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'SEGREDOS DE BASTIDORES': COMEÇOU A CAMPANHA. AGORA, QUEM TEM VOTO MOSTRA FORÇA; QUEM TEM APENAS DINHEIRO FARÁ BARULHO
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

SEGREDOS DE BASTIDORES

 

*Por Antônio Zacarias - Minha gente, acabou o ensaio. A campanha eleitoral começou oficialmente no domingo, dia 16, e, a partir de agora, os candidatos podem pedir voto de maneira explícita, realizar comícios, promover caminhadas, passeatas e carreatas, distribuir material gráfico e ocupar as ruas e as redes sociais.

 

Na televisão e no rádio, a propaganda eleitoral só começa no dia 28 de agosto.

 

Isso significa que, durante os próximos dias, a primeira grande batalha da eleição será travada principalmente nas ruas e na internet.

 

Quem tiver militância vai tentar demonstrar força; quem tiver dinheiro vai impulsionar conteúdo, contratar equipes e espalhar anúncios, quem tiver estrutura política vai colocar prefeitos, vereadores, deputados e lideranças comunitárias para trabalhar; e quem não tiver nada disso vai tentar compensar com discurso, criatividade e disposição para andar.

 

A partir de agora, meu amigo, minha amiga, não existe mais pré-candidato, existe candidato pedindo voto, existe eleitor observando.

 

COMEÇOU A GUERRA PELO VOTO

 

Até sábado, os candidatos precisavam tomar cuidado com as palavras.

 

Podiam anunciar projetos, apresentar ideias, visitar municípios, conceder entrevistas e falar sobre suas pretensões políticas, mas não podiam pedir voto explicitamente. Agora podem.

 

A legislação permite comícios, caminhadas, passeatas, carreatas, distribuição de material gráfico, anúncios pagos em jornais, propaganda na internet e utilização de alto-falantes e amplificadores, desde que sejam respeitados os horários e os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

 

A mudança mais importante, porém, não está apenas naquilo que a lei passou a permitir, está na cabeça do eleitor.

 

Quando começa oficialmente a campanha, a política deixa de ser assunto restrito aos partidos, aos jornalistas, aos institutos de pesquisa e aos profissionais de bastidores. Ela começa a entrar na vida das pessoas.

 

O candidato aparece na rua, pede voto, entrega santinho, visita feira, entra em comércio, abraça eleitor, grava vídeo, faz carreata e tenta transformar presença em apoio eleitoral.

 

É nesse momento que a eleição começa a adquirir forma.

 

AS RUAS SERÃO O PRIMEIRO TESTE

 

Minha gente, carreata grande não significa necessariamente voto. Comício cheio também não garante eleição. Concorda comigo?

 

Todo mundo que conhece política sabe que evento pode ser organizado, militância pode ser contratada, ônibus pode transportar gente e fotografia pode criar uma impressão muito maior do que a realidade.

 

Mesmo assim, a rua continua sendo um termômetro importante. É nela que o candidato percebe se é recebido com entusiasmo, com educação, com indiferença ou com rejeição.

 

Vídeo produzido pode esconder muita coisa. Uma caminhada no meio do povo, não. Na rua, o candidato é obrigado a olhar nos olhos das pessoas.

 

É ali que escuta a reclamação do servidor, do comerciante, do motorista de aplicativo, do desempregado, do morador da periferia e da mãe que espera meses por uma consulta médica.

 

A campanha oficial retira o político do conforto do gabinete, do estúdio e das reuniões fechadas. Agora ele precisa enfrentar a realidade.

 

Quem entende de política sabe que a realidade, muitas vezes, é bem diferente daquela mostrada por assessores que vivem dizendo ao candidato exatamente aquilo que ele deseja ouvir.

 

A INTERNET SERÁ UM CAMPO DE BATALHA

 

Antes mesmo do início da propaganda no rádio e na televisão, a internet já estará fervendo.

 

Os candidatos podem fazer propaganda em sites e redes sociais, produzir vídeos, divulgar propostas e contratar impulsionamento dentro das regras eleitorais. Preparem-se!

 

A partir de agora, o eleitor será bombardeado por vídeos emocionantes, músicas, frases de efeito, denúncias, promessas, ataques e conteúdos cuidadosamente produzidos para viralizar.

 

Haverá candidato tentando parecer humilde e candidato tentando parecer preparado. Também haverá candidato querendo convencer o eleitor de que é perseguido.

