos mais antigos integrantes do partido lembra que existe uma hierarquia interna que deve ser respeitada.
Nos corredores do poder e entre analistas políticos, a avaliação é que as declarações caminham na mesma direção: demonstrar que Maria Enxofre do Carmo não controla o PL amazonense, apesar de ser a principal aposta eleitoral da legenda para a disputa ao Governo.
O DETALHE MAIS REVELADOR
O trecho mais intrigante da entrevista talvez nem seja a frase da continência. É o apoio declarado de Cabo Maciel ao governador Wilson Lima para o Senado.
Hoje, o projeto oficial do PL é a candidatura de Capitão Alberto Neto.
Quando uma das lideranças históricas do partido manifesta preferência por outro nome para a mesma vaga, o sinal político é inevitável.
Isso indica que parte importante da legenda não está (e possivelmente nunca esteve) comprometida com a composição eleitoral atualmente apresentada ao eleitorado.
Tais gestos revelam algo perigoso para uma campanha: falta de entusiasmo interno.
A DISPUTA REAL NÃO É CONTRA OMAR
Enquanto os adversários concentram esforços em atacar grupos externos, uma parcela crescente dos dirigentes políticos avalia que o principal problema do PL está dentro de casa.
O partido possui estrutura, recursos, apoio nacional, mas ainda não conseguiu resolver a disputa de poder entre o grupo tradicional liderado por Alfredo Nascimento e a ala que se formou em torno de Maria Enxofre do Carmo.
Quem transita no meio político sabe que campanhas eleitorais costumam sofrer quando coexistem dois centros de comando.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
A fala de Cabo Maciel revelou algo que muitos dirigentes tentam esconder: a crise interna do PL amazonense está longe de terminar.
Primeiro veio o vídeo de Valdemar Costa Neto reafirmando a autoridade de Alfredo Nascimento e, portanto, pondo Maria Enxofre do Carmo em seu devido lugar.
Agora surge uma das principais lideranças históricas do partido lembrando que os recém-chegados precisam “prestar continência”.
Entre os analistas políticos e nos bastidores do poder, a leitura é clara: a disputa pelo Governo do Amazonas ainda nem começou oficialmente, mas a guerra pelo controle político do PL já está em andamento - e não é de agora.
Neste momento, os sinais indicam que a maior preocupação do partido talvez não esteja fora de seus quadros. Está dentro deles.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.