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*Por Antônio Zacarias - Minha gente, a sucessão estadual do Amazonas produziu uma cena difícil de explicar até para quem possui doutorado em malabarismo político (ou seria em malandragem política?).
Na sexta-feira, 11 de setembro, o Flávio Bolsonaro desembarcou em Manaus para reforçar a candidatura da Maria Enxofre ao Governo do Amazonas.
Visitou fábrica, gravou vídeos, participou de encontro político e tentou transformar o peso nacional do PL em votos para sua candidata.
Enquanto isso, no interior, integrantes do próprio partido da Maria Enxofre aparecem apoiando o Roberto Cidade.
É isso mesmo que você leu!
O Flávio pede votos para a Maria Enxofre mas uma parte do PL trabalha para o adversário
O partido tem candidata oficial. Só falta combinar com todo o partido, né?
A verdade, minha gente, é que isso está ocorrendo porque boa parte dos correligionários da Maria Enxofre não aguentam mais as suas mentiras, sua arrogância, egoísmo, falta de empatia.
Eu já disse aqui e em “A BRONCA DO ZACA”, retiradas vezes, que a Maria Enxofre é tão soberba que ela só anda porque não sabe voar.
O PRESIDENTE DO PL FOI AO BANDEIRAÇO DO CIDADE
O mais novo capítulo aconteceu em Rio Preto da Eva. Batista do Real, presidente do diretório municipal do PL, participou na quinta-feira, dia 10, de um bandeiraço da campanha do Roberto Cidade.
Minha gente, muita atenção nessa hora: eu não estou falando de encontro reservado, de conversa escondida, de cafezinho tomado numa sala fechada.
Estou falando de bandeiraço.
Batista apareceu em vídeo durante a mobilização e falou em “união, força e esperança”.
Na sua opinião, caro leitor, caríssima leitora, por que será que Batista falou isso?
Vou dizer o que penso e peço a vocês que me corrijam se eu estiver errado: ele falou isso porque era justamente o que esperava encontrar na candidatura da Maria Enxofre — e, como não encontrou, bateu em retirada.
NÃO É UM CASO ISOLADO
Se fosse apenas Batista do Real, a campanha da Maria Enxofre poderia dizer que se trata de uma decisão pessoal.
O problema é que a fila já começou a andar. Em julho, Zé Henrique, então liderança do PL em Coari, também deixou o grupo da Maria Enxofre e declarou apoio a Roberto Cidade.
Agora aparece o presidente municipal de Rio Preto da Eva.
E há mais: os deputados estaduais Delegado Péricles, Cabo Maciel e Débora Menezes, todos ligados ao PL, também deram um pontapé na Maria Enxofre.
EXISTEM DOIS PLs NO AMAZONAS?
A impressão é que o PL amazonense está dividido em dois partidos dentro da mesma sigla, não é verdade?
Existe o PL da Maria Enxofre e existe o PL dos que não suportam a candidata oficial do partido, pelos motivos que já enumerei aqui.
CIDADE ESTÁ PESCANDO NO AQUÁRIO DA MARIA ENXOFRE
O Roberto Cidade não precisa filiar os dirigentes do PL ao União Brasil. Basta receber o apoio.
Cada presidente municipal, parlamentar ou liderança que abandona a Maria Enxofre produz dois efeitos: o Cidade ganha estrutura local e a Maria Enxofre perde autoridade.
É uma operação politicamente eficiente. O governador amplia sua presença no interior, aproxima-se de setores conservadores e mostra que consegue atrair aliados até dentro da casa da adversária.
Não é preciso que o PL formalize uma aliança com o Cidade. Para ele, o apoio informal pode ser ainda mais conveniente.
Por que é mais conveniente? Porque recebe os aliados, evita o desgaste de uma ruptura oficial e deixa a Maria Enxofre brigando com o próprio partido.
O INTERIOR NÃO É ENFEITE DE CAMPANHA
Campanha estadual não se vence apenas com vídeo em Manaus. No interior, dirigente municipal ajuda a organizar reunião, montar equipe, mobilizar apoiadores, conversar com vereadores e abrir portas nas comunidades.
Conhece quem possui liderança em cada bairro, estrada, ramal e comunidade rural.
Por isso, perder um presidente municipal não é simplesmente perder um nome numa campanha. É correr o risco de perder um pedaço da engrenagem eleitoral.
Rio Preto da Eva e Coari possuem realidades diferentes, mas os dois episódios transmitem a mesma mensagem: a candidatura da Maria Enxofre ainda não conseguiu manter todo o partido marchando na mesma direção.
Quem acompanha eleição sabe que, na política, estrutura dividida costuma produzir voto dividido.
FLÁVIO ENCONTROU UMA CASA COM GOTEIRA
A presença do Flávio Bolsonaro em Manaus deveria demonstrar força e unidade.
Ele veio impulsionar Maria Enxofre, gravar material eleitoral e conversar com lideranças. Mas desembarcou justamente quando o racha partidário voltava às manchetes.
A situação beira o constrangimento, não é mesmo? Enquanto o Flávio apresenta a Maria Enxofre como representante oficial do PL, dirigentes municipais da legenda aparecem ao lado do Roberto Cidade.
É como convidar o padrinho para a festa de casamento e descobrir que parte da família está comemorando na casa do ex-noivo.
O Flávio pode mobilizar a militância, pode transferir visibilidade, pode ajudar a Maria Enxofre a fortalecer sua identidade ideológica. No entanto, não conseguirá resolver o problema apenas com discurso em palanque.
Racha municipal se resolve com articulação, comando político e presença no interior — qualidades que a Maria Enxofre não tem.
A PESQUISA EXPLICA A PRESSA
A divisão ganha ainda mais importância quando se observam os números da disputa.
