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*Por Antônio Zacarias - Na política, imagem é patrimônio.
Mas patrimônio também pode rachar quando a realidade bate na porta.
A pré-candidata ao governo do Amazonas, Maria Enxofre do Carmo, tenta construir sua narrativa em cima de um conceito muito simples: a da empresária eficiente, da gestora de resultados.
É o discurso da administração moderna, da meritocracia, da eficiência privada aplicada ao poder público.
O problema é que, quando se olha para os fatos que cercam essa imagem, o roteiro começa a apresentar falhas difíceis de ignorar.
A NOTA QUE DESMORALIZA O DISCURSO
A principal vitrine administrativa de Maria Enxofre do Carmo sempre foi a gestão da faculdade que dirige.
É dali que nasce o argumento de que ela teria capacidade para administrar estruturas complexas.
Mas um dado oficial desmontou essa narrativa com a força de um relatório técnico.
O curso de Medicina da instituição recebeu nota 1 no ENAMED — uma das piores avaliações possíveis em indicadores de qualidade do ensino superior.
Em linguagem simples:
nota 1 é praticamente um alerta vermelho do sistema educacional brasileiro.
Quando a joia da coroa acadêmica apresenta um desempenho desse nível, a pergunta surge naturalmente nos bastidores políticos:
Como sustentar o discurso de “boa gestora” se o principal projeto administrativo apresenta desempenho tão baixo em avaliação nacional?
No mundo da política, credencial administrativa é feita de resultados mensuráveis.
E números ruins costumam falar mais alto do que slogans de campanha.
O PROBLEMA QUE VEM DE DENTRO DE CASA
Outro tema que circula amplamente nos bastidores — e já foi objeto de comentários e reportagens públicas — envolve o marido da pré-candidata, Wellington Lins.
O episódio, amplamente comentado em Manaus, relata que ele teria sido flagrado em um motel acompanhado de três adolescentes, em um contexto em que também haveria consumo de drogas.
Trata-se de um caso que repercutiu fortemente nas rodas políticas e sociais da cidade.
Mesmo quando o fato não envolve diretamente o candidato, a política ensina uma regra antiga:
escândalos próximos costumam contaminar narrativas de campanha.
Principalmente quando o discurso eleitoral tenta se apoiar em valores morais ou em autoridade administrativa.
A FILANTROPIA QUE CHEGOU COM A ELEIÇÃO
Há ainda uma observação recorrente feita por pessoas que conviveram com Maria do Carmo ao longo dos anos.
A empresária nunca foi conhecida por cultivar proximidade com pessoas humildes.
Muito pelo contrário.
Nos corredores da própria instituição e entre funcionários, circula há muito tempo a fama de uma gestora pouco dada à empatia e frequentemente dura no trato com subordinados.
Alguns relatos chegam a falar em episódios de humilhação pública de funcionários.
Nada disso combinava com a figura da benfeitora social.
Até agora.
Porque, desde que seu nome passou a circular como pré-candidata ao governo, uma nova personagem apareceu no cenário político:
a Maria Enxofre do Carmo das cestas básicas.
Distribuição de alimentos, gestos de solidariedade e presença em comunidades carentes passaram a fazer parte da agenda.
Nos bastidores, muita gente resume a mudança com ironia:
“Antes da eleição, nunca tinha dado nem um prato de comida. Agora virou santa da cesta básica.”
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
A pré-campanha de Maria Enxifre do Carmo tenta vender três pilares:
gestão eficiente, autoridade administrativa e sensibilidade social.
Mas os bastidores contam outra história:
1) uma avaliação acadêmica que derruba o argumento da excelência administrativa;
2) escândalo familiar que vira munição política;
3) e uma súbita vocação filantrópica que surgiu justamente no ano eleitoral.
Na política, biografia pesa.
E, quando o discurso começa a se afastar demais da trajetória real, o eleitor costuma perceber.
Porque campanha aceita marketing.
Mas o passado raramente aceita maquiagem.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.