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*Por Antônio Zacarias - Minha gente, faltam dezenove dias para a eleição, e a segunda-feira começou com duas bombas explodindo quase ao mesmo tempo no colo dos candidatos ao Governo do Amazonas.
A primeira veio da Justiça Eleitoral. A coligação do David Almeida conseguiu suspender a divulgação da Paraná Pesquisas que colocava o ex-prefeito em quarto lugar.
A segunda veio das ruas. Uma nova pesquisa, agora do Instituto Pontual, colocou o Roberto Cidade praticamente empatado com o Omar Aziz, empurrou a Maria Enxofre do Carmo para a terceira posição e manteve o David em quarto.
Trocando em miúdos: o David conseguiu tirar uma pesquisa do ar, mas não conseguiu impedir que outra chegasse trazendo notícias ainda mais amargas para sua campanha.
E o Roberto Cidade, que até poucos dias aparecia brigando pela segunda vaga, agora surge no cangote do Omar. Pelo menos na pesquisa da Pontual.
O CIDADE ENCOSTOU NO OMAR
A pesquisa Pontual divulgada ontem, segunda-feira, 14 de setembro, apresenta o Omar Aziz com 26,6% das intenções de voto. O Roberto Cidade aparece com 25,3%. A diferença é de apenas 1,3 ponto percentual.
Como a margem de erro é de 1,79 ponto, os dois estão tecnicamente empatados.
A Maria Enxofre tem 18,4% e o David Almeida aparece com 14,9%.
Depois vêm o Cabo Daciolo, com 2,3%, o Gilberto Vasconcelos, com 0,5%, e o Isael Munduruku, com 0,4%.
Brancos e nulos somam 7,7%. Os indecisos representam 3,9%.
A Pontual entrevistou presencialmente 3 mil eleitores entre os dias 5 e 13 de setembro. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número AM-02616/2026.
A ELEIÇÃO MUDOU DE FIGURA
Até agora, a narrativa predominante era bastante simples: o Omar estava praticamente garantido no segundo turno, enquanto o Cidade e a Maria Enxofre brigavam pela outra vaga, e o David corria por fora.
Ai veio a Pontual e bagunçou essa história.
Pelo cenário divulgado nesta segunda-feira, não existe mais um líder isolado e três candidatos atrás.
Agora — pela pesquisa Pontual, e apenas ela — existem dois candidatos na frente: o Omar e o Cidade.
A Maria Enxofre tentando alcançá-los e o David precisando impedir que a campanha entre numa fase de desidratação eleitoral.
Pesquisa não é sentença, eu já disse são aqui reiteradas vezes.
No entanto, a dezenove dias da votação, candidato que aparece empatado na liderança não recebe apenas um número.
Recebe ânimo, aliados, dinheiro, militância e uma narrativa nova para apresentar ao eleitor.
O CIDADE É O GRANDE VENCEDOR DO DIA
O Roberto Cidade deve estar exultante, e não é pra menos, né? Afinal, ganhou a notícia que sua campanha esperava.
Na pesquisa anterior da Pontual, divulgada em 29 de maio, ele aparecia com 22,1%. Agora tem 25,3%, ou seja, cresceu 3,2 pontos percentuais.
O Omar, ainda segundo a Pontual, repito outra vez, caiu de 29,1% para 26,6%. A Maria Enxofre passou de 20,1% para 18,4%. O David sofreu a maior queda: saiu de 20% para 14,9%.
Como a comparação foi feita entre levantamentos do mesmo instituto, existe maior coerência metodológica do que misturar números produzidos por empresas diferentes.
Creio ser oportuno destacar que a trajetória mostrada pela Pontual é bastante clara: o Cidade cresce, o Omar recua, a Maria Enxofre perde terreno e o David cai com mais força.
É bom que fique bem claro que isso não significa que essa seja a única leitura possível da eleição. Evidente que não é.
Não se pode negar, no entanto, que o Cidade ganhou munição suficiente para passar os próximos dias dizendo que a disputa está polarizada entre ele e o Omar.
O OMAR ACENDEU O SINAL AMARELO
O Omar continua numericamente na frente. Mas liderança de 1,3 ponto, dentro da margem de erro, não permite escolher adversário nem reservar espaço para a festa do segundo turno.
A campanha do Omar precisa descobrir se o crescimento do Cidade é um movimento consolidado ou apenas um quadro específico da Pontual.
Não podemos esquecer de um detalhe importante: na capital, o Cidade aparece com 23,4%, contra 22,4% do Omar.
No interior, a situação se inverte: o Omar tem 31,3%, e o Cidade, 27,3%.
Em outras palavras: o Omar ainda demonstra força nos municípios.
O Cidade, porém, começa a equilibrar o jogo, de acordo com a pesquisa pontual.
Para o senador, o risco está em considerar garantida uma vaga que os números desta segunda-feira dizem estar em disputa.
Na minha opinião, quem acredita que já venceu costuma cometer dois erros: diminui o ritmo e aumenta a arrogância.
O Omar não pode fazer nenhum dos dois.
O SEGUNDO TURNO VIROU CARA OU COROA
A Pontual também simulou uma disputa direta entre o Omar e o Cidade.
O resultado parece placar de partida decidida nos pênaltis: o Omar, 41,9%, o Cidade, 41,3%. A diferença é de apenas seis décimos. Empate técnico absoluto.
Na capital, o Cidade aparece na frente, com 40,3%, contra 37,6% do Omar.
No interior, o Omar lidera por 46,7% a 42,3%.
O mapa está desenhado. O Cidade precisa ampliar sua força em Manaus e impedir que o Omar abra distância nos municípios.
O Omar precisa segurar o interior e recuperar terreno na capital.