 

Haverá ainda candidato gastando uma fortuna para vender nas redes sociais uma popularidade que talvez não exista nas ruas. É preciso separar propaganda de realidade.

 

Na internet, um vídeo bem editado pode transformar uma caminhada esvaziada numa multidão. Um corte de poucos segundos pode fazer uma resposta razoável parecer desastrosa. Uma frase fora do contexto pode destruir uma reputação construída durante anos.

 

A eleição de 2026 não será disputada somente com palanques e carros de som, será disputada com celulares.

 

Cada eleitor se tornou um espectador, um comentarista e também um potencial propagador de informações verdadeiras ou falsas.

 

Por isso, as campanhas vão investir pesado nas redes.

 

A TELEVISÃO AINDA PODE MUDAR O JOGO

 

A propaganda no rádio e na televisão começa no dia 28 de agosto. É quando a campanha entra numa segunda fase.

 

A internet é poderosa, mas não alcança todos os eleitores da mesma maneira. A televisão e o rádio ainda possuem enorme importância, principalmente entre quem não acompanha diariamente as redes sociais ou ainda não decidiu em quem votar.

 

É no horário eleitoral que muitos candidatos serão apresentados de verdade ao grande público.

 

Alguns terão tempo para contar a própria história, exibir realizações e explicar propostas. Outros aparecerão por poucos segundos e precisarão transformar cada aparição numa mensagem eficiente.

 

É aí que alianças partidárias e tempo de propaganda começam a pesar.

 

Candidato desconhecido pode crescer se tiver um programa bem produzido. Candidato conhecido pode desabar se não souber explicar seus erros. E candidato que aparece forte nas redes pode descobrir que sua bolha digital é muito menor do que imaginava.

 

Não podemos esquecer: curtida não é voto, compartilhamento não é voto, comentário de militante não é voto.

 

Voto é o que o eleitor deposita secretamente na urna.

 

A DISPUTA NO AMAZONAS VAI GANHAR CORPO

 

Aqui no Amazonas, o início da campanha oficial permitirá observar quem realmente possui capilaridade política.

 

O Omar Aziz vai tentar transformar sua presença no interior e o apoio de prefeitos em votos.

 

O Roberto Cidade buscará utilizar a visibilidade conquistada no Governo do Estado para crescer e se consolidar na disputa pelo segundo turno.

 

O David Almeida precisará demonstrar que ainda conserva uma base eleitoral forte em Manaus e que consegue avançar para além da capital.

 

A Maria Enxofre do Carmo tentará transformar o apoio do eleitorado bolsonarista numa candidatura capaz de competir em todo o Amazonas.

 

Todos começam oficialmente a mesma campanha, mas não partem do mesmo lugar.

 

Uns possuem mais estrutura, outros têm mais experiência, alguns aparecem melhor nas pesquisas, outros contam com menor rejeição ou maior espaço para crescer.

 

A lei procura garantir igualdade de condições, mas a política real nunca é uma corrida entre candidatos com recursos idênticos.

 

Existe candidato com máquina partidária, dinheiro, aliados e dezenas de prefeitos, e existe candidato que praticamente terá de bater de porta em porta.

 

A legislação estabelece limites para evitar que a diferença de poder econômico transforme a eleição numa competição sem regras.

 

Resta saber se esses limites serão efetivamente respeitados e fiscalizados.

 

Difícil, não é mesmo?

 

AGORA AS PESQUISAS SERÃO POSTAS À PROVA

 

Até aqui, as pesquisas mediram um eleitorado que ainda não estava completamente mergulhado na campanha.

 

Muita gente respondia com base apenas no nome que conhecia, na lembrança de eleições anteriores ou numa preferência ainda superficial.

 

Agora começa a exposição pesada. Os candidatos vão aparecer mais, os ataques aumentarão e as diferenças entre eles ficarão mais claras.

 

É a partir deste momento que saberemos quem tem voto consolidado e quem aparece bem apenas porque é conhecido.

 

Também descobriremos quem possui espaço para crescer.

 

O candidato que começa liderando pode permanecer na frente, mas também pode virar o principal alvo dos adversários.

 

Quem aparece em segundo lugar será atacado por quem está atrás. E quem estiver em terceiro ou quarto precisará arriscar mais, porque campanha curta não permite esperar eternamente por uma reação espontânea do eleitor.

 

Daqui em diante, cada pesquisa será analisada como se fosse resultado de eleição. No entanto, continua valendo o alerta: pesquisa é fotografia do momento, não escritura registrada do futuro.