A pesquisa Veritá divulgada na quinta-feira, dia 10, colocou o Omar Aziz na liderança, com 33,4% dos votos válidos.
A Maria apareceu com 26,9%, o Roberto Cidade com 20,9% e o David Almeida ficou com 12,8%.
Apesar dos seis pontos de diferença numérica entre a Maria e oCidade, os intervalos gerados pela margem de erro de três pontos se encontram. O instituto considera os dois tecnicamente empatados na briga pela segunda vaga.
Agora ficou fácil entender o tamanho do problema.
A Maria Enxofre e o Cidade disputam diretamente o direito de enfrentar o Omar no segundo turno.
Quando uma liderança do PL apoia o Cidade, não está escolhendo um candidato distante, está fortalecendo justamente o adversário que ameaça tirar a Maria Enxofre da eleição.
MARIA ENXOFRE ESTÁ NUMA SINUCA
A candidata precisa decidir o que fazer com os dissidentes. Se exigir punição ou expulsão, poderá transformar divergências locais numa guerra aberta dentro do partido.
Se fingir que não está acontecendo nada, passará a impressão de que não consegue comandar a própria legenda.
Se tentar negociar discretamente, poderá recuperar algumas lideranças, mas também corre o risco de descobrir que determinados acordos com o Cidade já avançaram demais.
Qualquer escolha possui custo. O pior caminho, porém, é o silêncio.
Uma candidata a governadora precisa demonstrar autoridade política.
A Maria Enxofre sabe disso? Mesmo que saiba, como ela vai demonstrar o que não possui?
Se não consegue organizar o partido durante a campanha, os adversários perguntarão como pretende organizar uma base de governo formada por várias legendas.
E ALFREDO NASCIMENTO?
O comando estadual do PL precisa explicar o que pretende fazer.
A Maria Enxofre é candidata oficial ou apenas candidata de uma parte da sigla? Presidentes municipais estão liberados para apoiar adversários? Os deputados estaduais possuem compromisso com a chapa majoritária do partido? Haverá alguma medida disciplinar? Ou o PL decidiu adotar o modelo cada um por si e todos pelo mandato?
Essas respostas não dizem respeito apenas aos filiados. O eleitor possui o direito de saber se a candidata apresentada pelo partido conta, de fato, com a estrutura partidária que aparece ao seu lado na propaganda.
Afinal de contas, uma coisa é ter o símbolo do PL no cartaz, outra é ter o PL trabalhando na rua.
NÃO HÁ PROVA DE TROCA
É importante fazer uma ressalva. Até agora, as reportagens consultadas não apresentam prova de compra d
CIDADE MOSTRA FORÇA DE ATRAÇÃO
O governador-tampão entrou na eleição com a máquina estadual, apoio de prefeitos, relação com deputados e a estrutura herdada do grupo de Wilson Lima.
Agora tenta expandir esse arco. Ao atrair integrantes do PL, o Roberto Cidade pretende mostrar que sua candidatura ultrapassa as fronteiras do União Brasil. Também disputa o eleitor conservador que poderia migrar automaticamente para a Maria Enxofre.
A mensagem é clara: o eleitor pode apoiar o Flávio Bolsonaro para presidente e, ao mesmo tempo, votar no Roberto Cidade para governador.
Se essa combinação ganhar força, a Maria Enxofre perde uma das principais vantagens de sua campanha: a tentativa de monopolizar o voto bolsonarista no Amazonas.
OMAR ASSISTE AO INCÊNDIO
O Omar Aziz provavelmente acompanha tudo com tranquilidade.
Enquanto a Maria Enxofre e o Cidade disputam lideranças, prefeitos e estruturas partidárias, ele procura conservar a liderança.
Para o Omar, o cenário ideal é exatamente esse: os dois principais adversários brigando pela segunda vaga e arrancando pedaços um do outro.
Cada dia que a Maria Enxofre gasta discutindo o PL é um dia em que fala menos do Omar. Cada energia que o Cidade dedica a atrair aliados da Maria Enxofre reforça a guerra dentro do bloco adversário.
O Omar não precisa apagar esse incêndio. Precisa apenas evitar que o fogo chegue ao seu palanque.
DAVID PRECISA APROVEITAR
O David Almeida está mais distante no levantamento Veritá, mas ainda possui capital político, presença em Manaus e estrutura eleitoral.
O racha no PL abre uma oportunidade. A Maria Enxofre enfrenta divisão interna.
O Cidade carrega o peso do governo. O Omar tenta administrar a liderança. O David poderia apresentar-se como alternativa a essa guerra de grupos. Mas precisa reagir rapidamente.
Não basta esperar que os adversários se destruam. Em eleição, espaço vazio costuma ser ocupado por quem se move primeiro.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Minha gente, o PL do Amazonas vive uma situação que não pode mais ser tratada como pequeno desentendimento.
A Maria Enxofre do Carmo é a candidata oficial ao governo.
Flávio Bolsonaro veio a Manaus pedir votos para ela.
Mesmo assim, o presidente do PL em Rio Preto da Eva participou de bandeiraço para o Roberto Cidade.
Uma liderança de Coari já havia seguido o mesmo caminho.
Deputados estaduais da legenda mantêm proximidade com o governador. E tudo isso acontece quando a Maria Enxofre e o Cidade estão tecnicamente empatados, segundo a pesquisa Veritá, na disputa pela segunda vaga.
A Maria Enxofre precisa mostrar se comanda o partido ou apenas ocupa a cabeça da chapa.
O Cidade continuará pescando aliados dentro do PL enquanto encontrar anzol, linha e peixe disponíveis.
O Omar observará a briga de camarote. E o Flávio terá de decidir se seu apoio a Maria Enxofre termina no discurso ou inclui uma tentativa real de unificar a legenda.
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.