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*Por Antônio Zacarias - Na política, o número que não encontra eco na rua é apenas um palpite digital.
Como já alertamos anteriormente, existe um abismo entre o Amazonas que clica e o Amazonas que vota.
Enquanto institutos que fazem o "olho no olho" apresentam um cenário de estabilidade, a AtlasIntel continua sendo uma ilha estatística.
Para que o leitor entenda o tamanho da discrepância, montamos o quadro comparativo abaixo com os dados mais recentes de março de 2026:
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O dado salta aos olhos: como pode um prefeito com a máquina na mão ter apenas 9% em uma pesquisa e 22% em outra? A resposta está no método. O "recrutamento digital" da Atlas ignora quem não vive colado no celular, enquanto a Real Time ouve o cidadão na feira, no ônibus e na porta de casa.
HISTÓRICO DE "DERRAPAGENS": QUANDO O ALGORITMO FALHOU
Não é perseguição; é memória política. A AtlasIntel já entregou resultados que as urnas trataram de desmentir em eleições passadas:
1) Bahia (2022): O instituto insistiu em uma liderança folgada de Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno, chegando a apontar vitória líquida, enquanto outros institutos davam vantagem a ACM Neto. Embora Jerônimo tenha vencido, a flutuação dos números e a distância da realidade dos municípios do interior baiano geraram críticas severas à época.
2) Rio Grande do Sul (2022): No primeiro turno gaúcho, o algoritmo da Atlas subestimou o crescimento de Onyx Lorenzoni, que acabou terminando à frente de Eduardo Leite — um movimento que as pesquisas de campo captaram com muito mais precisão na reta final.
3) Santa Catarina (2022): A dificuldade em ler o voto conservador "de base" e a força das lideranças regionais no interior também resultaram em distorções nas projeções iniciais do instituto naquele estado.
POR QUE ISSO É UMA ARMADILHA NO AMAZONAS?
O Amazonas não é São Paulo. Aqui, a logística é o maior desafio, tanto para governar quanto para pesquisar.
Quando uma pesquisa é feita 100% pela internet, ela ouve a "bolha" de Manaus e ignora os 61 municípios do interior onde o sinal de rede é precário.
Ao colocar Maria do Carmo com quase 15 pontos de vantagem sobre o que mostram as pesquisas presenciais, a Atlas cria um "factoide" político.
Isso serve para dar moral à militância e atrair doadores, mas corre o risco de derreter quando o primeiro barco de campanha encosta no porto de Coari ou Itacoatiara.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O eleitor precisa estar atento: pesquisa que não caminha, não conhece o caminho.
Na AtlasIntel, Maria do Carmo é gigante e David Almeida é invisível.
No asfalto da capital e nas barrancas dos rios, o jogo é outro.
Nos bastidores, o que se diz é que o "voto do Wi-Fi" é volátil, mas o "voto do estirão" é o que decide a eleição no Amazonas.
Quem se fia apenas em tela de computador pode ter uma surpresa amarga quando a urna começar a falar.
Continuaremos comparando, fiscalizando e expondo as contradições. Porque a verdade da política não aceita filtros de Instagram.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.