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SEGREDOS DE BASTIDORES
*Por Antônio Zacarias - Eu já disse nesta coluna que, na política, promessas têm prazo de validade.
Hoje acrescento que, na segurança pública, deveriam ter compromisso.
Porque policial pode enfrentar criminoso.
Pode enfrentar plantão.
Pode enfrentar risco de morte.
Mas não deveria precisar enfrentar a dúvida sobre a palavra do governador.
A NOVA POLÊMICA
O governo-tampão de Roberto Cidade, o “Cocô de Ouro”, voltou ao centro das críticas.
Desta vez, por causa do auxílio-fardamento.
ANÚNCIO FESTIVO
Roberto Cidade anunciou a medida como uma conquista para a categoria.
Discurso pronto.
Vídeos prontos.
Propaganda pronta.
O PROBLEMA
Segundo as entidades representativas dos policiais militares, a história não foi exatamente assim.
VERSÃO DOS PRAÇAS
O presidente da APEAM, Gerson Feitosa, afirma que os policiais nunca rejeitaram o auxílio-fardamento.
A prioridade apenas mudou.
DECISÃO DA CATEGORIA
A assembleia decidiu priorizar a ampliação do QDE.
Traduzindo:
Mais promoções.
Mais valorização.
Mais justiça funcional.
NÃO ERA NÃO
Era apenas depois.
Mas o governo transformou a discussão em narrativa política.
DOCUMENTOS EXISTEM
As entidades afirmam que protocolaram formalmente a contraproposta.
A Secretaria de Segurança recebeu.
O Comando da PM recebeu.
O Corpo de Bombeiros recebeu.
Todo mundo sabia.
Ou deveria saber.
SURGE A PERGUNTA
Se o governo tinha conhecimento da posição da categoria, por que vendeu uma versão diferente?
Faltou informação?
Faltou comunicação?
Ou faltou compromisso com a verdade?
FRASE PESADA
Gerson Feitosa não economizou palavras.
Chamou o “Cocô de Ouro” de mentiroso.
Em qualquer cenário, o resultado é ruim.
Se foi enganado mostra descontrole.
Se não foi mostra algo ainda pior.
CONFIANÇA É TUDO
Principalmente para quem comanda forças de segurança.
Policial trabalha baseado em hierarquia.
Baseado em comando.
Baseado em palavra.
Quando a palavra perde valor, a relação começa a ruir.
POLÍTICA E ELEIÇÃO
Nada acontece por acaso.
Roberto Cidade ainda não anunciou oficialmente sua candidatura à reeleição.
Mas todas as movimentações apontam nessa direção.
AGENDA CALCULADA
Mutirões.
Entregas.
Vídeos.
Anúncios.
Exposição constante.
Tudo lembra uma pré-campanha permanente.
O RISCO
Quando a propaganda corre mais rápido que os fatos, surgem contradições. E contradições cobram preço.
SEGURANÇA NÃO É PALANQUE
Os policiais querem promoções.
Querem valorização.
Querem recomposição de perdas.
Querem respeito aos acordos firmados.
Não querem ser figurantes de marketing político.
A CONTA CHEGA
Governos sobrevivem a críticas, mas raramente sobrevivem à perda de credibilidade, pois obra se inaugura.
Vídeo se grava.
Propaganda se produz.
Mas confiança, quando se rompe, é muito mais difícil reconstruir.
CONCLUSÃO
No fim das contas, o auxílio-fardamento deixou de ser apenas uma pauta administrativa.
Virou um teste de credibilidade.
E quando representantes da própria segurança pública passam a questionar a palavra do governador, o problema já não está na farda.
Está na confiança.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.