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*Por Antônio Zacarias - Minha gente, mal terminou a eleição e uma denúncia pesada caiu no colo do governador Roberto Cidade, o famoso “Cocô de Ouro”.
Quem jogou a bomba foi o ex-deputado federal Marcelo Ramos.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o Marcelo Ramos acusa o governo de fazer pagamentos milionários a empresas enquanto estudantes da rede estadual reclamam da falta de merenda escolar e do atraso no pagamento de bolsas.
OS NÚMEROS ASSUSTAM
Mais de R$ 10 milhões pagos a uma empresa em um único dia. Um contrato de R$ 23,1 milhões para instalação de painéis de LED, com pagamento, segundo o Marcelo Ramos, apenas dois dias depois da assinatura. E mais de R$ 95 milhões em pagamentos associados a três contratos da Secretaria de Educação.
O Marcelo pede a intervenção imediata do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) e do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
As acusações são graves e precisam ser investigadas.
DEZ MILHÕES NUM DIA
O Marcelo Ramos afirma que a empresa Azimute Tecnologia Territorial recebeu mais de R$ 10 milhões em um único dia.
O Marcelo quer saber por quê. Que serviços foram prestados? Quem autorizou os pagamentos? E por que tanta pressa?
A empresa já mantinha contrato milionário com a Secretaria de Educação. Em 22 de outubro, foi noticiada a prorrogação, por mais 12 meses, de um contrato de R$ 52,9 milhões para serviços de gestão territorial e geoprocessamento.
LED DE OURO?
Outra bomba: um contrato de R$ 23,1 milhões para instalação de painéis de LED. Segundo o Marcelo Ramos, houve pagamento apenas dois dias depois da assinatura. Uma velocidade que chamou a atenção do ex-parlamentar.
A pergunta é simples: o serviço já havia sido executado? Houve medição? A documentação justificava o desembolso? Tudo isso precisa ser esclarecido. Dinheiro público não pode ser tratado como dinheiro sem dono.
NOVENTA E CINCO MILHÕES
O Marcelo Ramos também aponta pagamentos superiores a R$ 95 milhões relacionados a três contratos da Seduc. Uma montanha de dinheiro. E tudo isso num momento em que a situação financeira do Estado provoca preocupação.
Os fornecedores, os objetos contratuais e as datas exatas de cada desembolso ainda precisam ser identificados e confrontados com os registros oficiais. É justamente aí que entram os órgãos de fiscalização.
E A MERENDA, GOVERNADOR?
Enquanto milhões aparecem nas despesas do governo, estudantes de Parintins reclamam da falta de merenda escolar. O Marcelo Ramos divulgou imagens de alunos denunciando o problema. Barriga vazia não aprende matemática. Nem português. Nem coisa nenhuma.
O contraste é politicamente explosivo. Dinheiro para contratos milionários é estudantes reclamando da alimentação. Cabe ao governo explicar se os relatos procedem e por que a situação chegou a esse ponto.
BOLSAS ATRASADAS
O Marcelo também cobra explicações sobre atrasos no pagamento de bolsas estudantis. Para muitos jovens, esse dinheiro ajuda a pagar alimentação, transporte e moradia. Não é luxo, é necessidade.
O ex-deputado advertiu que, se os órgãos de controle não agirem, os próprios estudantes poderão sair às ruas. Uma reação que, segundo ele, pode ser dura.
O GOVERNADOR TAMPÃO NA MIRA
O Roberto Cidade, o Cocô de Ouro, perdeu a eleição e está na reta final de seu mandato. Isso não significa que esteja impedido de contratar ou pagar despesas legítimas. Mas aumenta a necessidade de transparência, principalmente quando os valores chegam à casa das dezenas de milhões.
A população tem o direito de saber o que está sendo contratado, quanto está sendo pago e quais serviços estão sendo entregues. Não é favor. É obrigação de quem administra dinheiro público.
UM BILHÃO E QUATROCENTOS MILHÕES
O Marcelo Ramos também prometeu acompanhar de perto a aplicação do empréstimo de R$ 1,4 bilhão contratado pelo governo estadual junto ao Banco do Brasil. O contrato foi assinado em outubro, depois de uma disputa judicial.
É muito dinheiro. E a fiscalização precisa acompanhar cada etapa da operação. O que foi contratado? O que foi efetivamente liberado? Onde cada centavo será aplicado?
CADÊ O TRIBUNAL DE CONTAS?
O Marcelo Ramos chamou diretamente o TCE-AM e o Ministério Público. Quer uma apuração rigorosa. Contratos, empenhos, liquidações, pagamentos e comprovação dos serviços. Tudo na mesa.
O pedido faz sentido. Se estiver tudo correto, que o governo mostre os documentos. Se houver irregularidade, que os responsáveis sejam identificados e respondam por seus atos. Simples assim.
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
Por que uma administração que enfrenta reclamações sobre merenda escolar, bolsas estudantis e dificuldades financeiras aparece envolvida em pagamentos tão elevados, justamente na reta final do mandato?
Pode haver explicações legais e administrativas para cada desembolso, mas elas precisam aparecer. Com documentos. Com números. Com transparência. Porque o dinheiro não é do Cocô de Ouro, não é de secretário, não é de empresa contratada. É do povo do Amazonas.
O SILÊNCIO NÃO RESOLVE
O Cocô de Ouro precisa responder aos questionamentos do Marcelo Ramos. Não com discurso político, não com ataques pessoais, mas com documentos capazes de demonstrar a legalidade e a necessidade dos gastos.
E o TCE-AM e o Ministério Público precisam examinar as denúncias com independência, sem prejulgamento, sem proteção política, pois, quando milhões de reais estão em jogo, a sociedade merece respostas.
Aqui fica a pergunta de Segredos de Bastidores: se está tudo certo, por que não abrir imediatamente as contas e mostrar ao povo do Amazonas para onde está indo tanto dinheiro?
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O Marcelo Ramos colocou uma batata quente nas mãos do Cocô de Ouro.
Pagamentos milionários, contratos de cifras assustadoras e suspeitas que exigem explicações. Tudo isso na reta final de um governo que deixa o poder, mas não deixa de prestar contas.
O ex-deputado fez a denúncia. Agora, cabe aos órgãos de controle investigar.
Nos bastidores, uma pergunta começa a ganhar força: por que tanta movimentação milionária justamente no apagar das luzes do governo? Pode estar tudo dentro da lei, mas é preciso provar, pois dinheiro público não tem dono, tem destino. E quem governa deve satisfação ao povo. O mandato acaba. A responsabilidade fica.
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.