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BASTIDORES DA POLÍTICA
*Por Antônio Zacarias - O vídeo de 33 segundos postado por Maria Enxofre do Carmo (PL) não foi apenas um erro de comunicação; foi uma granada sem pino lançada no colo da própria pré-campanha. Nos bastidores, o clima entre aliados é de perplexidade.
Enquanto Maria Enxofre tentava construir uma imagem de gestora técnica e moralmente inabalável, a defesa entusiasmada de Flávio Bolsonaro no caso do Banco Master revelou uma vulnerabilidade que os adversários não vão perdoar: a seletividade ética.
O ERRO ESTRATÉGICO
O que mais irritou os operadores políticos do grupo foi o "timing". Maria do Carmo teve quase dois dias de silêncio — tempo suficiente para preparar uma resposta institucional, equilibrada ou até evasiva. Em vez disso, optou pelo sincericídio. Ao dizer que "não viu irregularidade" em um senador pedir R$ 134 milhões a um banco sob investigação, ela não apenas defendeu o clã Bolsonaro; ela assinou embaixo de práticas que seu eleitorado dizia odiar.
MUNIÇÃO PARA A OPOSIÇÃO
A frase "É uma prática que nós já estamos acostumados a ver" caiu como música nos ouvidos dos marqueteiros adversários. Nos bastidores, já se fala que esse trecho será exaustivamente usado para carimbar em Maria Enxofre do Carmo o selo de "mais do mesmo". O discurso da "nova política" derreteu. Se ela acha normal o que o país acha escandaloso, qual seria o padrão de ética de seu eventual governo? Essa é a pergunta que agora ecoa nos grupos de WhatsApp da política amazonense.
ISOLAMENTO E DESGASTE NO PL
Dentro do PL, a movimentação é de cautela. Fontes ligadas à cúpula partidária indicam que a defesa cega de Maria Enxofre do Carmo pode afastar o eleitor moderado, aquele que gosta de Bolsonaro, mas tem ojeriza a escândalos financeiros. Ao se amarrar tão fortemente ao episódio do Banco Master e de Daniel Vorcaro, ela deixou de ser uma alternativa de "gestão pura" para se tornar uma defensora de polêmicas de Brasília.
O IMPACTO NO ELEITORADO
A análise de bastidor é clara: Maria Enxofre do Carmo subestimou a inteligência do eleitor. Tentar normalizar relações nebulosas entre o poder público e o sistema financeiro sob o pretexto de ser "algo comum" é um tiro no pé para quem baseia sua plataforma na moralidade. O episódio mostrou que, entre a ética e o alinhamento ideológico cego, a pré-candidata já escolheu um lado.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Maria Enxofre do Carmo entrou no jogo prometendo ser o "enxofre" que queimaria as velhas práticas, mas acabou perfumando o que há de mais arcaico na política de influência.
O vídeo gravado por ela produziu um efeito oposto ao pretendido. Em vez de demonstrar firmeza política, acabou revelando fragilidade argumentativa, desgaste ético e um alinhamento automático com um caso cercado de suspeitas nacionais.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.