*Por Antônio Zacarias - Primeiro foram os alunos. Depois, quem sabe, o povo. Nos bastidores, a resposta de Maria Enxofre do Carmo ao fracasso acadêmico foi lida como prévia do que seria um governo sem erros — só culpados.
O ensaio de governo
Nos bastidores da política amazonense, a reação de Maria Enxofre do Carmo à nota 1 do curso de Medicina da FAMETRO deixou de ser assunto educacional. Virou prévia de estilo administrativo.
Culpa que desce
Diante da pior nota do país no MEC, a responsabilidade não subiu à reitoria. Desceu até os alunos.
A lógica exposta
Se o curso fracassa, o erro é de quem aprende — não de quem ensina, dirige e lucra.
Sala de aula como laboratório
Para observadores atentos, a FAMETRO virou um microcosmo do que seria um eventual governo Enxofre: comando centralizado, erros terceirizados.
Gestora que não erra
No discurso, a instituição falha, mas a gestora permanece intacta. Um padrão conhecido na política.
Do aluno ao cidadão
A analogia corre solta nos bastidores: se alunos são culpados por uma nota 1, cidadãos seriam culpados por hospitais lotados.
Estado como extensão da reitoria
Quem acompanha a pré-campanha vê um risco claro: tratar o Estado como empresa privada e o povo como subordinado.
Fracasso sem autocrítica
Nenhuma menção a currículo, professores, estrutura ou gestão. Apenas a busca por culpados externos.
O povo como variável inconveniente
Em governos assim, o cidadão nunca é vítima da má gestão. É sempre parte do problema.
Ensaio perigoso
A fala não foi improviso. Foi reflexo. E reflexos revelam caráter administrativo.
Culpar é mais fácil que corrigir
Assumir falhas exige liderança. Transferi-las exige apenas discurso.
Governar exige o oposto
O Estado cobra responsabilidade ampliada, não explicações defensivas.
Bode expiatório oficial
Na FAMETRO, o aluno. No Estado, quem seria?
Sinal vermelho na pré-campanha
Aliados admitem em reservado: a analogia pegou mal — e colou.
Narrativa que se constrói sozinha
Adversários nem precisaram forçar. O discurso veio pronto.
Quando a culpa nunca é do comando
A pergunta que ecoa é simples: se nada é responsabilidade da reitoria, será do governo?
Autoridade sem empatia
O episódio reforçou a imagem de uma gestora dura com a base e indulgente consigo mesma.
Do MEC às urnas
Uma nota técnica virou termômetro político.
O risco do modelo
Estado não é faculdade. População não é corpo discente. Mas a lógica apresentada sugere confusão perigosa.
Conclusão de bastidor
Na FAMETRO, Maria Enxofre culpou alunos pela própria gestão. No governo, tudo indica, culparia o povo. E quando a culpa nunca sobe, o poder nunca aprende.
*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.