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Segredos de Bastidores
'SEGREDOS DE BASTIDORES': DUAS VAGAS, MUITOS CACIQUES E UM FUNIL ESTREITO
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

*Por Antônio Zacarias - Se a disputa pelo Governo é um jogo de xadrez, a do Senado em 2026 é um campo de batalha.

Diferente de 2022, agora são duas vagas.

O dobro de oportunidade?

Pelo contrário.

O dobro de pressão.

A janela partidária atual é o filtro que vai determinar quem terá legenda para peitar os gigantes.

 

AS CADEIRAS EM JOGO

Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) encerram seus mandatos.

Braga busca a renovação para manter seu peso em Brasília e a liderança do MDB.

Plínio tenta resistir à polarização, apostando no voto de opinião e no mandato independente.

Mas o tabuleiro está congestionado.

 

O FATOR WILSON LIMA

O governador Wilson Lima (União) é a peça que todos monitoram.

Recentemente, ele indicou que pretende concluir o mandato no Governo.

Se mantiver essa posição, ele abre mão de uma candidatura quase certa ao Senado para ser o "grande eleitor" da sucessão estadual.

Isso altera todo o cálculo da janela:

Sem Wilson na disputa, abre-se um vácuo de poder que outros nomes tentam preencher agora, trocando de partido para garantir o "bilhete premiado" da chapa majoritária.

 

O AVANÇO DA DIREITA

Capitão Alberto Neto (PL) aparece como um competidor feroz.

Com o apoio declarado de Jair Bolsonaro, ele tenta consolidar uma das vagas surfando no eleitorado conservador de Manaus.

Para ele, a janela é o momento de atrair suplentes de peso e nomes do interior que queiram se associar à sua imagem.

O PL quer nacionalizar a disputa: "Nós contra eles".

 

A ESTRATÉGIA DE BRAGA E OMAR

Eduardo Braga joga a vida política nesta eleição.

Ele precisa que o MDB saia da janela como a maior força do estado para desencorajar adversários.

Sua aliança com Omar Aziz (que já tem mandato até 2030) é o alicerce.

A tática é simples: asfixiar as siglas menores para que não surjam "terceiras vias" competitivas.

 

O FUNIL DA JANELA

Por que a janela é crucial para o Senado?

1. Tempo de TV: Com duas vagas, o eleitor vota duas vezes. Estar em uma coligação com muito tempo de propaganda é vital para ser o "segundo voto" de quem já tem um favorito.

2. Suplência: As negociações de agora envolvem promessas de suplência para grandes empresários ou prefeitos influentes.

3. Fundo Partidário: Campanhas para o Senado no Amazonas são caras. Quem não estiver em partido "com caixa" até abril, dificilmente chega a outubro de 2026 com fôlego.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

O Senado é o destino preferido dos ex-governadores.

Com Wilson Lima sinalizando permanência no cargo, a disputa ganha um componente de imprevisibilidade.

Nomes como Marcelo Ramos (PT) e Marcos Rotta (Avante) observam as brechas.

Se a janela fechar com o grupo governista fragmentado, a oposição pode levar as duas vagas.

No Amazonas, o Senado não é prêmio de consolação.

É o seguro de vida política para os próximos oito anos.

Quem não se posicionar agora, vai assistir à eleição da galeria.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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