 

PROPAGANDA NÃO PODE VIRAR TERRA SEM LEI

 

A professora e autora Amanda Cunha lembra que as regras da propaganda eleitoral existem, em primeiro lugar, para garantir alguma igualdade de condições na disputa. É exatamente isso.

 

A eleição não pode se transformar numa guerra vencida exclusivamente por quem possui mais dinheiro, controla mais estruturas ou consegue produzir o maior volume de propaganda.

 

Existem horários, limites, obrigações e proibições.

 

O candidato pode pedir voto, mas não pode comprar voto; pode fazer propaganda, mas não pode espalhar mentira impunemente; pode contratar impulsionamento legal, mas não pode ocultar gastos nem financiar estruturas clandestinas para atacar adversários; pode criticar, questionar e comparar administrações.

 

O que não pode é destruir reputações com acusações inventadas, documentos falsos ou montagens produzidas para enganar o eleitor.

 

A liberdade de expressão é essencial numa democracia, mas liberdade não significa licença para cometer crime.

 

O ELEITOR PRECISA FAZER A PRÓPRIA FISCALIZAÇÃO

 

Minha gente, a Justiça Eleitoral não estará em cada esquina, em cada grupo de WhatsApp ou em cada perfil de rede social.

 

O eleitor também precisa fiscalizar. Antes de compartilhar uma denúncia, você, eleitor, deve verificar a origem.

 

Antes de acreditar numa promessa, você deve perguntar como ela será cumprida.

 

Antes de votar em quem diz que vai resolver tudo, você precisa examinar o que esse candidato fez quando teve poder.

 

Campanha eleitoral é uma temporada de sedução. O candidato abraça criança, toma café na feira, entra na casa do pobre, dança, canta, sorri e tenta parecer íntimo de todo mundo.

 

Depois da eleição, alguns desaparecem. Quase todos, na verdade.

 

Por isso, mais importante do que observar o comportamento do candidato durante os próximos dois meses é lembrar o que ele fez nos últimos quatro, oito ou vinte anos.

 

O político deve ser julgado pelo conjunto da obra, não somente pelo espetáculo produzido por sua equipe de marketing.

 

A CAMPANHA COMEÇOU, MAS A ELEIÇÃO AINDA ESTÁ ABERTA

 

A partir deste domingo, os candidatos estão oficialmente autorizados a pedir o voto do eleitor.

 

Veremos comícios, caminhadas, carreatas, santinhos, bandeiras, jingles, vídeos, anúncios e uma quantidade quase infinita de promessas.

 

No dia 28, rádio e televisão entrarão com força nessa disputa.

 

Quem estiver bem tentará consolidar a vantagem, quem estiver atrás partirá para o ataque, quem tiver rejeição buscará suavizar a própria imagem, quem for desconhecido tentará apresentar-se como novidade, e quem não tiver proposta provavelmente tentará sobreviver falando apenas dos defeitos dos adversários.

 

Digo a você, caro leitor, que nenhuma propaganda, por mais cara e bem produzida que seja, consegue apagar completamente a realidade.

 

O eleitor sabe quanto paga no supermercado, sabe quanto tempo espera por atendimento médico, sabe se encontra emprego, sabe se o ônibus funciona, sabe se a rua onde mora está asfaltada e sabe, sobretudo, quem só aparece em época de eleição.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Minha gente, começou a campanha. Agora acabou a conversa de pré-candidato.

 

Quem quer governar o Amazonas terá que explicar por que merece o voto, mostrar o que já fez e dizer, com clareza, o que pretende fazer.

 

As ruas revelarão quem tem militância, internet mostrará quem domina a comunicação, o rádio e a televisão exibirão quem possui estrutura, os debates revelarão quem tem preparo e as urnas dirão quem realmente tem voto.

 

A largada foi dada neste domingo. Agora, quem tem voto mostra força. Quem tem apenas dinheiro fará barulho. Quem tem proposta poderá convencer. E quem tem passado para esconder tentará fazer o eleitor perder a memória.

 

A campanha começou, mas a pergunta que decidirá esta eleição continua sendo a mesma: Quando as bandeiras forem recolhidas, os jingles silenciarem e os marqueteiros desligarem as câmeras, quem estará realmente preparado para governar o Amazonas?

 

Quem viver verá, como diria o grande Paulo Francis.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.


Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.


Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.


Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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