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SEGREDOS DE BASTIDORES
*Por Antônio Zacarias - A menos de dois meses do primeiro turno, as campanhas entram na fase mais delicada da disputa.
Nesse momento, crescer nas pesquisas continua sendo importante, claro, mas há um componente que costuma preocupar ainda mais os marqueteiros: a rejeição.
Ela não aparece em comícios, não faz barulho nas redes sociais e nem enche carreatas, mas pode decidir uma eleição. Tô certo ou tô errado?, como diria Sinhozinho Malta, de Roque Santeiro, uma das maiores novelas da história da televisão brasileira.
REJEIÇÃO É O TETO DO CANDIDATO
Todo candidato tem um potencial de crescimento. E também um limite.
Quando a rejeição alcança índices elevados, conquistar novos eleitores passa a ser uma tarefa muito mais difícil.
Quem ainda não escolheu em quem votar pode até mudar de ideia.
Mas quem afirma que não vota em determinado candidato, normalmente mantém essa posição até o fim da campanha.
É por isso que quem entende de política costuma dizer que rejeição alta funciona como um teto eleitoral.
NA RETA FINAL, CADA VOTO VALE MAIS
À medida que o calendário eleitoral avança, diminui o tempo para corrigir erros de imagem.
Uma declaração mal recebida, um desgaste político ou uma crise mal administrada podem ampliar rapidamente a rejeição. E recuperar terreno nos últimos dias costuma ser muito mais difícil do que conquistar apoio no início da campanha.
Quem chega à reta final carregando uma imagem desgastada precisa gastar boa parte da energia tentando reduzir danos.
O ELEITOR INDECISO OBSERVA TUDO
Existe um grupo que só decide o voto perto da eleição.
Esse eleitor costuma acompanhar debates, entrevistas e o comportamento dos candidatos nas semanas finais.
Quando percebe excesso de ataques, arrogância ou incoerências, muitas vezes transforma dúvida em rejeição. Aí, mano velho, o bicho pega, pois rejeição consolidada raramente se converte em voto.
SEGUNDO TURNO COMEÇA NO PRIMEIRO
Para quem disputa o Governo do Estado, o primeiro turno também serve para construir o ambiente da etapa seguinte.
O candidato que chega ao segundo turno com menor rejeição tende a encontrar mais facilidade para atrair os eleitores dos adversários derrotados.
Já aquele que acumula forte resistência enfrenta muito mais dificuldade para ampliar sua base de apoio, mesmo liderando no primeiro momento.
Por isso, preservar a imagem durante toda a campanha pode ser tão importante quanto conquistar votos.
NÃO BASTA SER CONHECIDO
Na política, ser conhecido é essencial, desde que não seja negativamente. Se for, a vantagem vira um problema. E um problema sério.
Há candidatos que possuem grande exposição pública, porém enfrentam resistência justamente por causa dessa visibilidade.
Em muitos casos, o desafio deixa de ser aumentar o nível de conhecimento e passa a ser reduzir a rejeição.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Daqui até o dia 4 de outubro, as campanhas continuarão disputando votos.
Nos bastidores, porém, haverá uma preocupação permanente em evitar o crescimento da rejeição.
Afinal, no fim das contas, não basta convencer quem já simpatiza com a candidatura.
Também é preciso não afastar quem ainda está disposto a ouvir.
Em uma eleição equilibrada, às vezes é justamente a rejeição — e não a preferência — que define quem avança e quem fica pelo caminho.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.