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'SEGREDOS DE BASTIDORES': LULA FORTALECE OMAR NO INTERIOR, WILSON ACENDE ALERTA PARA CIDADE — E MARIA ENXOFRE NÃO HERDA TODOS OS VOTOS DE FLÁVIO
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

*Por Antônio Zacarias - Minha gente, a nova pesquisa Pontual colocou na mesa uma pergunta que os candidatos ao Governo do Amazonas preferem responder longe dos microfones: Quem está ajudando e quem está atrapalhando cada palanque?

 

O levantamento divulgado no sábado, 26 de setembro, traz os números para presidente e senador.

 

Quando eles são comparados com a pesquisa de governador divulgada na sexta-feira, surge um mapa político revelador.

 

No interior, o Lula chega a 53,5%. O Omar Aziz tem 33,5%. O Eduardo Braga aparece com 29,6% das menções para o Senado.

 

É o território mais favorável ao grupo apoiado pelo presidente. Em Manaus, a direita cresce. Flávio Bolsonaro marca 42,8%. Alberto Neto alcança 25,5% das menções. A Maria Enxofre do Carmo, porém, fica em 21,3%. E o que é Roberto Cidade enfrenta outro problema: seu aliado Wilson Lima possui rejeição de 51,9% na capital.

 

Traduzindo:

Uns candidatos tentam pegar carona nos aliados. Outros precisam evitar que o aliado entre no carro.

 

LULA MANDA NO INTERIOR

 

O Lula registra 44,4% no Amazonas, o Flávio Bolsonaro tem 37,6%.

 

O número estadual, porém, esconde dois mundos. Em Manaus, o Flávio aparece com 42,8%, o Lula tem 36,1%.

 

No interior, a situação vira completamente. O Lula alcança 53,5%, o Flávio cai para 31,9%. A diferença a favor do presidente fora da capital é de 21,6 pontos.

 

Os números foram publicados neste sábado na pesquisa Pontual para presidente e Senado?, registrada no TSE sob o número AM-08742/2026. Foram entrevistados presencialmente 3 mil eleitores, com margem de erro de 1,79 ponto percentual.

 

Politicamente, esse mapa interessa diretamente a Omar. É no interior que ele possui seu melhor desempenho para governador.

 

OMAR PEGA O VENTO

 

Na pesquisa estadual divulgada na sexta-feira, o Omar apareceu com 27,9%. Em Manaus, tem 22,9%. No interior, sobe para 33,5%. O Omar não recebe todos os votos de Lula. Nem poderia.

 

Afinal, eleitor não é pacote fechado. Pode escolher Lula para presidente e votar em outro candidato ao governo. Mas existe uma coincidência política importante: onde o Lula é mais forte, o Omar também apresenta seu melhor resultado.

 

Isso ajuda a campanha do senador a defender a tese de que o alinhamento com Brasília funciona eleitoralmente fora da capital.

 

O Lula não entrega automaticamente votos ao Omar, mas cria um ambiente favorável para o candidato que possui seu apoio declarado.

 

BRAGA COMPLETA O TIME

 

O Eduardo Braga lidera a disputa pelo Senado com 27,3% das menções. Ele tem 25,3% em Manaus e chega a 29,6% no interior.

 

O Lula, o Omar e o Braga apresentam suas maiores forças fora da capital. É o desenho mais organizado de palanque revelado pela pesquisa.

 

Presidente, governador, senador. Os três crescem no mesmo território. Isso facilita a propaganda casada.

 

O cabo eleitoral pede voto em Lula. Em seguida, apresenta o Omar. Depois, lembra o Eduardo Braga.

 

Isso não significa que todo eleitor seguirá a sequência. Mas a mensagem chega pronta.

 

No interior, o palanque do Omar possui começo, meio e fim.

 

CIDADE ANDA SOZINHO

 

O Roberto Cidade registra 27,1% para governador. Em Manaus, tem 24,1%. No interior, chega a expressivos 30,4%. Ou seja, o Cidade está competitivo nas duas regiões.

 

Só que seu principal aliado na disputa ao Senado não acompanha o mesmo ritmo. O Wilson Lima aparece com 14,9% das menções e tem apenas 10% em Manaus. No interior, melhora e chega a 20,3%.

 

A diferença chama atenção. O Cidade possui 30,4% no interior. O Wilson, 20,3%. Na capital, o Cidade alcança 24,1%. Wilson fica em 10%.

 

Claro que a comparação não é matemática perfeita.