A eleição, portanto, pode ser decidida por quem conseguir atravessar melhor essa ponte política entre Manaus e o restante do Amazonas.
A MARIA ENXOFRE PERDEU A SEGUNDA CADEIRA
A Maria Enxofre, do alto da sua arrogância, vinha comemorando pesquisas que a colocavam em segundo lugar e próxima do l Omar.
Na AtlasIntel divulgada em 4 de setembro, por exemplo, ela aparecia com 29,2%, contra 33,2% do Omar.
Na Veritá do dia 10, ficou numericamente à frente do Cidade.
Agora, na Pontual, a Maria Enxofre aparece com 18,4%, quase sete pontos atrás do Cidade.
Mas calma. Não se pode comparar percentuais de institutos diferentes como se todos tivessem entrevistado as mesmas pessoas, nos mesmos lugares e pelo mesmo método.
Não podemos deixar de mencionar que existe um efeito político impossível de ignorar: a Pontual retirou a Maria Enxofre do segundo turno e colocou o Cidade no lugar dela.
Para a campanha da Maria Enxofre, isso é um golpe, principalmente depois que ela, acreditando que consolidaria sua vaga no segundo turno, nacionalizou o discurso no dia em que o Flávio Bolsonaro veio a Manaus.
Ela atacou o Lula, o Alexandre de Moraes. Vestiu a camisa da direita.
Mesmo assim, a nova pesquisa indica que a briga pelo governo está sendo puxada por dois nomes com estrutura política tradicional: o Omar e o Cidade.
Sendo mais direto: a Maria Enxofre se lascou!
Agora a Maria Enxofre terá de decidir se continua falando principalmente da guerra de Brasília ou se volta o discurso para os problemas concretos do Amazonas.
O DAVID GANHOU UMA LIMINAR
Enquanto a Pontual dominava as conversas, o David Almeida obteve uma vitória na Justiça Eleitoral.
A coligação “Pra Cima Amazonas”, que apoia sua candidatura, conseguiu suspender a divulgação da Paraná Pesquisas registrada sob o número AM-01118/2026.
Esse era o levantamento divulgado em 5 de setembro que mostrava o Omar com 29,6%, o Cidade com 21,5%, a Maria Enxofre com 19,4% e ele, o David, com 16,8%.
A juíza Mara Elisa Andrade concedeu decisão liminar porque o instituto informou os setores censitários utilizados na coleta, mas não relacionou os bairros correspondentes.
A magistrada entendeu, numa análise preliminar, que a ausência poderia contrariar uma exigência da regulamentação eleitoral.
A divulgação foi suspensa sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada inicialmente a R$ 50 mil. O instituto terá prazo para apresentar defesa, e o Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar antes da decisão definitiva.
DAVID GANHA NA JUSTIÇA E PERDE NA PESQUISA
Politicamente, o David viveu uma segunda-feira contraditória: conseguiu impedir novas divulgações de um levantamento no qual aparecia com 16,8% e depois, porém, a Pontual o mostrou com 14,9%.
Como se não bastasse, a Pontual trouxe uma informação ainda mais preocupante. O David aparece como o candidato de maior rejeição: 31,8% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.
Já o Omar tem rejeição de 18,2%, o Cidade, 13,8%, e a Maria Enxofre 9,4%.
A rejeição do David chega a 39,4% em Manaus, cidade que ele governou durante mais de cinco anos.
Esse é o número que deveria tirar o sono de sua campanha.
Por quê? Ora, porque rejeição elevada funciona como teto. E teto eleitoral não se derruba com liminar.
O DAVID PRECISA MUDAR A CONVERSA
A campanha do David precisa parar de discutir apenas a pesquisa e começar a enfrentar o motivo pelo qual parte expressiva do eleitorado afirma que não votaria nele.
É pelo desgaste de sua passagem pela Prefeitura? É dificuldade para apresentar uma identidade política? É comunicação mal direcionada? É rejeição pessoal? É o choro interpretado de maneira injusta por adversários? É a perda de apoio no interior? Ou é tudo isso junto?
Não tô dizendo que questionar metodologia não é legítimo. É legítimo, sim. Assim como é legítimo recorrer à Justiça.
No entanto, existe uma pesquisa contra a qual não cabe representação: a percepção do eleitor.
O David precisa recuperar a imagem, apresentar propostas fortes e demonstrar por que merece voltar ao centro da disputa.
Caso contrário, poderá vencer várias ações e perder a eleição.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Minha gente, essa segunda-feira redesenhou a sucessão estadual.
A Justiça suspendeu a divulgação da Paraná Pesquisas por uma possível falha nas informações territoriais apresentadas no registro.
Ao mesmo tempo, a Pontual colocou o Roberto Cidade tecnicamente empatado com o Omar Aziz tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O Cidade foi o grande vencedor político do dia. O Omar continua numericamente na frente, mas perdeu o conforto.
A Maria Enxofre deixou de aparecer na segunda vaga e o David conseguiu uma vitória no tribunal enquanto recebia uma péssima notícia nas urnas simuladas: quarto lugar e a maior rejeição entre os principais candidatos.
O segredo de bastidor é este: o David tirou uma pesquisa do ar, mas foi o Roberto Cidade quem colocou a campanha na rua para comemorar.
O Omar precisa acordar. A Maria Enxofre precisa reagir. O David precisa descobrir por que tanta gente afirma que não votaria nele. E o Cidade precisa tomar cuidado para não confundir empate técnico com vitória antecipada.
Tá, é verdade que, a vinte dias da eleição, a corrida mudou.
Mas não podemos esquecer que ainda existe um levantamento que nenhum juiz suspende, nenhum instituto corrige e nenhum marqueteiro consegue escolher: a urna de 4 de outubro.
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.