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'SEGREDOS DE BASTIDORES': MARIA ENXOFRE DO CARMO PERDE NO TRE E O ''REPOST'' QUE ELA QUERIA ESQUECER VOLTA PARA A CAMPANHA
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

*Por Antônio Zacarias - Minha gente, vamos direto ao ponto. A Maria Enxofre do Carmo Seffair tentou conseguir na Justiça Eleitoral direito de resposta contra Wilson Lima.

 

Perdeu. Recorreu. E perdeu de novo. Desta vez, por unanimidade no TRE-AM.

 

TUDO COMEÇOU COM O “REPOST”

 

Lembram da história? A Maria Enxofre compartilhou em sua rede social uma reportagem que reproduzia comunicado atribuído a uma facção criminosa. O Wilson pegou o episódio e foi para cima. Falou em “apologia ao crime” e “divulgação de mensagem de bandido”.

 

A Maria Enxofre considerou as declarações falsas e ofensivas. Pediu direito de resposta. A primeira decisão negou. Ela recorreu ao TRE-AM. E o Tribunal manteve a derrota.

 

O TRE CONFIRMOU UM PONTO IMPORTANTE

 

O acórdão registra como “incontroverso” que a Maria Enxofre efetivamente fez o compartilhamento. Atenção: o Tribunal não disse que ela pertence a facção, tem ligação com criminosos ou participou de crime. Nada disso.

 

Embora eu a queira ver longe — mas muito longe mesmo — do Palácio da Compensa —, jamais atribuiria a ela qualquer fato inverídico. Não sou irresponsável nem caluniador.

 

O que o TRE-AM decidiu foi que existia um fato concreto por trás da crítica de Wilson: o “repost”. E considerou que expressões como “dar publicidade” e “fazer apologia”, naquele contexto, estavam no terreno da crítica política, não de um fato sabidamente falso.

 

CRÍTICA PESADA TAMBÉM FAZ PARTE DO JOGO

 

O TRE foi além. Disse que imprecisão, severidade ou tom exacerbado não transformam automaticamente uma crítica política em mentira passível de direito de resposta.

 

Em eleição, segundo a decisão, existe espaço maior para opiniões duras sobre atos públicos dos candidatos. A intervenção da Justiça deve ser excepcional.

 

TRADUZINDO DO JURIDIQUÊS

 

A Maria Enxofre queria responder ao Wilson por meio de uma decisão judicial. Não conseguiu. Se lascou!

 

O próprio acórdão aponta outro caminho: os esclarecimentos devem ser apresentados ao eleitorado “na própria arena política”. Traduzindo: a Maria Enxofre terá de explicar o “repost” no palanque.

 

E AÍ MORA O PROBLEMA

 

Por que aí mora o problema? Porque agora o Wilson tem uma informação objetiva para explorar. A Maria Enxofre foi à Justiça, pediu direito de resposta e perdeu. Recorreu. E o TRE-AM negou o recurso por unanimidade. U-na-ni-mi-da-de.

 

Isso não dá licença ao Wilson, claro, para inventar acusações contra a Maria Enxofre. Mas permite que ele continue debatendo politicamente o ato que originou toda a confusão.

 

MARIA ENXOFRE TEM UMA RESPOSTA

 

Ela pode dizer algo simples: compartilhou uma reportagem, e compartilhar uma matéria jornalística não significa concordar com criminosos nem apoiar o conteúdo reproduzido.

 

O Wilson, por sua vez, pode responder: “Mas você deu publicidade à mensagem”. Pronto. O ringue está montado. Agora não será um juiz quem decidirá qual argumento convence mais. Será o eleitor.

 

O TIRO JUDICIAL PODE TER SAÍDO PELA CULATRA

 

Aqui está um detalhe interessante: ao tentar conseguir um direito de resposta, a Maria Enxofre colocou novamente sob os holofotes justamente um episódio que sua campanha provavelmente preferiria ver enterrado.

 

A discussão voltou acompanhada de um ingrediente novo: um acórdão unânime do TRE-AM rejeitando o recurso dela.

 

WILSON GANHOU MUNIÇÃO

 

Não significa que o TRE tenha endossado qualquer acusação de ligação entre a Maria Enxofre e organização criminosa, como eu enfatizei acima.

 

O Wilson, porém, ganhou munição política para dizer que criticou um fato verdadeiro, no caso o compartilhamento,, e que a tentativa de obter direito de resposta contra aquela crítica fracassou no Tribunal.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Minha gente, a Maria Enxofre tentou resolver no TRE um problema político. O TRE devolveu o problema para o lugar de onde ele saiu: a campanha eleitoral. Agora ela terá de explicar ao eleitor por que fez aquele compartilhamento, enquanto o Wilson certamente terá interesse em não deixar o assunto morrer.

 

Na internet existe uma máxima antiga: print é eterno. Depois desse acórdão, a campanha amazonense talvez tenha criado outra: repost também. Tô certo ou tô errado?

 

*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.


Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.


Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.


Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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