 

Na eleição para o Senado, cada eleitor pode escolher dois candidatos, e os percentuais da pesquisa foram calculados sobre o total de menções.

 

Mesmo assim, o cenário político é evidente: o Cidade está correndo bem mais do que o Wilson.

 

WILSON VIRA PESO

 

O maior problema não está apenas na intenção de voto de Wilson, esrá na rejeição.

 

A Pontual mostra que 41,9% dos entrevistados afirmam rejeitar o ex-governador. Em Manaus, o índice explode para 51,9%. No interior, cai para 30,8%.

 

É a maior rejeição entre os candidatos ao Senado pesquisados. O Cidade pertence ao mesmo grupo político do Wilson.

 

Assumiu o governo depois que o Wilson renunciou para disputar o Senado.

 

Os dois compartilham aliados, estrutura partidária e parte importante da campanha.

 

A pergunta que certamente circula no comitê é esta: Até onde o Cidade deve aparecer com o Wilson em Manaus?

 

Esconder o aliado pareceria ingratidão. Aparecer demais pode transferir desgaste. Essa é a sinuca.

 

CIDADE PRECISA DOSAR

 

O Wilson possui prefeitos, deputados, estrutura e votos no interior.

 

Não é um aliado descartável. Longe disso. Seus 20,3% fora da capital mostram que continua competitivo. O problema está em encontrar a dose.

 

No interior, o Wilson pode ajudar a mobilizar grupos políticos.

 

Em Manaus, onde sua rejeição passa de 50%, a exposição conjunta exige cuidado.

 

O Cidade precisa aproveitar a estrutura do ex-governador sem herdar sua rejeição.

 

Na política, isso é mais fácil de dizer do que de fazer. O candidato não escolhe apenas quem aparece no palanque.

 

Também escolhe quem aparece na fotografia. E fotografia eleitoral, minha gente, não vem com botão para apagar somente a rejeição.

 

MARIA TEM FLÁVIO

 

A Maria Enxofre possui o melhor cabo eleitoral na capital. O Flávio Bolsonaro aparece com 42,8% em Manaus. Lidera o Lula por 6,7 pontos nesse recorte.

 

O Alberto Neto, candidato do PL ao Senado, também possui força na capital. Registra 25,5% das menções, praticamente empatado numericamente com Eduardo Braga, que tem 25,3%.

 

A Maria Enxofre , entretanto, aparece com 21,3% em Manaus. Éum resultado competitivo. Mas inferior ao do Flávio e ao do Alberto.

 

Isso mostra que uma parte dos eleitores do campo bolsonarista não está seguindo a Maria Enxofre na disputa estadual.

 

O voto chega ao PL para presidente, chega ao candidato do partido ao Senado, mas parte dele escapa na hora de escolher governador.

 

O INTERIOR DÓI

 

Fora da capital, o problema da Maria Enxofre aumenta. O Flávio possui 31,9%, o Alberto Neto registra 15,1% das menções e a Maria Enxofre aparece com 12,5%.

 

O desempenho do candidato presidencial do PL é mais de duas vezes maior que o da candidata do partido ao governo.

 

Isso revela uma dificuldade de capilaridade. O Flávio possui nome nacional, o Alberto tem mandato federal, exposição e discurso consolidado na segurança. A Maria Enxofre ainda tenta transformar popularidade empresarial, estrutura partidária e apoio bolsonarista em presença nos municípios.

 

Faltando oito dias para a eleição, o relógio aperta.

 

Interior não se conquista numa postagem. Precisa de prefeito, vereador, liderança comunitária, barco, estrada, rádio e gente pedindo voto em cada município.

 

DAVID ESTÁ POR CONTA PRÓPRIA

 

O David Almeida possui uma situação totalmente diferente. Seu candidato à Presidência, Augusto Cury, aparece com 5,3% no Amazonas, David tem 16% para governador. Portanto, o David corre muito acima do presidenciável de seu partido.

 

Isso demonstra força própria, mas também revela solidão eleitoral. O Omar pode apresentar o Lula. A Maria Enxofre apresenta o Flávio. O Cidade possui o governo e o grupo do Wilson. O David precisa apresentar o David.

 

Sua campanha depende da memória da gestão municipal, da estrutura do Avante e de alianças locais.

 

Quando o candidato nacional possui apenas 5,3%, não puxa o palanque estadual. É o palanque estadual que precisa carregar o candidato nacional.

 

BRAGA SAI NA FRENTE

 

O Eduardo Braga lidera a pesquisa para o Senado com 27,3% das menções. O Alberto Neto tem 20,6%. O Wilson Lima, 14,9%. O Plínio Valério, 10,8%.

