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*Por Antônio Zacarias - Na política, existe uma regra que nunca falha: discurso aceita qualquer coisa. Foto, nem sempre.
O lançamento das pré-candidaturas de Maria Enxofre do Carmo ao Governo do Amazonas e de Capitão Alberto Neto ao Senado tinha tudo para ser uma demonstração de força do PL. Tinha estrutura, tinha liderança nacional, tinha discurso ensaiado, tinha caravanas e tinha a presença de outras figuras importantes do partido.
O problema é que faltou o principal: povo.
As imagens do evento circularam durante todo o sábado e produziram um efeito devastador nas redes sociais. Em vez de consolidar uma candidatura competitiva, o encontro acabou alimentando uma pergunta que ninguém no PL gostaria de ouvir: se não conseguem lotar um evento próprio, como pretendem convencer o eleitorado de que representam uma alternativa competitiva para governar o Amazonas?
A POLÍTICA DAS IMAGENS
Políticos adoram pesquisas, mas existe uma pesquisa que não precisa de margem de erro: a fotografia. E as fotografias do evento mostraram espaços vazios demais para um ato que pretendia marcar oficialmente a largada de uma campanha estadual.
Em política, a percepção vale quase tanto quanto a realidade. E a percepção construída foi devastadora.
O TRIBUNAL DA INTERNET
Nas redes sociais, internautas encontraram material de sobra para explorar. As cadeiras vazias viraram meme, piada e assunto dominante do dia.
O debate deixou de ser o conteúdo dos discursos e passou a ser o tamanho do público.
Quando isso acontece, a organização perde completamente o controle da narrativa.
A CONTA DA LIDERANÇA NA FECHA
O constrangimento ganha uma dimensão ainda maior quando analisado à luz dos levantamentos eleitorais divulgados até aqui.
Hoje, apenas um instituto — o Veritá — coloca Maria Enxofre do Carmo na liderança da corrida pelo Governo do Amazonas.
Todos os demais levantamentos divulgados em 2026 mostram um cenário diferente, com Omar Aziz liderando a disputa.
É justamente essa discrepância que alimenta as dúvidas nos bastidores políticos. Se Maria Enxofre do Carmo realmente lidera com a folga apontada pelo Veritá, seria natural esperar uma demonstração robusta de mobilização popular em um evento construído especialmente para apresentar sua pré-candidatura.
Mas as imagens exibiram exatamente o contrário. E foi essa contradição que passou a dominar as conversas nos meios políticos.
O BANHO DE ÁGUA FRIA DE VALDEMAR
Como se o esvaziamento não fosse suficiente, o evento ainda carregava o peso de uma crise que já vinha fermentando nos bastidores e que recentemente se tornou pública.
Na semana passada, um vídeo de Valdemar Costa Neto repercutiu fortemente ao indicar que o comando político do PL amazonense continua concentrado nas mãos de Alfredo Nascimento.
A fala caiu como uma bomba porque enfraqueceu justamente a imagem que Maria Enxofre do Carmo tenta construir: a de liderança autônoma e protagonista do projeto para 2026.
No meio político, a leitura foi simples: se o comando continua com Alfredo, qual é exatamente o espaço de poder reservado à pré-candidata?
Até agora, ninguém conseguiu responder essa pergunta de forma convincente.
“TROPA DE ELITE” SEM SOLDADOS
Talvez o momento mais simbólico tenha sido quando Maria Enxofre do Carmo classificou o grupo como uma “tropa de elite”.
O problema é que a frase encontrou pela frente um adversário implacável: as imagens.
Na política, metáforas grandiosas costumam funcionar quando são acompanhadas por demonstrações visíveis de força.
Quando o cenário mostra arquibancadas esvaziadas e fileiras de cadeiras sobrando, o discurso corre o risco de produzir o efeito contrário.
Em vez de transmitir força, reforça a impressão de fragilidade.
O REAL FANTASMA DO PL
O verdadeiro problema para o partido não é um evento vazio. Eventos fracassam. Isso acontece.
O que assusta é o simbolismo, pois o lançamento ocorreu justamente no momento em que a pré-candidata tenta consolidar a narrativa de que estaria crescendo eleitoralmente.
Só que a política é cruel com incoerências. Quando o discurso aponta para uma liderança consolidada e as imagens mostram dificuldade até para encher um ginásio, a dúvida surge naturalmente.
A força eleitoral apresentada em determinados ambientes realmente existe nas ruas? Ou existe apenas dentro de uma bolha específica? No caso, o Instagram.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O lançamento das pré-candidaturas do PL deveria marcar o início de uma caminhada triunfal rumo a 2026.
Terminou produzindo exatamente o contrário. Ao final do dia, ninguém discutia propostas, projetos ou estratégias eleitorais.
O assunto era outro. As cadeiras vazias roubaram a cena. E, na política, quando a fotografia contradiz a narrativa, quase sempre é a fotografia que vence.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.