 

A liderança do Braga ajuda o Omar por uma razão prática. Os dois estão no mesmo palanque estadual e podem trabalhar juntos no interior, onde apresentam seus melhores números.

 

Braga também pode explorar sua proximidade com o Lula. O grupo possui um discurso organizado: o Lula em Brasília, o Omar no governo, o Braga no Senado. É uma narrativa fácil de explicar.

 

Em campanha, simplicidade vale ouro.

 

ALBERTO PUXA MARIA?

 

O Alberto Neto aparece em segundo lugar para o Senado. Na capital, possui 25,5%. É um número superior ao de Maria no mesmo território. Isso cria uma situação curiosa.

 

Em tese, a Maria Enxofre deveria puxar seus candidatos proporcionais e os nomes do partido. Na prática, o Alberto poderá ser chamado a puxar a Maria enxofre.

 

Ele possui uma base ideológica definida.

 

Segurança pública. Bolsonarismo. Oposição a Lula.

 

A Maria Enxofre precisa usar essa força sem parecer dependente do candidato ao Senado. É outro equilíbrio delicado.

 

O DEBATE MOSTROU A GUERRA

 

Na noite de sexta-feira, 25 de setembro, seis candidatos ao Senado participaram do debate da Rede Amazônica.

 

Foram discutidos Zona Franca, saúde, educação, queimadas, turismo, BR-319, tráfico de drogas e segurança nas fronteiras.

 

O debate interessou também aos candidatos ao governo. O Braga fala e fortalece o palanque de Omar. O Wilson tenta recuperar terreno e ajudar Cidade.

 

Alberto procura consolidar o voto bolsonarista que a Maria Enxofre precisa conquistar.

 

O Plínio tenta romper a briga entre os três. A disputa ao Senado não corre numa pista separada.

 

Cada ataque, desempenho e rejeição poderá respingar na sucessão estadual.

 

CUIDADO COM A SOMA

 

É importante não cometer um erro. Não se pode somar mecanicamente intenção de voto para presidente, governador e senador. São cargos diferentes.

 

O eleitor pode votar em grupos adversários. Além disso, para o Senado são duas escolhas.

 

A pesquisa registra menções, não uma disputa simples de voto único. Portanto, os números não provam transferência automática.

 

O que eles mostram é o ambiente político de cada candidatura. E o ambiente possui três sinais claros:

 

O Lula é muito forte no interior. O Flávio domina numericamente Manaus. O Wilson possui uma rejeição perigosa, principalmente na capital.

 

É sobre esse mapa que os candidatos a governador montarão os últimos oito dias.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Minha gente, a pesquisa Pontual de sábado revelou que a eleição estadual não será decidida apenas pelos candidatos ao governo.

 

Os companheiros de palanque também pesam.

 

O Lula chega a 53,5% no interior. O Omar possui 33,5%. O Eduardo Braga registra 29,6% das menções. Os três crescem no mesmo território.

 

Isso não prova transferência automática de votos, mas mostra que o Omar possui o palanque mais alinhado fora de Manaus. O Cidade também está forte no interior, com 30,4%.

 

Só que o Wilson Lima, seu principal aliado ao Senado, tem 20,3% e carrega a maior rejeição da pesquisa.

 

Em Manaus, essa rejeição chega a 51,9%. O Cidade precisará fazer uma operação delicada:

 

Usar a estrutura política do Wilson sem deixar que o desgaste de Wilson grude em sua candidatura.

 

Maria enfrenta outro desafio.

 

O Flávio Bolsonaro lidera em Manaus com 42,8%, Alberto Neto alcança 25,5% das menções para o Senado, a Maria Enxofre fica em 21,3%.

 

Existe voto bolsonarista disponível, mas ele ainda não pertence todo à candidata do PL. O David, por sua vez, corre praticamente sozinho. Tem 16% para governador, enquanto o Augusto Cury possui 5,3% para presidente.

 

Conclusão:

O Omar tenta transformar o Lula em impulso. O Cidade tenta impedir o Wilson de virar peso. A Maria Enxofre tenta provar que os votos de Flávio também são dela. E o David tenta mostrar que não precisa de presidente para sobreviver.

 

Na última semana, todo candidato vai querer subir no palanque com alguém popular. O problema é descobrir quem realmente puxa voto. Quem apenas aparece na fotografia. E quem, quando sobe, faz o palanque ficar pesado demais.

 

*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.


Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.


Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.


Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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